ESPECIAL

 

19 de janeiro de 2006

O Bush é um bom companheiro...

Fausto Wolff

Convenhamos, Hitler começou bem mais modestamente do que Bush. Além de ter de superar uma infância pobre e infeliz, começou do nada, achacando outros vagabundos para comer seu würtzer com prezel matinal. Mesmo depois de famoso, não tinha exatamente um país para começar, já que regiões como a Bavária e a Prússia consideravam-se independentes. Começou na Bavária e, na moita, foi pegando a Áustria, (que o recebeu como um herói), a Polônia, todo mundo achando muito bom: americanos, ingleses, franceses etc. Hitler tinha uma boa desculpa.

Estava reanexando os territórios alemães que os vencedores da 1ª Guerra haviam confiscado. Roosevelt gostava de Hitler e Truman achava que a Inglaterra precisava de um homem como ele (o Adolf) para entrar nos eixos. Só bronquearam quando viram que ele não pararia na Tchecoslováquia. Como o pessoal dava fácil, ele foi em frente: Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Hungria, Bulgária, Romênia, Albânia, Grécia, França. Não invadiu a Inglaterra porque esperava fazer um pacto com ela. Por isso, e mais a invasão da Rússia, perdeu a guerra.

Bush quer apenas concluir um projeto que começou modestamente com o genocídio dos índios e o confisco de suas terras. Invasão do norte do México, Nova Orleans, Alasca, Hawai e ilhas em todas as partes do mundo. Isso oficialmente. Extra-oficialmente faz o que quer em toda a América do Sul e Central, no momento, com exceção de Cuba, Bolívia, Argentina e quiçá, dentro em breve, o Chile. É verdade que a Alemanha tinha nazistas espalhados por todos os cantos. A Itália mais atrapalhou do que ajudou e o Japão travou sua guerrinha particular com os EUA após um muito bem ensaiado e divulgado ataque a Pearl Harbor.

A Alemanha já sabe o que é bom para a tosse e resolveu seu problema de lebensraum com dinheiro. Os EUA, em seu plano de dominar o mundo, contaram com as elites mais corruptas do planeta. Logo descobriram que serem donos oficiais de um país saía muito mais caro do que extra-oficialmente. O comportamento porco de Blair na guerra do Iraque deixou bem claro quem é colônia de quem. Nem todos os países são tão bonzinhos como a Ruanda, onde os hutus mataram quase 1 milhão de tutsis, um genocídio que não comoveu o mundo pois se tratava de negros, ex-colônia belga sem ouro ou minerais atômicos. Por isso os americanos, por onde passam, obrigam os vencidos a aceitarem o american way of life com salário-mínimo brasileiro.

Os gringos querem transferir seus ricos para uma Amazônia com ar-condicionado e cocaína como tira-gosto. Já compraram muitas terras e precisam de uma desculpa para intervir com seus marines. O nome do filme será o seguinte: Super Bush contra o império comunista das drogas. Para combater este império contam, como sempre, com a ajuda de Israel, que deixou de lado os sacrossantos valores socialistas do sionismo e de todos os seus satélites.

Hoje as tropas de Bush podem ser vistas no Paraguai. Motivos humanitários de contraterrorismo. Em dezembro de 1904 a administração Bush cancelou um empréstimo de US$ 330 milhões para dez países latinos. Eles não quiseram dar imunidade a soldados americanos que praticaram crimes no território deles. Mas o Paraguai não conseguiu se segurar. Autorizou a permanência de soldados americanos e administradores civis meses automaticamente renováveis.

Em sessão secreta, o parlamento paraguaio passou uma lei protegendo os marines de serem condenados no Paraguai por qualquer atividade criminosa. O número por baixo do pano é desconhecido, mas estima-se que 5 mil soldados americanos, aeroplanos, bombas e arsenal de guerra estejam próximos a Mariscal Estigarribia, pequena cidade a 200km da fronteira com a Bolívia, que acaba de eleger Evo Morales. Também não está longe da Argentina, cujo presidente Kirchner não é simpático a Bush, e nem do Uruguai, que está tentando voltar a ser a Suíça da América do Sul.

Uma lista de bases militares americanas na América Latina: Gantánamo, Cuba; Forte Buchanan e Roosevelt em Porto Rico; Soto Cano em Honduras; Comapálca em El Salvador; Reina Beatriz em Aruba; Hato Rey em Curaçao; Manta no Equador. Só esta base militar custou US$ 80 milhões. E o bravo povo paraguaio não pode, por lei, nem chiar se um soldado americano fizer pipi no meio da calçada.

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