ESPECIAL
08 de março
de 2006
Nova Bolívia
Morales acusa EUA de
agressão e diz que não devolverá armamento
O presidente boliviano, Evo Morales, acusou ontem os Estados
Unidos de "agressão" e anunciou que não devolverá o armamento doado
pelos americanos a uma unidade antiterrorista das Forças Armadas bolivianas
como parte de uma ajuda militar suspensa na sexta-feira passada. "Estou
recebendo muita agressão, muita provocação da embaixada dos Estados Unidos;
portanto, do Governo dos Estados Unidos", disse Morales em entrevista
coletiva com jornalistas estrangeiros no Palácio Quemado de La Paz, sede presidencial.
Sob um retrato do líder guerrilheiro Ernesto Che Guevara,
Morales pediu "transparência, sinceridade e responsabilidade" ao
embaixador americano, David Greenlee, com quem iria se reunir ainda na noite de
ontem. A assistência militar americana à Força Contra o Terrorismo Conjunta
(FCTC) está avaliada em US$ 380 mil, dos quais US$ 70 mil correspondem a
equipamentos e armas já entregues à unidade, e a Embaixada dos EUA anunciou que
pretende cobrá-los esta semana.
"Há uma instrução do capitão geral das Forças Armadas
(Morales) ao Alto Comando Militar de não devolver nenhum armamento", disse
o governante boliviano a respeito, embora tenha dito que, se houver uma
solicitação diplomática, vai analisar. Morales também advertiu que não
"vai permitir a intromissão permanente da embaixada dos Estados Unidos
usando alguns militares".
Através de uma carta, o chefe da Missão Militar dos Estados
Unidos na Bolívia, Daniel Barreto, comunicou a Morales na sexta-feira passada a
decisão de Washington de retirar a assistência à FCTC e de pegar nessa
sexta-feira o equipamento logístico e militar doado. "Em vez de pedir a
devolução do armamento, os EUA deveriam nos devolver os mísseis, e não desativá-los",
disse.
Morales fazia referência ao transporte e destruição do
arsenal terra-ar do Exército boliviano, numa operação secreta feita durante o
Governo do ex-presidente Eduardo Rodríguez. Morales também criticou Greenlee
por cancelar recentemente o visto de Leonilda Zurita, senadora de seu partido,
o Movimento ao Socialismo (MAS), e dirigente sindical dos camponeses
cultivadores de folha de coca.
"Quando era dirigente, tinha visto. Agora que é
senadora, tiram seu visto e a acusam de terrorista", disse ao anunciar que
pedirá provas ao diplomata da acusação que motivou a retirada do direito de
Zurita. Ele considerou também que, graças ao MAS, não há rebeliões armadas na
Bolívia, como o peruano Sendero Luminoso, no Peru, e as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Sobre sua reunião com Greenlee, ele anunciou que será
debatida a agenda de uma reunião com a secretária de Estado americana,
Condoleezza Rice, no Chile, durante a posse da presidente socialista Michelle
Bachelet.
Com agências.
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