ESPECIAL

 

11 de março de 2006

Helio Fernandes

Doando nossas riquezas

O ateniense FHC destruiu o Brasil

FHC no retrocesso de 80 anos em 8, apesar de tudo, prestou inestimável serviço ao Brasil. Permitiu lembrar que estamos não apenas com esse retrocesso de 80 anos, mas com o atraso de 506 anos. FHC assumiu com um atraso de 494 anos, deixou com 502. Lula assumiu com 503, já penetrou pecaminosamente nos 506. E se for reeeleito, o sucessor assumirá com o atraso de 510 anos "redondos".

É uma infelicidade que não tem fim. Se Lula perder agora em 2006, terá menos 4 anos de Poder, mas o Brasil terá os mesmos 4 anos do nada, do não fazer, da omissão. Seja quem for o presidente, qualquer que seja o seu anunciado projeto, ficará perdido no tempo, mergulhado na displicência, todos se voltam para a contemplação e não para a realização.

Muitos acreditavam (e esses muitos chegaram a 52 milhões) que o ateniense FHC fosse substituído pelo espartano Luiz Inacio Lula da Silva. Só que este, mais inebriado do que o próprio antecessor, ficou fascinado, seduzido e empolgado pela proximidade do Poder, esgotou o tempo em usufruí-lo.

Luiz Inacio Lula da Silva não precisa apelar, pedir ou até mesmo exigir de empresários, grupos ou países que mantenham investimentos no Brasil. A equipe econômica que está deixando o Poder sempre falou nos "investimentos diretos que têm ajudado o Brasil a fechar as contas". Quando digo "equipe econômica" e não falo em FHC, é porque este não tratava do assunto, sempre foi displicente, o seu desinteresse por trabalho é histórico, permanente, indesmentível.

FHC é um ateniense nato, tem horror aos espartanos. Embora julgue o contrário. E essa identificação chega à mesma conclusão, qualquer que for o ângulo da análise, a escola, o pensamento ou o estilo do analista. FHC não gosta de política, de economia, de administração, representa exatamente o oposto do jardineiro de Voltaire. Assim, preferiu deixar tudo com a "equipe econômica", sem interferir em nada. Embora diga que a "economia é tudo". FHC é um desconjuntador.

FHC só poderia ter sido presidente em Brasília, com Brasília, depois de Brasília. Ninguém imagina FHC presidente no Catete, sem as mordomias e o clima faustoso de Brasília. E com as chaves do enriquecimento, do envaidecimento e do esplendor guardadas nos cofres do Planalto-Alvorada. É lógico que ele não teve nada a ver com Brasília, mas ninguém aproveitou tão suntuosa e voluptuosamente quanto ele o erro colossal de Brasília. Esse erro para sempre na conta de Juscelino. O mesmo da minissérie.

Sem esquecer que Brasília foi o sonho de Ali-Babá e da inflação. E que durante 40 anos (de 1956 a 1996) enriqueceu o empresariado de quase todas as empresas. FHC deveria levantar várias estátuas a JK.

Sem a loucura mudancista de Juscelino, não poderia haver a loucura "estabilizadora" de FHC. Uma estabilidade iníqua, inexistente, inútil, inoperante, inócua. O cidadão-contribuinte-eleitor pagou tudo duas vezes: pela mudança catastrófica e pela estabilidade desastrosa. E continua pagando até hoje, indiretamente pela capital, diretamente pela "estabilidade" que elevou barbaramente preços e congelou cinicamente salários.

Agora, o ateniense FHC está de volta. Queria uma volta completa para o Planalto-Alvorada, não foi possível. Então se diverte, escolhendo e coordenando um candidato do PSDB para ser derrotado pelo presidente Lula. Até seria um direito incontestável dele, se fosse uma coordenação em termos altos. Mas FHC nem sabe o que é isso, é sempre leviano.

Aquele jantar em cumplicidade com o Jornal Nacional, uma das coisas mais vergonhosas. Um ex-presidente, às gargalhadas, olhando fixamente para as câmeras e dialogando com elas, é de uma tristeza lancinante. Desprezando o governador de São Paulo, rebaixando-o ao dizer rindo sorrateiramente: "Depois nós jantamos com o Alckmin. Hoje ele não pôde vir".

PS - Esse jantar deu o tom da campanha. E por isso o PSDB não consegue sair do lugar. O PT-PT, depois de todo o temporal, pelo menos tem um candidato único e indiscutível.

Gilberto Gil

Poucos governos podem ter o prazer e a honra de um ministro como esse. A inveja, o ciúme e o rancor aparecem.

Os jornalões fizeram questão de registrar, sem nenhuma exceção: "Gilberto Gil foi o único ministro que não teve lugar para dormir em Buckingham Palace". Deixaram o fato sem explicação, apenas dando a entender que houve preconceito. Por que insistem nesse hábito de desmoralizar os nossos maiores ídolos? Como cantor e compositor, Gilberto Gil está acima de comentários.

E mesmo como ministro da Cultura, Gilberto Gil é importante, dá ao cargo enorme repercussão. Quem se lembra de Weffort, que esteve ministro 8 anos?

Denunciado por um delegado, o ministro Palocci aparece destacado, nas Primeiras dos jornalões. Versão moderna da Mona Lisa, de bigode e cavanhaque.

Renan e os parlamentares estão cometendo equívoco enorme, conversando com Nelson Jobim. E dizendo textualmente: "Em matéria de verticalização, aceitaremos o que você decidir, não entraremos com recurso".

Em época normal, o presidente do Supremo não decidiria, o plenário é que daria a última palavra. Agora, com Jobim desmoralizado e vivendo os últimos dias de Pompéia, o que ele escreve não se lê.

O presidente Lula escreveu carta aberta a Ronaldo fenômeno, atacadíssimo por jornalistas, na Espanha e no Brasil. Mas o que o jogador está precisando mesmo é da dieta de Lula, com a qual perdeu 12 quilos. Ronaldo agradeceria.

Cristovam Buarque está empolgado com as pesquisas sobre sua candidatura à sucessão de Lula. Em nenhuma avaliação aparece com menos de 1 por cento.

Em nenhum estado, o quadro político-eleitoral está completo. Mas onde as dificuldades são maiores: no Estado do Rio. Ninguém se entende.

A confusão é de tal ordem, que o deputado Eduardo Cunha teve que dar entrevista paga à televisão. Como é reconhecido como porta-voz de Mateus, importante.

Só que o porta-voz desfigurou tudo, deliberadamente. Partiu da premissa falsa, que provocou gargalhadas: "Dona Rosinha ficará até o último dia". Queria dizer que ela não disputará nenhum cargo. Ha! Ha! Ha!

Pode acontecer tudo, menos ela ficar de fora. Disputa a reeeleição no cargo, ou sai para concorrer ao Senado. Ficar sem mandato? Nem como piada.

É preciso reformular a "tese" de que ex-mulher é para sempre. Pode ser que seja. Mas na verdade, duradouro mesmo é motorista. Em vários momentos, motoristas têm tido importância na nossa história. Estão sempre conduzindo miss Dayse, perdão, ministros e até presidentes da República.

Morgan Freeman ganhou um Oscar fazendo um desses motoristas. Palocci tem a impressão que Oscar é o nome do motorista que o conduzia a lugares perigosos.

Mercadante está em estado de completa perplexidade. Não sabe como é que foi cair tanto. Quando o PT tinha 6 candidatos ao governo de São Paulo, era fortíssimo. Agora como o PT-PT perde para todos, "companheiros" ou não.

Por que José Thomaz Nonô, vice-presidente da Câmara, não preside as sessões? Perguntaram a ele, não responde. Quem preside quase sempre: Inocencio de Oliveira. Já foi presidente eleito, substituiu todos depois dele.

João Paulo Cunha vibrou e festejou com a absolvição de quarta-feira. E não esconde: "Não serei cassado. Livraram Roberto Brant que recebeu mais de 150 mil, minha mulher apanhou apenas 50 mil".

Está equivocado. A desonestidade não tem hierarquia. Mesmo porque, a acusação mais forte contra o ex-presidente da Câmara tem valor bem mais alto. É de 20 milhões que ele "DEU" a Marcos Valério.

Desesperado por não ter nenhuma chance de coisa alguma, não se eleger nem mesmo deputado, Roberto Freire se lançou candidato a presidente. Já foi uma vez para manter o nome em visibilidade, depois foi feito senador.

Agora, para ganhar manchetes, chama Lula de "bestalhão". E não satisfeito diz: "Lula é um ladrão bonzinho". E terminando: "O governo Lula é uma fraude e um engodo". Pura baixaria, sem nenhuma repercussão.

Tasso Jereissati, suposto presidente do PSDB, em entrevista na quarta-feira: "O presidenciável do PSDB será escolhido e anunciado no domingo". Quer dizer, amanhã. Como ninguém leva Jereissati a sério, a escolha está longe.

Paulo Brossard: "Se o Congresso emenda a Constituição respeitando as regras para reformá-la, a emenda entra em vigor, tem que ser respeitada". Exatamente o que venho dizendo desde a inútil decisão do TSE.

Jornalões publicaram matérias sobre apoios de evangélicos a Serra. O "bispo" Macedo tem dito que seu partido evangélico não apóia Serra ou Mateus. O "bispo" fundou o partido para 2010, não quer se comprometer.

Uma coisa é irrefutável: o "bispo" entrou forte no "milharal eleitoral" de Anthony Mateus. Este teve 15 milhões de votos em 2002, agora não chega à metade.

Não precisamos de muito espaço para registrar a terrível frustração que o plenário da Câmara implantou no País inteiro.

E não apenas no País, mas enlameando a si mesmo. Duas absolvições, que falta de compostura. E pior será a impunidade bem visível.

O professor Luizinho nem tanto, embora merecesse a cassação. Mas espetáculo desmoralizante foi mesmo o do deputado Roberto Brant.

Virou herói nacional de si mesmo, festejou longamente, declarou: "Eu sabia que era inocente e que seria absolvido". A segunda parte nenhuma dúvida. Em relação à primeira, como sempre, "menas" verdade.

O professor Luizinho, no passado, jamais foi acusado de coisa alguma. Já Roberto Brant, presidente da Nossa Caixa de Minas, foi durante muito tempo manchete diária de jornalões.

Motivo? Acusação de irregularidades enormes. Jamais desmentidas ou contestadas, mas impunes, imunes e intocadas. Deve voltar. Que República.

XXX

Carlos Nascimento no SBT está entrando depois da meia-noite. Logicamente só dá traço, disputando com a graça do Jô oares.

E ainda precisam disputar com o Jornal da Globo, que à mesma hora repete tudo que já foi visto no Jornal Nacional.

E este, perseguido pelas novelas da Record, com o "bispo" Macedo atropelando duramente.

O "bispo" considera que para 2010 será um presidenciável fortíssimo, o que Anthony Mateus pretendeu em 2002 e 2006 e ficou longe.

XXX Bernardo Cabral recebeu mais títulos e homenagens em Manaus, depois passou o carnaval em Buenos Aires, que o corpo também não é de ferro.

XXX Extraordinária a festa pela eleição de Nelson Pereira dos Santos para a Academia. Recebendo na belíssima casa que foi de Austregésilo de Athayde. Gente de todos os setores.

Neville D' Almeida lembrava que naquela casa ele dirigiu "A dama do lotação", com Nelson como produtor.

Neville: "É até hoje a segunda maior bilheteria de filmes brasileiros".

XXX Nelson: "Foi a única vez que ganhei dinheiro com cinema".

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