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05 de novembro de 2008


Comissão pode aprovar projeto que atualiza valor das aposentadorias e pensões

Com a aprovação unânime dos senadores presentes ao debate público na semana passada, o projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS), que atualiza o valor das aposentadorias e pensões (PLS 58/03) deve ser votado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quarta-feira com grandes chances de êxito. Apesar da declarada oposição do governo, preocupado com o peso dos gastos previdenciários nas contas públicas.

O projeto faz com que cada benefício passe a valer hoje o correspondente ao mesmo número de salários mínimos que valia na data em que foi concedido. Enquanto o autor e seus defensores alegam que a proposta traz justiça social, ao recompor benefícios desvalorizados, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teme que a elevação súbita dos valores pagos a larga parcela dos segurados possa ampliar o déficit de caixa do sistema – buraco financeiro que, para muitos, também é discutível.

Além da vice-presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), que mediou o debate de quarta-feira, defenderam a aprovação os senadores Cícero Lucena (PSDB-PB), José Nery (PSOL-PA), Mário Couto (PSDB-PA) e Romeu Tuma (PTB-SP), e o relator, Expedito Júnior (PR-RO).

Paim disse que é preciso recompor o poder de compra dos benefícios e reparar uma injustiça no modelo atual de Previdência. "Não se pode aceitar um modelo no qual um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aposenta-se com vencimentos de aproximadamente R$ 25 mil, enquanto um trabalhador que receba R$ 1 mil por mês, após aposentar-se, passe a receber cerca de R$ 415, devido ao fator previdenciário e à ausência de paridade com o salário mínimo (para o reajuste de sua aposentadoria)".

Ministro ouvirá argumentos de Paim

Na véspera da votação pela CAS, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, o relator-geral do Orçamento 2009, senador Delcidio Amaral (PT-MS), Paim e o ministro da Previdência Social, José Pimentel, devem discutir as propostas que tramitam no Congresso sobre a questão, entre elas duas outras do mesmo autor: a que extingue o fator previdenciário e emenda que inclui aposentadorias e pensões na política de reajuste permanente do salário mínimo.

Paim levará ao ministro as alegações feitas durante o debate pelo vice-presidente de Assuntos Parlamentares da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip). Segundo Rodrigo da Costa Possas, a Seguridade Social (formada pela Saúde, Assistência e Previdência Social) teve sucessivos saldos positivos de R$ 60,9 bilhões no ano passado, R$ 62,6 bilhões em 2005 e de R$ 50,8 bilhões em 2006.

O déficit anunciado pelo governo e por diversos outros institutos de estudos econômicos (veja texto nesta página), assegura Possas, se origina porque, para efeito de cálculo do caixa da Previdência, o governo considera uma única receita – a das contribuições de segurados e patrões – e não as outras receitas da Seguridade Social. Por isso, diz, há resultado negativo após o pagamento dos benefícios a aposentados e pensionistas.

Paim usou o argumento, lembrando que as outras fontes de financiamento da seguridade social são utilizadas para outros fins, como o de conseguir superávits primários nas contas públicas – devido a mecanismos como a Desvinculação de Receitas da União (DRU).

Fonte: Agência Senado

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