ESPECIAL
07 de novembro de 2005
por Marcos Domich [*]
A embriagues
eleitoral e a absurda discussão da designação de pastas faz perder a visão dos
problemas de fundo que ameaçam os interesses nacionais e populares. Os dois
aspectos mencionados, eleições e pastas, estão relacionados com os aspectos que
abordaremos, mas não são assuntos de princípio nem de grande alcance.
O PCB adverte a opinião pública de que há vários indícios a apontarem a
preparação de uma interrupção do processo democrático. Verificaram-se mudanças,
nos comandos de algumas divisões muito importantes, que aparentemente não têm
nenhuma explicação, não são mudanças "por melhor serviço" nem as que
vêm na ordem anual de destinos.
Outro indício perigoso é a circulação de "manifestos", relatórios de
inteligência e outros que — aparentando apoio a alguma candidatura do campo
popular ou semeando temores e confusão — procuram na realidade dar pretextos ao
gorilismo não desaparecido e alentado pelo Pentágono e por serviços
estrangeiros de inteligência.
LEVARAM OS MÍSSEIS !
Contudo, o mais grave acontecimento militar foi a usurpação que o Pentágono e o
Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América efectuaram contra a
segurança nacional. Levaram mísseis pertencentes às Forças Armadas da Bolívia.
A explicação dada na ocasião, pelos círculos oficiais, de que eram equipamentos
obsoletos, não corresponde à verdade. Trata-se de mísseis do tipo SAM
(terra-ar), fabricados na República Popular da China e cedidos ao nosso país
mediante um crédito suave ainda não cancelado. Pelas condições do contrato,
estes mísseis não podiam ser entregues a terceiros sob nenhum pretexto.
Os pormenores importam pouco, o que importa é que o país foi despojado talvez
dos únicos elementos para uma defesa eficaz no caso de sofrer uma agressão.
Isto significa um gravíssimo acto contra a segurança nacional seriamente ameaçada,
dados os prováveis resultados da disputa eleitoral. Como oportunamente
denunciámos em "Unidad", a construção da base militar, do tipo
Estabelecimento Operacional Avançado (EOA), em Estigarribia, no departamento
paraguaio de Boquerón, financiada pelos EUA e a uns 200 quilómetros da
fronteira boliviana, é algo que deve tirar o sono aos bolivianos, aos
verdadeiros patriotas. É preocupante que as Forças Armadas não se tenham
pronunciado expressamente sobre este facto.
Se ligarmos o antecedente às declarações de personagens do Departamento de
Estado, como a sra. Condolezza Rice; às declarações, encontros e acordos de
altos funcionários de países vizinhos como o Chile e a Argentina, na verdade a
Bolívia está a atravessar um dos momentos mais preocupantes da sua história
nacional e estatal.
Por último, devemos referir-nos às acções da oligarquia de Santa Cruz de la Sierra que, pela via da
chantagem regionalista e inclusive da secessão da Bolívia, pode provocar a
desgraça nacional. Tudo isso nada mais do que para continuar a servir
interesses transnacionais e a preservação dos seus privilégios de classe
dominante e exploradora. Felizmente o verdadeiro povo crucenho está a despertar
para esta amarga realidade e, por fim, começa a resistir à oligarquia que não é
eternamente poderosa e impune. Há que acrescentar que a burguesia ocidental,
subordinada e entrelaçada com a oriental, observa este factos, de forma
complacente e submissa. O que confirma que o enfrentamento é de classes:
explorados contra exploradores, oprimidos contra opressores.
Para finalizar: O povo boliviano no seu conjunto deve fazer um esforço inaudito
que busque a unidade mais ampla possível para preservar o futuro da Pátria. O
verdadeiro inimigo não está entre os bolivianos, qualquer que seja sua língua,
sua cultura ou sua cor de pele. O verdadeiro inimigo é o imperialismo ianque
secundado por um punhado de oligarcas e traidores.
La Paz, 30/Outubro/2005
[*] Primeiro Secretário do CC do PCB.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
.