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15 de agosto de 2005
MEMÓRIA
Morreu Francisco
Milani, ator e militante do
PCdoB
Morreu
na madrugada deste sábado (13), o ator Francisco Milani. Militante do PCdoB e
membro de sua direção estadual no Rio, Milani foi vereador pelo PCB e candidato
a vice-prefeito do Rio em 2000 pelo PCdoB. O corpo será cremado neste domingo
no cemitério do Caju, centro do Rio. Milani morreu em decorrência de um câncer
no reto, contra o qual lutava há cinco anos.
Militante
comunista de longa história, o golpe militar de 1964 forçou Milani a ficar
afastado oito anos de sua carreira artística, trabalhando então como
caminhoneiro. Só pôde retomar a carreira em 1973.
Milani
oficializou sua entrada no PCdoB em 20 de outubro de 1995. Ao se filiar
declarou que “entro do Partido como militante plenamente identificado com seu
projeto revolucionário”. Entre as suas contribuições ao Partido, participou em
2000, ao lado de
Gianfrancesco
Guarnier, da gravação de um curso básico de formação, destinado a qualificar
teórica e politicamente a militáncia comunista. Quem conhece o vídeo não
esquece o trecho em que ele declama o poema "Nunca diga 'Isso é
natural'", do alemão Bertolt Brecht.
Francisco
Milani foi internado no dia 3 no Hospital da Barra da Tijuca. Segundo o boletim
médico, morreu em decorrência de edema pulmonar e insuficiência renal aguda.
Pai de três filhos, o ator foi casado por duas vezes, uma delas com a atriz
Joana Fomm.
Ator
de Teatro, Cinema e TV
Francisco
Milani nasceu em São Paulo, no dia 19 de novembro de 1936 e tinha 68 anos. Com
uma longa carreira no teatro, Milani também participou de clássicos do cinema
nacional, como o célebre “Terra em Transe” (1967) e o não menos célebre “Eles
Não Usam Black Tie” (1981).
Recentemente,
atuava no programa Zorra Total, da TV Globo, interpretando o "seu
Saraiva", além do programa A grande família, onde vivia o “Tio Juvenal”.
Participou ainda do elenco de Viva o Gordo, programa comandado por Jô Soares,
que a emissora levou ao ar de 1981 a 87. Atuou em diversas novelas da Globo,
desde as mais antigas, como Irmãos Coragem, Selva de Pedra até Barriga de
Aluguel, Anos Rebeldes, Elas por Elas, Aquarela do Brasil e atuou, em 2004, no
seriado Um Só Coração.
Ro
Rio de Janeiro,
Wevergton
Brito Lima
NOTA DO IMG
Francisco Milani, o
que nos fez rir, pensar e lutar por um
mundo novo
O
Instituto Maurício Grabois (IMG) divulgou uma nota em homenagem ao ator
Francisco Milani, morto neste sábado (13) no Rio de Janeiro. O texto retrata o
perfil de artista militante de Milani e recorda suas "reflexões valiosas
sobre a cultura de massas no país" feitas em um um Seminário Nacional
sobre Cultura promovido pelo IMG (clique aqui para ver). Leia a nota assinada
por Adalberto Monteiro, presidente do Instituto:
"A
Diretoria Executiva do Instituto Maurício Grabois sensibilizada com a morte do
ator Francisco Milani apresenta à sua família os sentimentos de pesar e rende
suas homenagens ao seu legado como expoente da arte brasileira.
Um
país se constrói com indústrias e energia, com aço e argamassa, mas apenas isso
e outros tantos elementos da base material produtiva não bastam. A construção
de um país pujante exige uma produção cultural rica e diversificada que
felizmente com muita luta e criatividade o povo brasileiro soube fazer brotar.
Francisco Milani integra com destaque o brilhante elenco de artistas
brasileiros que com talento e fibra criaram e enriqueceram o acervo e o
patrimônio cultural brasileiro.
Francisco
Milani teve uma vida comprometida com o Brasil e o povo brasileiro. Com sua
arte, ainda muito jovem, deu sua contribuição à luta contra a ditadura militar
de 64, atuando em peças de teatro do Centro Popular de Cultura da UNE. Na
atualidade, como militante político, era membro do Comitê Estadual do Partido
Comunista do Brasil-PCdoB.
Sempre
lutou contra a censura e pelos direitos trabalhistas dos artistas em entidades
e movimentos da categoria.
Através
de seu talento de humorista nos proporcionou alegria e riso, mas também
contribuiu para elevar nossa consciência crítica através de muitos trabalhos
artísticos de alta densidade como a sua participação— para citar apenas dois
exemplo— na peça A Morte do Caixeiro Viajante e no filme Terra em Transe.
Era
um tipo de artista, infelizmente raro na atualidade, que refletia criticamente
sobre os limites e potencialidades de seu ofício no contexto da indústria
cultural da qual foi um arguto crítico. Participou em 2003, em São Paulo, de um
Seminário Nacional sobre Cultura, promovido pelo nosso Instituto, no qual
apresentou reflexões valiosas sobre a cultura de massas no país.
Pelas
contribuições que ele legou ao povo e ao país, quase tão temos direito de
ficarmos tristes ante o desaparecimento de sua vida tão múltipla— um artista,
uma pessoa cuja obra nos faz rir, pensar e lutar por um mundo novo.
São
Paulo, 13 de agosto de 2005
Adalberto
Monteiro
Presidente
do Instituto Maurício Grabois."