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Informes Urgentes
EDITORIAL
Sérgio Feitosa
Ingrid Betancourt
ou
Ingrid Betancolt
Que fazer quando a mídia nacional e internacional em operação conjunta divulga uma peça de teatro adornada de mentiras e injúrias? A saída é resistir e oferecer dados responsáveis para que o leitor, possa, através de uma análise independente formar sua opinião. Devemos esclarecer que não existe mídia independente. A prova disso é o fato recente envolvendo a prisioneira de guerra Ingrid Betancourt. A grande imprensa a serviço dos grandes capitalistas em uma só voz falava de uma mulher doente, torturada, moribunda e já quase morta por narcotraficantes das FARCs-EP, em flagrante contradição com as imagens de uma Ingrid bem disposta e com um sorriso que de tão viçoso arrancou elogios do 1º Ministro da França, François Fillon. Assim como os demais órgãos de informação, o jornal Atualidade também não é independente. Ele está à serviço, não só, dos funcionários da Justiça do Trabalho como também de homens e mulheres de nosso povo que são duramente injustiçados pelo sistema vigente. Conseqüentemente, temos opinião favorável à auto-determinação dos povos. Portanto, trazemos para os nossos leitores uma outra versão dos fatos para que tenham o direito de formarem suas opiniões. O que não será possível analisando a versão monolítica apresentada pelos meios de imprensa que têm um dono. 1º) As FARC-EP não são narcotraficantes. São um exército beligerante, formado por cerca de 17 mil homens e mulheres que visam a libertação do povo colombiano e que ao longo de seus 44 anos de existência e enfrentamento com os paramilitares, estes sim, narcotraficantes e o exército colombiano, que sempre esteve à serviço dos Estados Unidos, evitou o massacre de inúmeros camponeses. As FARC-EP seguem lutando. Mas se não são narcotraficantes ,de onde vem o dinheiro necessário para armar, alimentar e treinar milhares de homens e mulheres em um terreno tão hostil quanto a selva? Os recursos vêm do imposto da paz que as FARC-EP cobram de todas as empresas multinacionais e transacionais que operam nos territórios sob o controle das FARC. É bem verdade que este imposto de cerca de 10% do faturamento das empresas é bem maior que o imposto da guerra criado pelo governo colombiano que é de 5%, mas justifica-se, pois fazer a PAZ é bem mais caro do que fazer a GUERRA. Por que as FARC não buscam a via democrática para mudar o sistema? Os homens e mulheres que formaram o exército do povo, só o fizeram por não lhe restarem outra alternativa. Os três candidatos que apresentaram nas disputas eleitorais foram todos assassinados. E os mais de 5 mil homens e mulheres que acreditaram em um processo democrático para eleger um presidente e fazer as transformações necessárias foram todos mortos. Na Colômbia não há democracia. Só através de alianças espúrias com narcotraficantes, indústrias de armamentos e assassinatos que se chega à Presidência. Esta via , na Colômbia, que chamam democrática é uma quimera. Hoje, na Colômbia só há um caminho para os homens e mulheres de bem que buscam a transformação da sociedade. Ao serem chacinados pela pseudo democracia colombiana e avançarem nas transformações sociais necessárias, que é manterem-se em armas. Todos os grupos que depuseram as armas à pedido do governo para se inserirem em um processo eleitoral foram perseguidos, torturados e mortos. É legítimo a posição contrária de qualquer um no processo de defesa e avanço de um povo através de armas. O que não é legítimo, é mesquinho e covarde é os que são contra, fugirem ao debate taxando uma organização séria e revolucionária como narcotraficantes. Como as FARC não são narcotraficantes, o que temos que discutir é a legitimidade ou não de um povo se levantar em armas para defender-se do Estado que o esmaga. Ingrid Betancourt teve sua vida política financiada pela fábrica de fuzis Colt e teve como marqueteiro de campanha o Playboy filho do dono da referida fábrica e assim que eleita como deputada federal cumpriu com seu principal plano de governo que era arrebentar com um contrato da fábrica de fuzis Kalil fechado com o governo colombiano. Nos bastidores Ingrid fazia parte da guerra, não no campo de batalha, mas no seu escritório de parlamentar ela lutava como soldado da indústria de fuzil Colt contribuindo com a burocracia de favorecimentos à produtores e comerciantes de armamentos a alimentarem o sofrimento do povo colombiano. A princesa apresentada pela mídia não passa de uma mulher cuja ambição na busca por notoriedade a levou aos territórios ocupados pelas Farcs, sendo então feita prisioneira de guerra quando de sua campanha pela presidência da República. E só esteve tanto tempo em poder da guerrilha porque o presidente colombiano Álvaro Uribe não queria negociar, através de um acordo humanitário com as FARC, a sua libertação. Este mesmo governo, por diversas vezes, tentou em conflito com a guerrilha, provocar a sua morte. Se ela hoje está viva e de volta ao seio de sua família, deve-se ao empenho dos guerrilheiros na preservação do bem estar e da vida da refém, como sua imagem e seu próprio depoimento mostram. Somos contra todo e qualquer tipo de violência, clamamos pela paz. Mas quem dentre nós vai se deixar morrer sem lutar.
Sérgio Feitosa é Diretor-Presidente da ASJT-Rio
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