ESPECIAL

 

20 de janeiro de 2006

Helio Fernandes

José Mentor e o escândalo das CC-5

Protegeu 4 bancos: Banestado, Rural, BEMGE e Banco do Brasil

O deputado José Mentor não devia ser CASSADO pelos 150 mil ou pouco mais que recebeu do Banco Rural. Sua punição tem que ser bem maior e por outro motivo. Ele foi o grande artífice, beneficiário e responsável pelo fim dramático e estrangulador da CPI do Banestado. Foi o relator dessa CPI que durou mais de 1 ano, e acabou sem apurar coisa alguma.

O grande fracasso dessa CPI, que livrou vários bancos, que deixou impunes muitas famílias poderosas, que acusou personalidades do Banco Central, e que envolveu gente muito poderosa da Polícia Federal (principalmente de Brasília), tem que ser colocado na conta do deputado José Mentor. Agora, muito tarde, Mentor articula um grupo para ver se salva o mandato, impedindo a cassação.

A CPI do Banestado foi formada por causa do delegado Castilho, da Polícia Federal. Assim que foi formada a CPI, o delegado Castilho procurou o relator José Mentor, e numa conversa de horas denunciou tudo o que acontecia com as famosas contas CC-5. E entregou provas acima de qualquer suspeita.

Nesses documentos, estavam assinalados, como principais responsáveis pelas remessas ILEGAIS, os seguintes bancos. Araucária. Rural. BEMGE. Banestado. Banco do Brasil. Naquela altura, o Araucária já havia enviado para o exterior, em apenas 2 anos, 1996/97, mais de 5 BILHÕES. Nada contra investigar o Araucária. Mas levar 1 ano com ele e não gastar nem um instante com os outros, é mais do que estranho, altamente comprometedor.

O delegado Castilho mostrou as famílias PODEROSAS E IMPORTANTES, principalmente de Santa Catarina, que se beneficiavam com as remessas ILEGAIS das CC-5. Os nomes estão no depoimento do delegado. Também foi revelado ao relator José Mentor que o Banco Central executava uma estratégia muito curiosa para quem tinha a obrigação da fiscalização: de 3 em 3 meses a Equipe Especial de Foz do Iguaçu era substituída, o que evidentemente impedia a apuração. Nas denúncias, nomes e mais nomes de personalidades do Banco Central.

Também na Polícia Federal a confusão era completa. Existiam 500 inquéritos abertos, para investigar 200 contas geralmente de "laranjas" que enviavam dinheiro pelas CC-5. Um dia, o chefe geral da Polícia Federal, delegado Agilio Monteiro, telefonou pessoalmente para o delegado Castilho no Paraná e determinou (ele era o chefe): "Quero que você abra mais 3 mil inquéritos, e ouça, um por um, todos os que enviaram recursos pelas CC-5". Inacreditável.

O delegado Castilho não disse nada, mas não abriu mais nenhum inquérito. Como ouvir mais 3 mil pessoas, além das 500 que já estavam arroladas? O delegado, que tinha ainda mais duas outras pessoas acima dele, hierarquicamente, resolveu descumprir a ordem. Viu logo que o comprometimento era tão grande que não aconteceria nada. E não aconteceu. Só que não apuraram.

Em determinado momento, os cálculos chegavam a remessas de 30 bilhões, e esse número não era exagerado, ficava por baixo. E aí o 4 bancos potências (Banestado que deu nome à CPI, Banco do Brasil, Rural e BEMGE) já haviam ultrapassado os 5 bilhões do Araucária. E José Mentor continuava "protegendo" a todos. A ponto do deputado Robson Tuma (filho do senador Romeu Tuma) dizer bem alto na própria CPI: "A investigação não vai passar do Araucária? E os outros bancos?".

Nenhuma CPI foi tão escandalosamente "protecionista" quanto essa. Muitas (como a CPI da Nike, que arrasou Ricardo Teixeira e outros, que jamais serão indiciados) apuraram, não adiantou nada. Como a CPI dos Precatórios, mas esta juntou Bernardo Cabral e Roberto Requião. A CPI do Banestado deveria ser refeita, PT-PT, PFL e PSDB se oporiam.

PS - De qualquer maneira, José Mentor não escapará. Da cassação pelo dinheiro aproveitado. Da indiciação pelo dinheiro protegido.

Duda Mendonça

De poderoso marqueteiro e íntimo de presidentes no Brasil e Argentina a publicitário bandido. Mudou muito.

Muita gente acredita que o presidente da Febraban seja um homem arrogante, pretensioso, vaidoso. Nada disso. Ele é poderoso mesmo, seja quem for e qualquer que seja a sua origem, o cargo é exercido em rodízio. No momento a Febraban é do Bradesco, já foi e voltará a ser do Itaú, até mesmo do ineficiente, indiferente e desimportante Unibanco. É da ordem natural das coisas, falam dos Três Poderes e até do Quarto, que seria o jornalismo. Mas não desse Quinto Poder.

Têm uma visão equivocada dos donos dos bancos, e por extensão daquele que fica de plantão na Febraban, até para atender a donos de órgãos jornalísticos (?).

Empresários, industriais e comerciantes, toda a opinião pública, os que pagam os lucros altíssimos dos bancos, ficam surpreendidos com o silêncio de rádios, jornais e televisões, que não dão uma palavra sobre esses lucros.

Há dias, numa conversa íntima, o presidente da Febraban mostrou que é humano, sensível e realista. E respondendo sobre esse silêncio, foi elucidativo em poucas palavras: "Quase todos eles nos devem fortunas, por que nos atacar?"

Impressionante a sua capacidade de sumarizar e esclarecer. A propósito: anteontem, tarde da noite, o BC "decidiu" reduzir os juros em 0,75%, que era o que 90% dos economistas ligados ao governo e aos bancos esperavam.

Mas é preciso fazer um esclarecimento em cima dos fatos: o cidadão-contribuinte-eleitor só vai perceber que os juros foram reduzidos dentro de 10 anos, no mínimo. Por isso, a confiança e a visibilidade da Febraban.

Os jornalões, reconheço, tinham muitas opções para manchetes ou chamadas na Primeira. Reação do Legislativo, decisão do Banco Central, explosão de CPI atingindo Lula. E mais e mais.

O Globo deu prioridade a um Poder desarmado embora culpado: "Pressão do eleitor força deputados a cortar férias". Uma ponta na esquerda (nenhuma conclusão) pequena, sobre redução dos juros.

A Folha preferiu "bater" no presidente, veio impávida e altaneira: "CPI quebra sigilos de amigo de Lula". Nenhuma nota sobre a redução dos juros. Foi esquecimento e não porque a Febraban fique em São Paulo. A questão geográfica e territorial seria.

Esta Tribuna fez o que era obrigatório: deu tudo. Lá em cima a redução dos juros. Depois, bem grande, a decisão do Congresso, fingindo que enganava a opinião pública. E ainda a luta pelo salário mínimo.

O Estadão seguiu a linha da indecisão. Mas optou por um fato que ninguém deu: a corrupção na Caixa Econômica, traduzida assim: "Relator acusa 34 por CORRUPÇÃO na Caixa". Ao lado, a redução dos juros.

A Caixa Econômica já havia respondido, mas ninguém levou a sério. A direção da Caixa diz que não tem nada a ver com a Gtech. Mas o relator, Garibaldi Alves, não deixou nenhuma brecha para a Caixa escapar.

Este repórter há mais de 10 anos vem acusando a Caixa Econômica de fraude e falcatrua nas loterias acumuladas. Um escândalo permanente. Uma vez me mandaram carta tentando explicar os fatos.

Respondi arrasadoramente e continuei a contestar os prêmios. Não voltaram nunca mais, apenas cortaram a publicidade. Ha! Ha! Ha!

O general Elito foi confirmado como comandante das Forças de Paz na ONU. Não havia a menor dúvida, eu já revelava o fato 24 horas depois da morte do general Bacelar. Também revelei que o Brasil continuaria.

Quem quase complicava tudo: o chanceler Celso Amorim. Mas reconheço: não foi por maldade e sim por incompetência. A velha incapacidade de 25 anos passados na Embrafilme, que combati do princípio ao fim.

A respeito de denúncias das CPIs, não sei quem está em situação pior. O presidente da República ou o seu poderoso ministro da Fazenda? Este pelo menos demonstra força, despreza as CPIs.

O PMDB, como eu disse ontem, está maravilhado com a própria competência. Conseguiu um candidato para as prévias que não existirão.

E o próprio candidato único inscrito, governador Rigotto, sabe que essas "prévias" vão se chamar "convenção". Mas na hora em que for melhor para todos. O PMDB imita o PSD de antes da ditadura.

A Bovespa, "explicando" que isso acontecia por causa da queda dos juros, abriu em alta forte e foi acelerando para cima, até quase o final. Com meia hora já estava com mais 2%, às 3 horas ia para 2,42%, em 36.709 pontos.

O dólar ficou o tempo todo na casa de 2,32, alta de 0,2%.

No fechamento, a Bovespa em mais 2,94%, com o Índice em 36.858 pontos volume de 2 bilhões, 64 milhões. Hoje, a Bovespa funciona, pois o feriado é só no Rio. Alívio e satisfação no pano verde.

Quando Hillary Clinton foi eleita senadora, escrevi aqui: "Apesar de dizerem nos EUA que uma mulher só chegaria à Casa Branca através de uma vice, surge uma candidata poderosa". Dona Condoleezza foi feita poderosa secretária de Estado, começou a se destacar, chamei a atenção: "Agora os EUA não têm apenas uma candidata a presidente, são duas, fortes".

Ontem, em O Globo, o correspondente José Meirelles Passos deu um show de página inteira sobre o assunto. Não deixou nenhum detalhe de fora, examinou o assunto de forma esplêndida. E sem preferência ou predileção.

A sorte está lançada. Dona Clinton tem um obstáculo: a eleição de novembro para renovação do mandato de senadora por Nova Iorque. É franca favorita, não tem nem adversários. Mas pode surgir, faltam longos 10 meses.

Mas se Dona Clinton tem um obstáculo, Dona Rice tem dois. E ao contrário da ex-primeira-dama, seus adversários têm nomes. Um é irmão do presidente, o outro é um canastrão do cinema que o povo elegeu. Já tem um precedente maior: Reagan também canastrão e também eleito e reeleito.

Bernardo Cabral chegando de Roma, onde recebeu grandes homenagens, num Congresso de juristas. E saudado por brasileiros e estrangeiros, satisfação mais do que justa.

Que ridículo, ou melhor, que ambição para aparecer do treinador Parreira. Chamou os jornalistas para dizer que está lendo "a obra do filósofo e estrategista" Sun Tsu. Mesmo que entendesse alguma coisa, Parreira não poderia aproveitar no futebol.

Mais ridículo ainda foram Lula e Kirchner. Posar para os fotógrafos, numa reunião que deveria ser importante, com camisa de futebol, que vexame. Deveriam fazer um sorteio, para ver quem exibia a camisa com o retrato do Bush e o outro com a camisa do Rato do FMI. Não precisariam nem escrever coisa alguma, o povão saberia que era o protesto violento na hora exata.

Martina Hingis, Davemport e Serena Williams passaram para a terceira rodada do desgastado Grand Slam da Austrália. A Hingis ganhou esse torneio 3 vezes, parou, voltou agora, depois de 4 anos.

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