ESPECIAL
08 de março
de 2006
SAÚDE PÚBLICA
Em dois anos Brasil
reduziu mortalidade infantil
em 8,7%
Maior vitória foi a queda da mortalidade até 28 dias
O Brasil registrou, em dois anos, uma queda de 8,7% da
mortalidade infantil (de crianças com até um ano de idade) e de 7,3% da
mortalidade neonatal (bebês com até 28 dias de vida). Em 2002, a taxa da
mortalidade infantil foi de 25,1 por mil nascidos vivos, caindo para 23,1 em
2004. A taxa da mortalidade neonatal foi de 16,5 por mil nascidos vivos em 2002
e de 15,3 em 2004.
Os números foram divulgados nesta quarta-feira (8) pelo
Ministério da Saúde. O ministério não apresentou números de redução da
mortalidade materna, que em 2004 foi de 74,5 mães para cada cem mil nascidos
vivos.
Maior vitória no front neonatal
A queda da mortalidade neonatal foi o resultado mais
destacado pelo o coordenador do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade
Materna e Neonatal, Adson França. Segundo ele, a mortalidade infantil já vinha
caindo gradualmente ao longo das últimas décadas, mas a neonatal permanecia
estagnada. Se a tendência de redução continuar, ele acredita que será possível
atender a uma das metas de desenvolvimento do milênio, fixadas pela ONU.
"Como meta geral, nós temos a redução de 15% da
mortalidade materna e neonatal (até o final do ano). Também vamos manter um
vínculo com os objetivos de desenvolvimento do milênio, cuja meta assinada por
191 países é reduzir a mortalidade materna e infantil em 75% até 2015",
afirma Adson França.
Um problema de classe social
O fator social condiciona grandemente a mortalidade
infantil. "A mortalidade de recém-nascidos e materna está muito vinculada
à baixa escolaridade da mulher, à renda que não ultrapassa na maioria absoluta
das mulheres a dois salários mínimos e está vinculada ao aspecto de acesso aos
serviços", afirma o coordenador do Pacto.
A quantidade de mortes é maior nos estados das regiões Norte
e Nordeste, as mais pobres do país. Mas mesmo em uma cidade há fortes
diferenças entre os bairros ricos e os pobres. "Dentro de uma mesma cidade
você tem distintas realidades. Então nós temos na mortalidade infantil e na
mortalidade materna um recorte social, um recorte econômico, étnico e racial.
As mulheres negras pagam um preço maior porque tem maior dificuldade de acesso
a bens de consumo, acesso à saúde, problemas e dificuldades de acesso à
escolaridade", afirma Adson.
Segundo o coordenador, no ranking das principais causas da
mortalidade neonatal estão problemas circulatórios e respiratórios;
prematuridade e baixo peso, infecções no parto e hemorragia. No caso das mães,
as principais causas são a hipertensão arterial, hemorragias, infecções no
parto e complicações por aborto.
Números mundiais: EUA pior que Cuba
Para efeito de comparação, a Organização Mundial de Saúde
(OMS) considera como situação aceitável que ocorram no máximo 10 mortes por mil
nascidos vivos, tanto neonatais como infantis (Brasil está com 15,3 e 23,1,
respectivamente). No caso da mortalidade materna, a ONU diz que os países devem
manter o índice entre seis e 20 mulheres por cem mil nascidos vivos (no Brasil
ocorrem 74,5 mortes).
As estatísticasde mortalidade infantil no mundo mostram uma
grande disparidade, embora os números em geral venham caindo, com o avanço da
urbanização, do saneamento básico e dos serviços sanitários.
O pior índice é o de Angola, que viveu 27 anos de guerra
civil, até 2002: 187 crianças mortas até um ano de idade. O segundo pior é o do
Afeganistão, sob ocupação militar americana há mais de quatro anos: 163 por
mil. O Haiti registra 73 por mil, o Iraque 50 por mil.
Já Cuba tem 6,3 crianças mortas por mil, o segundo melhor
índice das Américas. Situa-se abaixo do Canadá (4,7 por mil) e um pouco acima
dos Estados Unidos (6,5 por mil).
Os índices mais favoráveis do mundo são todos de países escandinavos:
Suécia (2,8 por mil), Islândia (3,3), Finlândia (3,6) e Noruega (3,7). A
exceção é o Japão, que figura em segundo lugar, com 3,3 por mil.
O papel do Pacto pela Redução
O governo atribui a redução das mortalidades neonatal e
infantil ao lançamento, há exatos dois anos, do Pacto Nacional pela Redução da
Mortalidade Materna e Neonatal. O objetivo era reduzir em 15% os índices de
mortalidade materna e neonatal até o final de 2006. Iniciativa do Ministério da
Saúde, o Pacto assumiu a forma de uma parceria entre União, estados, municípios
e sociedade civil.
O acordo foi considerado uma experiência modelo pela
Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as ações previstas no pacto estão a
elaboração de planos de redução da mortalidade materna e neonatal, a
organização de comitês de estudo da mortalidade infantil e materna, a
qualificação de profissionais e a criação dos bancos de leite humano.
Desde a instituição do pacto já foram criados 71 planos de
redução, 748 comitês municipais, 172 comitês regionais e 206 hospitalares.
Foram qualificados cerca de quatro mil profissionais de saúde e inaugurados 186
bancos de leite em todo o país. O ministério também liberou R$ 31,2 milhões
para os 78 municípios onde são altos os índices de mortalidade.
Com agências
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