Clipping - Internacional

03 de setembro de 2005

TRAGÉDIA NOS ESTADOS UNIDOS

 SUMÁRIO

KATRINA

Worker's World: O governo dos EUA é culpado de negligência

 

 

CAPITALISMO E BARBÁRIE

 * Negligência

 * Barbárie

 *Protejam as propriedades!

 *Falta de ajuda

 *Racismo

 

Nova Orleans pergunta onde está o grande exército dos Estados Unidos

 

The Independent

Cidade do Primeiro Mundo mergulha no Terceiro

 

CUBA

Mensagem solidária ao povo norte-americano

 

Cuba ofrece enviar 1 100 médicos  a zonas afectadas por Katrina

 

 Inexistência de ajuda

Michael Moore desafia Bush:"onde estão os helicópteros?"

 

 

 

 

 

 

 

KATRINA  

Worker's World: O governo dos EUA é culpado de negligência

 

O editorial do jornal americano Worker's World,(abaixo) condenando a política negligente da administração Bush em relação a desastres naturais como o furacão Katrina, que em três dias devastou o sul dos Estados Unidas. O desastre deixou milhares de pessoas desabrigadas, em sua grande parte as menos favorecidas pelo regime capitalista. Ainda é desconhecido o número de vítimas fatais da tragédia.

Quase todas as mortes, os ferimentos, os danos e a destruição causados pelo furacão Katrina são o resultado dos crimes da administração Bush

O presidente Bush foi criminosamente negligente ao desviar fundos, criados para proteger a população de Nova Orleans, para a guerra criminosa de conquista no Iraque. A administração Bush fez isso inteiramente consciente do risco iminente. A agência governamental responsável pelo trabalho de lidar com os desastres, a Agência Federal de Gerenciamento Emergencial, advertiu sobre uma potencial tragédia no início de 2001.

Além da completa evacuação de Nova Orleans, dezenas de milhares de pessoas ficaram sem acesso a comida, água e eletricidade, milhares de casas estão destruídas e o total de vítimas, até o momento (1.° de setembro), não para de crescer. Esse foi um desastre de proporções nunca vistas. Afetou profundamente a população negra, que é a maior parte da população na Louisiana, no Alabama e no Mississipi, e que está sofrendo de modo desproporcional, porque são sujeitos à discriminação racista — que os remeteu à condições miseráveis e, portanto, mais vulneráveis a esses desastres. Cerca de 70% dos moradores de Nova Orleans são negros e vivem em condições semelhantes ao antigo estado de Apartheid da África do Sul.

Alguns políticos estão chamando o desastre de "nosso tsunami". Da mesma forma, o tsunami de dezembro do ano passado também matou milhares de pessoas por causa de negligência. Mas um tsunami ocorre com raridade. Furacões passam pela região quase todo ano, várias vezes ao ano. O que parece como uma tragédia inevitável causada pela natureza foi apontado há bastante tempo por cientistas, engenheiros, agências governamentais, ambientalistas e especialistas em gerenciamento de desastres naturais.

Um jornalista de Ciência do Houston Chronicle escreveu no jornal em 1.° de dezembro de 2001:

"Nova Orleans está afundando. E seu melhor anteparo natural contra um furacão, o delta protetor do rio Mississipi, está em rápido processo de erosão, deixando a histórica cidade perigosamente próxima de um desastre.

É tão vulnerável que, no início desse ano a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências classificou o dano potencial a Nova Orleans como uma das três piores catástrofes que poderiam acontecer ao país". As outras duas eram um terremoto na cidade de São Francisco e um "ataque terrorista a Nova York".

O governo municipal, estadual e federal sabiam do perigo. Sabiam o que isso causaria e como enfrentariam isso. Mas eles fizeram pouco ou quase nada. Deixaram as pessoas da região do delta desprevenidas para enfrentar o desastre inevitável.

Por que não fizeram nada? Em 30 de agosto, um artigo da Editor & Publisher revelou que "US$250 milhões em projetos cruciais" planejados pelo Corpo de Engenheiros do Exército para o delta, para reformar as barragens e as estações de bombeamento d'água, não foram liberados. "O Corpo de Engenheiros nunca escondeu que as pressões a favor dos gastos da guerra no Iraque, assim como da segurança interna — ocorrendo ao mesmo tempo que os cortes das verbas federais — foram a razão da negativa em dispender com essas obras.

"A temporada de furacões de 2004 foi a pior em décadas. A despeito disso, o governo federal voltou atrás e fez as maiores reduções em verbas para controle de inundações e prevenção de furacões na história de Nova Orleans.

Um artigo do jornal "Houston Chronicle" de 2001 citou uma pesquisa realizada por um consórcio de agências governamentais realizado há alguns anos. Esse consórcio recomendou que fossem reservados de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões para as obras que poderiam retificar os problemas. Esse valor é menor que o de um mês de gastos na ocupação do Iraque, que custa cerca de US$ bilhões por mês, no mínimo! Certamente, parte dos acima de US$ 300 bilhões gastos anualmente na guerra poderiam ser usados em medidas preventivas.

Naturalmente, enquanto Bush é o culpado imediato, não podemos esquecer que o Partido Democrata, por outro lado, votou a favor da guerra e de cada tostão gasto nela. Sendo assim, os democratas também são criminalmente culpados pela devastação em Nova Orleans, pela guerra ilegal e ocupação.

Agora, que as autoridades capitalistas deixaram o desastre acontecer, Bush agiu como era de se esperar em relação ao desastre. Assim como fez durante o tsunami, levou alguns dias para largar suas férias e abandonar o seu sítio em Crawford.

O governo federal é a única autoridade capaz de mobilizar os recursos necessários para as missões de salvamento e reconstrução. Foi dito que um milhão de pessoas teriam sido evacuadas de Nova Orleans e das comunidades ao redor da cidade, isso antes do furacão. Na verdade, o governo não evacuou ninguém. As autoridades simplesmente declararam que era necessário evacuar o local e não deram nenhum auxílio às pessoas. Agora estão falando que "pelo menos cem mil pessoas" se recusaram a sair da cidade.

As pessoas não têm onde ficar. Muitos estão sem comida. Seus pertences pessoais se foram. Não existe auxílio médico. Escolas estão inacessíveis. Um número enorme de pessoas perdeu suas casas. A crise requer uma mobilização imediata de pessoal médico, assistentes sociais, especialistas em resgate e técnicos em barragens.

Comida, água e suprimentos médicos devem ser requisitados imediatamente de cadeias de supermercados, empresas farmacêuticas. Empresas como a cadeia de supermercados Wal-Mart e outras lojas gigantes de rede deveriam ser convocadas para enviar, gratuitamente, roupas e outros meios básicos de sobrevivência às pessoas afetadas. Suprimentos de comida que estão em depósitos do governo devem ser utilizados também para aplacar a fome dos desabrigados.

Todas as formas de transporte — aviões, helicópteros, ônibus, ambulâncias, pequenos barcos — devem ser mobilizados para a região. Essas e outras medidas deveriam ser implementadas imediatamente pelo governo federal, baseado em seus poderes e sua responsabilidade diante de situações emergenciais .

Em outras palavras, todos os recursos humanos e materiais que a nossa sociedade têm de sobra devem ser disponibilizados às vítimas da crise. As empresas têm controle de vários desses recursos e os trabalhadores que os criaram devem ter o direito de acessá-los.

Que o governo e os patrões paguem! Colocar as pessoas — as pessoas que sofrem com o desastre — acima dos lucros deve ser a ordem do dia! O direito à propriedade do sistema capitalista deve ser desprezado em benefício das massas.

As empresas petroleiras devem ser forçadas a gastar bilhões de dólares para a reconstrução, das fortunas que elas ganham anualmente bombeando petróleo por toda a área do Golfo do México. A Exxon Mobil refina 493 mil barris por dia em Baton Rouge, capital da Louisiana. A Chevron refina 325 mil por dia em Pascgoula, Mississipi. A Conoco Phillips é responsável por refinar 247 mil barris. Isso sem mencionar as outras dezenas de empresas. Toda essa riqueza é levada para fora da região, sem falar na fortuna gasta para conquistar o Iraque e seu petróleo. Indo um pouco mais além, essas empresas não deveriam apenas retornar os lucros que obtiveram aumentando os preços do combustível para níveis nunca visto antes, mas sim baixar o preço deles drasticamente.

Mobilizando as massas, sob a organização socialista e colocando as pessoas acima das propriedades  é como procede Cuba em relação aos projetos de reconstrução do país. As respostas devem ir muito além do que governo trata como "emergência nacional". Medidas devem ser criadas para favorecer a reconstrução, tais como garantia de emprego a todos os que vivem na área e garantia de reconstrução das propriedades perdidas com o desastre a todos. Ao mesmo tempo, a classe operária desse país deve encontrar uma forma de ir além das autoridades capitalistas e providenciar mais ajuda e assistência às pessoas atingidas pelo furacão no delta do Mississipi.

 

Worker's World, 1 de setembro de 2005

 

 

Cidadãos de Nova Orleans, no Superdome

 

 


 

Katrina: Capitalismo e barbárie

O furacão Katrina, uma das piores tempestades que atingiram o sul dos Estados Unidos em 100 anos, revelou a ineficiência e a incompetência do sistema econômico do país, principalmente da administração Bush, de prevenir e enfrentar situações catastróficas criadas pela natureza.

Quatro dias se passaram desde que os serviços meteorológicos advertiram o país da formação de um devastador furacão no oceano Atlântico, que atingiria os estados do Alabama, Louisiana e Mississipi. A meteorologia alertou o país que uma catástrofe era iminente ao revelar que os ventos gerados pelo furacão passavam, então, de 200km/h. Enquanto isso, o presidente George W. Bush descansava em seu sítio em Crawford, no Texas, às voltas com uma manifestação antibélica que tomava a atenção da mídia americana.

Os governos estaduais e municipais fizeram tímidas recomendações aos cidadãos para que procurassem abrigo ou deixassem as cidades que estavam no rumo do furacão. Embora enfraquecida ao chegar, a tempestade devastou as cidades e a economia da região. Milhares de pessoas, as mais ricas, puderam se retirar em seus automóveis e se proteger da tragédia. Lamentavam perder suas casas, cobertas por seguros caríssimos, que enriquecem as empresas seguradoras de todo o sul dos EUA. Gigantescos congestionamentos se formaram nas grandes estradas na última segunda-feira, quando cerca de 500 mil pessoas deixaram a região de Nova Orleans. Os outros 250 mil moradores da cidade, pobres em sua maioria, permaneceram em suas casas.

Negligência

Nova Orleans fica abaixo do nível do mar e é protegida por diques, à semelhança da Holanda, das águas do lago Pointchartrain e do rio Mississipi. O furacão devastou vários diques e as águas do lago e do rio tomaram a cidade. Milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas e buscar refúgio sob pontes, viadutos e mesmo ao ar livre, onde permanecem há 4 dias, sem comida, sem remédios e sem esperança de resgate. A eletricidade e o serviço telefônico foram interrompidos. Enquanto

Somente após a passagem do Katrina é que a Guarda Nacional foi chamada a agir. Essa corporação, formada por civis que recebem treinamento militar, foi criada para manter a ordem em situações graves, como rebeliões e mesmo desastres naturais. Deveria servir também como Defesa Civil. Mas a administração Bush lançou mão de parte dos efetivos da Guarda Nacional para lançá-la em ações de combate no Iraque. Cerca de um terço dos efetivos humanos das Guardas dos estados atingidos pelo furacão estão no Iraque. Mais da metade do equipamento, entre veículos, aeronaves e máquinas — como geradores de eletricidade — estão deslocados no país árabe. A maior ação civil que a Guarda Nacional efetuou nos últimos anos foi a repressão à rebelião de Los Angeles, em abril de 1992, quando um veredicto absolveu policiais brancos que haviam espancado o Rodney King, taxista negro, fazendo que milhares de pessoas fossem às ruas protestar violentamente contra a decisão.

A política neoliberal de Bush também contribuiu para piorar ainda mais o drama humano. A administração atual desviou verbas destinadas à agência que é responsável por prevenção e controle de desastres naturais, a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências. As verbas foram destinadas à guerra de conquista no Iraque e a agência lamentou, publicamente, não ter recursos suficientes para coordenar o serviço de prevenção do desastre natural que arrasou o sul dos Estados Unidos.

Barbárie

Diante da aboluta falta de assistência pelo Estado, a violência irrompeu entre as pessoas abandonados no caos. Sem comida, sem remédios e sem a repressão policial, bandos de saqueadores tomaram conta das ruas. Os supermercados foram as primeiras vítimas, junto com mercearias. A grande mídia fez questão de exibir imagens de negros roubando caixas de cervejas, tentando incutir nas pessoas que os saques eram feitos por bandidos comuns. A repressão aos saques conduziu a ações violentas e os policiais, que deveriam estar ajudando a população a se abrigar ou deixar a região, se trancaram nas suas próprias delegacias com medo da barbárie.

Enquanto milhares de pessoas se protegem sob pontes e viadutos, outros se aventuram por ruas inundadas e cheias de destroços, caminhando na direção do estádio de futebol americano Superdome, onde esperam conseguir lugar em um ônibus que os leve até uma região segura. Essas pessoas tropeçam em cadáveres que apodrecem intocados há cinco dias. As autoridades dizem que pode haver milhares de mortos.

O Superdome, que abrigou mais de 20 mil pessoas, foi palco de cenas dantescas. Sem banheiros funcionando, pois a água acabou e o sistema de esgoto entupiu, as pessoas usavam salas comuns para urinar e defecar. Ontem uma criança dormia calmamente em meio à uma poça de urina, enquanto as pessoas deixavam o estádio. Há marcas de sangue nas paredes. Centenas de pessoas denunciaram que, ao cair da noite, aconteciam estupros, inclusive de crianças. Os que reagiram foram mortos a tiros.

Protejam as propriedades!

A governadora Kathleen Blanco do estado da Louisiana, que antes se disse "simplesmente furiosa com a anarquia" em Nova Orleans, afirmou que os soldados terão autorização de disparar para matar. "Essas tropas já foram testadas em batalhas. Elas têm fuzis M-16 e estão engatilhados", disse Blanco. "Estas tropas sabem como atirar e matar, e espero que o façam." A ordem veio após o início dos saque e danos às propriedades. A revolta entre as autoridades locais irrompeu quando elas souberam que as propriedades estavam sendo violadas. A coisa mais sagrada do capitalismo, a propriedade, é mais importante que a vida de 200 mil pessoas.

Após cinco dias de horror, milhares de desabrigados foram retirados do Superdome. Aliviadas por deixar o local, palco de violência armada e de estupros, as pessoas formavam grandes filas sob um forte calor, para conseguir um lugar num dos poucos helicópteros ou ônibus que deveriam levá-las a um abrigo numa cidade vizinha. Muitos demonstravam horror ante um corpo flutuando na praça ainda inundada, perto da arena.

A vista da cidade, a partir do estádio, parece mais com uma zona de guerra, com nuvens de cinza e de fumaça que se elevam de incêndios ainda não controlados. "É uma loucura", declarou Dewayne Tate, 29 anos, lembrando-se da violência e das mortes no interior do Superdome. "As maiores vítimas são crianças" acrescentou. Após 14 horas de espera, uma mulher soluçava, após a suspensão temporária do processo de retirada.

Helicópteros equipados com holofotes sobrevoam a cidade durante a noite, enquanto unidades da Guarda Nacional se posicionam em locais estratégicos. Várias equipes de policiais especializados em situações de emergência foram vistas em veículos blindados e cerca de 300 soldados recém-chegados do Iraque foram deslocados para Nova Orleans com autorização para atirar nos saqueadores e provocadores.

Falta de ajuda

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, perdeu a paciência em uma entrevista de rádio e se disse irritado com a falta de ajuda para a cidade histórica.

"Preciso de reforços. Preciso de tropas, cara. Preciso de 500 ônibus. Agora mexam a bunda e consertem isso. Vamos fazer alguma coisa e resolver a maior maldita crise na história deste país", disse.

"Autorizamos 8 bilhões de dólares para irmos ao Iraque, num piscar de olhos. Depois do 11 de Setembro, demos ao presidente poderes excepcionais, num piscar de olhos, para ajudar Nova York e outros lugares. Você quer me dizer que, num lugar do qual vem a maior parte do nosso petróleo, não podemos descobrir uma forma de autorizar os recursos dos quais precisamos?"

Racismo

O reverendo Jesse Jackson criticou o presidente Bush, afirmando que os negros foram esquecidos pelos trabalhos de resgate após a passagem do furacão.

"Cerca de 120 mil pessoas ganham menos de 8 mil dólares por ano em Nova Orleans. São pessoas pobres, negras", disse Jackson, explicando que muitas delas não tinham condições financeiras para deixar suas casas antes do furacão e ficaram presas após a passagem do Katrina.

Jackson criticou Bush por fazer hoje uma visita "cerimonial" às áreas devastadas. Também censurou o papel concedido por Bush a seu pai — o ex-presidente George Bush — e a Bill Clinton como coordenadores dos esforços de arrecadação de doações para as vítimas do Katrina.

"Por que não há nesse círculo nenhum negro? (...) Como podem os negros serem excluídos da liderança e presos no sofrimento?", questionou Jackson, indignado.

 

 


 Nova Orleans pergunta onde está o grande exército dos Estados Unidos

MADRI (PL).— «Onde é que está o grande Exército americano que teria podido vir evacuar as pessoas e atendê-las?», pergunta Nova Orleans, denunciou, em 2 de setembro, a deputada espanhola Lourdes Muñoz de Santamaría, vítima do ciclone Katrina.

A parlamentar ficou confinada em Nova Orleans, junto do seu esposo e do filho de dez anos, quando curtia suas férias de verão. Denunciou a falta de atenção total por parte do Governo dos Estados Unidos aos refugiados, no Centro de Convenções dessa capital.

«Como não existe atenção por parte do Governo tampouco há controle no Centro e as pessoas refugiadas lá perguntam onde está o Grande Exército americano que poderia ter vindo evacuar as pessoas ou atendê-las», disse numa comunicação telefônica com a Chancelaria madrilense.

Graças a um telefone público de uma cabine no hotel Monteleone, que funciona casualmente, a deputada conseguiu ligar para o Consulado espanhol e falar depois com o ministro do Exterior em Madri, Miguel Angel Moratinos, a quem transmitiu a denúncia.

Relatou que no Centro de Convenções há duas ou três pessoas falecidas e que ninguém foi recolher os cadáveres, apesar de todas as diligências feitas nesse sentido. Convertida em porta-voz do grupo, a mulher alertou que «ou nos vêm buscar ou não sei se conseguiremos sair daqui».

Moratinos declarou que o governo espanhol está fazendo todos os esforços e mantém contato permanente com as autoridades estadunidenses para que a evacuação possa ser realizada o mais rapidamente possível.

No hotel Monteleone, no centro da cidade, há mais um casal, com um filho de 18 anos, à espera de serem evacuados, sendo os primeiros a contatarem com as autoridades consulares espanholas, disse a Chancelaria.

Indicaram que na instalação não há luz nem água, os alimentos são escassos e os poucos que restam alguns trabalhadores do hotel os estão levando para seus familiares. A deputada diz que a situação é angustiante e desesperada para os 10 mil refugiados no Centro de Convenções.

«A Polícia passa pela frente, e o Exército, de vez em quando, com algum caminhão, mas não existe organização, não temos água corrente, não conseguimos beber nem comer e algumas pessoas estão começando a se desidratar», garantiu Lourdes Muñoz.

Manifestou que «tudo é uma desordem total, um caos, a selva» e que as pessoas estão amontoadas no chão, em meio do lixo. «A imagem é a de um país do Terceiro Mundo», sublinhou a deputada do PSC.

Após destacar que a Embaixada espanhola em Washington comunicou à Secretária de Estado estadunidenses onde está o pessoal espanhol, e que se reuniram várias vezes, ratificou que «o Governo estadunidense não quer vir a nossa procura».

Cinco ônibus chegaram, quinta-feira, à noite, ao Centro de Convenções para começar a transferir as pessoas, assegurando-se que «não deixariam de vir ônibus cada 20 minutos», uma coisa que não aconteceu mais.

O Centro de Convenções converteu-se em uma floresta, onde impera a lei do mais forte. Nessa situação, advertiu, as pessoas desesperadas planejaram seqüestrar os ônibus que passassem por perto.

«Cá, as pessoas estão começando a duvidar do seu Governo», afirmou Muñoz Santamaría.

  

 


 The Independent

Cidade do Primeiro Mundo mergulha no Terceiro 

Por Mary Dejevsky*

Existe algo de primitivo e poderoso nas tempestades e enchentes, uma qualidade à qual fogo, pestilência e pragas não conseguem se equiparar.

As notícias que chegam de Nova Orleans soam como profecias do apocalipse. Cadáveres bóiam numa área que antes era o agitado e pitoresco centro da cidade; féretros se elevam do chão; jacarés, tubarões e cobras percorrem as águas contaminadas; e os desesperados sobreviventes humanos, segurando machadinhas nas mãos, agarram-se aos telhados das casas, implorando para serem resgatados.

Em todo o Sul dos Estados Unidos, o que mais chama a atenção nas regiões pantanosas não é o espírito de desafio que levou as pessoas a erguer cidades em regiões tão inclementes, mas a proximidade do mundo natural e o caráter primitivo da paisagem, repleta de aves e animais exóticos e envolta em vegetação luxuriante. Agora, após a passagem do furacão Katrina, a natureza reconquistou o espaço que era seu. Por quanto tempo, não se sabe.

Em meio a toda a devastação, o que estamos testemunhando não é apenas uma catástrofe humana, mas também o fenômeno extraordinário de uma grande cidade do Primeiro Mundo mergulhando no Terceiro.

O lago Pontchartrain, cujas águas hoje recobrem Nova Orleans, foi transformado numa imensa fossa negra. A maior parte dos veículos motorizados foi inutilizada. Não há serviços públicos funcionando: não há eletricidade, gás, água potável ou sistema de esgotos. Durante o dia, a temperatura está acima de 30C. Os telefones estão mudos. Os geradores de emergência estão ficando sem combustível. Os estoques de comida e de água estão acabando.

Sob tais circunstâncias, a pergunta pertinente é até que ponto um país tão rico e avançado quanto os EUA consegue fazer frente a um desastre natural desta escala. A resposta é mista.

Levando em conta que a maior parte de Nova Orleans fica abaixo do nível do mar, é difícil acreditar que não houvesse plano de contingência para o caso de uma inundação total. O fato de quatro quintos da população ter obedecido à ordem de deixar a cidade antes da chegada do furacão é algo impressionante.

Mas existe outra coisa que vem emergindo das imagens de Nova Orleans difundidas pela mídia. Os que permaneceram na cidade foram em sua maioria seus habitantes negros e hispânicos -ou seja, seus pobres.

As situações extremas costumam trazer à tona o que um país tem de melhor e também de pior. O "dia seguinte" do furacão foi marcado por heróicos esforços de salvamento, um alto grau de disciplina cívica e a determinação dos americanos em sobreviver e recomeçar suas vidas outra vez. Mas também demonstrou, mais uma vez, a profundidade da desigualdade que reina nas cidades americanas.

Se a mesma vontade política que deve ser aplicada na reconstrução de Nova Orleans for voltada à promoção da justiça social, a nova Nova Orleans poderá ser um lugar diferente e melhor.

* Do The Independent

 

 


Mensagem solidária ao povo norte-americano

• Texto da Declaração aprovada pelos deputados da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) de Cuba

O povo de Cuba vem acompanhando com preocupação as notícias relativas aos efeitos do furacão Katrina nos territórios da Louisiana, Mississipi e Alabama. Informações ainda incompletas permitem compreender que se trata de uma verdadeira tragédia, de dimensões extraordinárias.

Em termos da destruição física e danos materiais, é considerado o desastre natural mais custoso da história americana. A Cruz Vermelha norte-americana estima que seu trabalho será mais árduo que o que teve que acometer quando da atroz sabotagem no World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.

Milhares de pessoas estão isoladas em zonas alagadas, perderam suas casas, estão deslocadas ou refugiadas. A governadora da Louisiana declarou que a situação em Nova Orleans é desesperada pois o nível da água continua subindo. O prefeito dessa cidade declarou que centenas e talvez milhares de pessoas morreram lá.

Esse desastre, com sua enorme carga de morte e sofrimento, abate-se sobre a população desses estados, mas açoita com maior força os afro-americanos, os trabalhadores latinos e os norte-americanos pobres, os quais fazem parte dessa grande massa dos que esperam ser resgatados e levados a lugares seguros, e neles se concentra o maior número de vítimas fatais e de pessoas que ficaram sem lar.

Estas notícias provocam dor e tristeza nos cubanos. Em seu nome queremos expressar nossa profunda solidariedade ao povo dos Estados Unidos, às autoridades estaduais e locais e às vítimas dessa catástrofe. O mundo todo deve sentir esta tragédia como própria.

Assembléia Nacional do Poder Popular da República de Cuba

Havana, 1º de setembro de 2005

 


Inexistência de ajuda

Michael Moore desafia Bush:

"onde estão os helicópteros?"

O cineasta Michael Moore enviou ontem uma carta ao presidente George W. Bush, na qual pergunta "onde estão os helicópteros quando milhares de pessoas precisam ser evacuadas de Nova Orleans". "Onde diabos podem estar todos os nossos helicópteros militares?", escreveu Moore, diretor de documentários que criticam o governo republicano e a estrutura de poder dos EUA, como "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 9/11".

E completou: "Estimado senhor Bush. O senhor tem alguma idéia de onde estão nossos soldados da Guarda Nacional? Porque realmente poderíamos usá-los agora na tarefa para a qual eles se alistaram, como a ajuda em desastres nacionais. Como é que não estão ali?".

Segundo o Pentágono, os Estados Unidos têm neste momento 205 mil soldados em serviço no mar, dos quais 75 mil são membros da Guarda Nacional dos EUA. Desses, 70 mil prestam serviço no Iraque. Segundo Moore, o presidente Bush "mantém sua cara-de-pau". "Depois de tudo, não é sua culpa que 30% de Nova Orleans viva na pobreza, que dezenas de milhares de pessoas não tiveram transporte para sair da cidade", escreveu Moore.

"Vamos, 'são negros!', você quer dizer. Não é como se tivesse acontecido em Kennebunkport...", completou Moore em referência ao lugar onde a família Bush tem residência de verão no estado do Maine. "Você pode se manter firme, senhor Bush. Basta encontrar alguns helicópteros do Exército para enviá-los à Louisiana. Faça de conta que Nova Orleans e a costa do Golfo (do México) estão em Tikrit (no Iraque)".

Com agências internacionais.

 

 


Cuba ofrece enviar 1 100 médicos  a zonas afectadas por Katrina

 

Estarían equipados con 26,4 toneladas de medicinas y equipos médicos, informó Fidel en Mesa Redonda este viernes

Marina Menéndez, Dora Pérez, Luis Luque, Luis Hernández Serrano, Amaury E. Valle y Ricardo Ronquillo

Entre la madrugada de este sábado y el domingo, Cuba está dispuesta a enviar a territorio norteamericano un total de   1 100 médicos especialistas en Medicina General Integral, con un equipamiento en medicinas y recursos de diagnóstico equivalentes a 26,4 toneladas, para prestar asistencia a las personas más urgidas de atención tras el paso del devastador huracán Katrina.

Así lo informó el Comandante en Jefe Fidel Castro Ruz, durante su intervención en Mesa Redonda Informativa, este viernes.

Según Fidel, nuestro pais está listo para enviar en horas de la madrugada 100 médicos especialistas en MGI, cada uno con una mochila con 24 kilogramos de medicamentos para salvar vidas e instrumentos minimos de diagnóstico, que estarían al amanecer en el aeropuerto internacional de Houston, Texas, el más cercano a la región de la tragedia, para ser transportados por vía aérea, fluvial o terrestre a los puntos aislados de refugio, instalaciones y barrios de Nueva Orléans donde se encuentren familias requeridas de atención médica urgente o primeros auxilios.

Nuestros galenos, precisó el Comandante en Jefe, podrán actuar aislados o en grupos de dos o más personas, según las circunstancias, por el tiempo que sea necesario.

De igual forma, a los primeros 100, Cuba le sumaría otro contingente de 500 especialistas igualmente equipados, que estarían en su punto de destino al mediodia o la tarde del sábado, mientras que un tercer grupo de 500 podría ser enviado y arribaría a EE.UU. en la mañana del domingo 4 de septiembre.

Fidel apuntó que muchas personas estaban extrañadas de que “Cuba no haya ofrecido apoyo”, al no haber sido mencionada en la lista leída por el Departamento de Estado, aunque tal vez fuimos el primer país en ofrecer nuestra mano solidaria a los afectados.

Recordó que en otros momentos de la historia, incluso cuando un violento sismo sembró la catástrofe en Nicaragua, en tiempos del dictador Somoza, Cuba llegó a las zonas afectadas con médicos y hospitales de campaña.

De hecho, citó la realidad de que 2,5 millones de personas están siendo atendidas por nuestros médicos en Honduras, pues la ética de nuestro país es no retirar ninguna fuerza médica, aun si surgiera algún conflicto diplomático.

Queremos reiterar nuestra voluntad de cooperar con el pueblo de EE.UU., con mucha más razón despues de lo que hemos visto, dijo Fidel, en referencia a la agudización de la crisis sanitaria y de la tragedia general que se cierne sobre Nueva Orléans.

 nacional@jrebelde.cip.cu

 

 


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