ESPECIAL

 

27 de janeiro de 2006

ÀS PORTAS DO IMPÉRIO

Organizações anunciam intifada na fronteira do México com os EUA

Doze anos depois que os rebeldes zapatistas pegaram em armas no sul do país, responsável por mobilizações confirma - em entrevista exclusiva à CARTA MAIOR - o início de “uma intifada na primeira semana do mês de maio próximo”

CARACAS - Organizações civis inspiradas no movimento zapatista, cujo líder subcomandante Marcos deu início no primeiro dia de janeiro a uma campanha por todo México, anunciaram hoje (27) a “tomada da fronteira entre o México e os EUA”. Doze anos depois que os rebeldes zapatistas pegaram em armas no sul do país, disseram em entrevista exclusiva à CARTA MAIOR que darão início a “uma intifada na primeira semana do mês de maio próximo”. A notícia, que será anunciada amanhã (28) em coletiva de imprensa, foi dada em primeira mão por Edur Arregui Koba, organizador de massivas mobilizações de denúncia da ofensiva militar contra o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).

A bordo de uma moto Yamaha de 625 cilindradas (batizada de “sombra luz”), o subcomandante prometeu recorrer todo o país no marco do que chamou de “a outra campanha”, paralelamente às campanhas dos partidos convencionais para as eleições de 2 de julho deste ano.

Edur Arregui explicou que a travessia do líder rebelde e a ocupação das fronteiras “são movimentos convergentes”.

CM - Marcos se unirá à intifada na fronteira?
EA – Quando a intifada começar, estou certo de que os acontecimentos se precipitarão.

CM - Isso significa que Marcos chegará à fronteira?
EA – Cedo ou tarde, chegará.

CM - O zapatismo tem traçado uma estratégia com relação aos EUA?
EA - Entre 45 milhões de latinos que vivem nos EUA, há muitos pobres que se identificam com o zapatismo. Creio que a resposta da sua pergunta corresponderia a eles.

CM - A intifada contará com o apoio de zapatistas americanos?
EA - Contará com o apoio de sindicatos, de ONGs e do nutrido movimento contra a guerra que existe nos EUA.

CM - Que desenvolvimento político o zapatismo conquistou nos EUA?
EA – Eles têm suas próprias raízes e tradicionais. É o caso do movimiento indígena americano. Na realidade, esses indígenas são nossos irmãos maiores, estão enfrentando 300 anos, a sangue e fogo, o imperialismo anglo-saxão.

CM - Onde se concentrarão as ações?
EA - O centro das manifestações serão em Ciudad Juarez. Nessa localidade, segundo estatísticas oficiais, houve 441 vítimas em 2005, incluídos os 127 corpos de migrantes não identificados. A cifra poderá aumentar no próximo ano com o duplo muro que o governo estadunidense está projetando.

CM - Planejarão alguma ação direta contra o muro?
EA - O muro será devorado pelo deserto, nenhum muro poderá proteger [o presidente dos EUA, George W.] Bush dos ventos que voltam como tempestades. Esse muro é um delírio, uma insensatez. Creio que Bush, cedo ou tarde, também será devorado pelo deserto.

 

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