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04 de novembro de 2008
Fusão Itaú-Unibanco cria maior grupo do Hemisfério Sul; bancários temem demissões
O
anúncio de fusão das operações
da Itaúsa --empresa de participações
do grupo Itaú-- e do Unibanco foi
bem recebido pelo mercado. O ministro Guido
Mantega (Fazenda) afirmou que o negócio
fortalece o sistema financeiro do país,
enquanto especialistas destacaram o fato de
o setor sair com mais capacidade para
expansão internacional. Por outro lado,
bancários mencionam o temor de que a
fusão resulte em demissões, apesar
de as instituições destacarem que
as bandeiras e agências continuam
funcionando separadamente.
A fusão do
Itaú e Unibanco formará o maior
banco do país e o maior grupo
financeiro do Hemisfério Sul. Segundo
comunicado divulgado pelos bancos, o `valor
de mercado fará com que ele [grupo]
fique situado entre os 20 maiores do
mundo`. `Trata-se de uma instituição
financeira com a capacidade de competir no
cenário internacional com os grandes
bancos mundiais`, informaram as duas empresas.
O
total de ativos combinado é de mais
de R$ 575 bilhões --contra R$ 403,5
bilhões do Banco do Brasil, e R$
348,4 bilhões do Bradesco.
Ainda em
comunicado, as instituições informaram
que a fusão é resultado de 15
meses de negociação, ou seja, não
foi fomentada pela crise financeira que
abala o mercado global.
Para Jason Vieira,
economista-chefe da UpTrend Consultoria, a fusão
é uma forma de enfrentar a crise,
e não conseqüência dela. Segundo
ele, no entanto, a conclusão do
negócio pode ter sido precipitada pela
turbulência provocada pela fragilidade do
sistema bancário e financeiro dos Estados
Unidos.
`Do ponto de vista do valor
de mercado, das ações, os bancos
sofreram. É uma maneira de enfrentar
a crise no curto prazo. Não é
reflexo da crise. O processo de fusão
é muito longo. Não é coisa
de um mês`, disse Vieira.
Já
o economista-chefe da corretora Souza Barros,
Clodoir Vieira, destaca que a associação
com o sexto maior banco do país
deixa o Itaú isolado na posição
de maior banco nacional, ganhando escala
para permitir um salto importante rumo ao
mercado internacional
Na avaliação do
ministro da Fazenda, Guido Mantega, a fusão
deve fortalecer o sistema financeiro nacional
e evitar problemas na liberação de
crédito no país. `É importante,
pois solidifica os dois bancos. É
normal que em um momento de turbulência,
de problemas internacionais do setor financeiro,
você tenha um movimento de fusões.
São dois bancos tradicionais, dois bancos
sólidos, que têm uma atuação
importante para a atividade econômica`,
afirmou.
Mantega reconheceu que a fusão
vai aumentar a concentração do
sistema financeiro nacional, mas afirmou que
esse fator é positivo na medida em
que fortalece as instituições que
atuam no país. `Vai mudar um pouco,
mas não muito, porque ele já é
um setor concentrado. O importante é
que essa concentração vem no
sentido de fortalecer o sistema financeiro`,
afirmou.
Após o anúncio, as ações
dos dois bancos listadas na Bolsa de
Valores dispararam. Por volta das 16h10, os
papéis do Unibanco subiam 8,44%, e os
do Itaú, 15,2%.
Temor
O maior
temor de funcionários de bancos quando
ocorre uma fusão é com possíveis
demissões, já que a sobreposição
de operações e setores permite um
corte de gastos. Hoje, Itaú e
Unibanco destacaram que os bancos continuarão
a operar separadamente, inclusive com manutenção
de agências.
Sobre isso, o presidente
da Federação dos Bancários da
CUT (Central Única dos Trabalhadores) do
Estado de São Paulo, Sebastião
Geraldo Cardozo, informou em nota que `vê
com preocupação` a fusão, pois
a formação do conglomerado pode
significar o corte de postos de trabalho.
A
Contraf/CUT (Confederação Nacional dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro) também
se manifestou. `Uma operação desse
tamanho nos causa muita preocupação,
uma vez que fusões anteriores do Itaú
provocaram demissões de trabalhadores. A
Contraf/CUT e os sindicatos estão em
alerta para tomar todas as medidas possíveis
para garantir os empregos e os direitos
dos bancários`, destaca o secretário-geral
da entidade, Carlos Cordeiro.
Segundo a
Contraf, 80 mil bancários trabalham nos
dois bancos, sendo 52 mil no Itaú
e 28 mil no Unibanco. O montante
responde por quase 20% do número
total de bancários no país.
Fusão
Para
ser concretizada, a fusão ainda terá
que ser aprovada pelo Banco Central e
por órgãos reguladores como a CVM
(Comissão de Valores Mobiliários) e
o Cade (Conselho Administrativo de Defesa
Econômica) --o órgão ainda não
foi notificado e informou que não se
manifestará.
Conforme as empresas, `nada
muda operacionalmente neste momento` para os
clientes. `Todos continuarão a utilizar
normalmente os diferentes canais de atendimento,
cheques, cartões e demais produtos e
serviços.`
Segundo o Itaú e o
Unibanco, com a fusão dos dois bancos
serão aproximadamente 4.800 agências e
postos de atendimento (representando 18% da
rede bancária) e 14,5 milhões de
clientes de conta corrente (18% do mercado).
Em volume de crédito, representará
19% do sistema brasileiro, e em total
de depósitos, fundos e carteiras
administradas atingirá 21%.
Conforme as
duas instituições, as operações
de cartões de crédito passam a
contemplar as empresas Itaucard, Unicard,
Hipercard e Redecard.
No mercado de
seguros, o novo grupo nasce com uma
participação de 17% e de 24%
em previdência. As operações
Corporate (para empresas) vão somar mais
de R$ 65 bilhões, com atendimento a
mais de 2.000 grupos econômicos no
Brasil, conforme os dois bancos, que também
informaram que o negócio de Private
Bank (gestão de grandes fortunas) será
o maior da América Latina, com
aproximadamente R$ 90 bilhões de ativos
sob gestão.
Mercado de ações
O
acordo firmado entre as duas partes
determina que os acionistas do Unibanco
migrarão para uma nova companhia que
se chamará Itaú Unibanco Holding
Financeira, cujo controle `será compartilhado,
entre a Itaúsa e os controladores da
Unibanco Holdings, por meio de holding não
financeira a ser criada no âmbito da
reorganização.`
As ações
ordinárias do Unibanco e da Unibanco
Holdings serão substituídas por ações
ordinárias da Itaú Unibanco Holding.
Cada 1,1797 ação das duas empresas
virará 1 ação da Itaú
Unibanco Holding. Já cada 1,7391 ação
Unit do Unibanco passará a valer 1
ação preferencial. Por sua vez,
cada 3,4782 ações preferenciais do
Unibanco e da Unibanco Holdings valerão
1 preferencial da nova empresa.
Fonte: Folha Online