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13 de novembro de 2008
Rendimento do trabalho só deve voltar a ter o maior peso da renda nacional em 2011, diz Ipea
RIO
- O rendimento do trabalho só deve
voltar a ter o maior peso no total
da renda nacional (PIB) em 2011. Ou
seja, só 21 anos depois do piora
da distribuição de renda no país.
É o que indica a pesquisa divulgada
nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), com base nos
mesmos dados Sistema de Contas Nacionais
(SCN) e para a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad).
Segundo o
estudo do Ipea, que analisa o período
de 1990 a 2007, no início da
série, o salário dos trabalhadores
respondia por 53,4% da renda nacional. O
rendimento dos proprietários e dos
trabalhadores `mistos` representava 46,5%. Em
2007, a situação se inverteu: a
renda dos assalariados representava 48,9% da
renda nacional, enquanto os proprietários
e mistos ficavam com 51,1%.
A pesquisa
mostra que, nos últimos 17 anos, a
evolução da desigualdade na repartição
da renda apresentou quatro fases diferentes
no Brasil. A primeira ocorreu entre 1990
e 1996, quando o rendimento do trabalho
perdeu participação relativa no total
da renda do país (-15,2%), enquanto a
segunda fase houve elevação da
parcela do trabalho entre 1996 e 2001 (
5,4%).
A terceira fase de nova queda
relativa na participação do rendimento
do trabalho aconteceu entre 2001 e 2004,
estimada em -3,1%. A partir de 2005,
iniciou-se a quarta fase, com a expansão
da parcela do trabalho na renda nacional
( 4% entre 2005 e 2006).
Segundo o
relatório do Ipea, de 2001 a 2004,
a expansão média anual da renda
nacional foi de 3,2%, mesmo com a
manifestação da crise energética
(2001) e da ortodoxia das medidas de
combate à inflação em 2003.
Nessa fase, a parcela da renda do
trabalho no total caiu 2,1%, enquanto a
participação da renda da propriedade
e mista aumentou de 52,3% do total em
2001 para 53,6% em 2004.
Rendimento do
trabalho se recupera junto com o mercado
interno
De 2005 a 2007, a renda
nacional aumentou 4,2% como média anual,
estimulada pelo crescimento do mercado interno
e das exportações. Nesse período,
o peso do rendimento do trabalho em
relação à renda nacional voltou
a se recuperar, sem atingir, contudo, a
mesma situação já constatada em
1990 (53,4%). Em compensação, a
parcela da renda da propriedade e mista
no total caiu de 53,6%, em 2004 para
51,1% em 2007, como estimativa.
Em suas
conclusões, o Ipea destaca que para
haver melhora geral na distribuição
da renda nacional torna-se necessário que
o aumento do peso relativo da parcela
do trabalho na renda nacional (repartição
funcional) ocorra simultaneamente à redução
da desigualdade na repartição pessoal
da renda do trabalho.
`Nos últimos
17 anos, somente em seis houve redução
plena da desigualdade de renda no Brasil
(pessoal e funcional), uma vez que na
maior parte do tempo (2/3 dos últimos
17 anos) ocorreu elevação parcial
ou total no grau de desigualdade na
renda nacional.`
Fonte: O Globo