Clipping - Internacional

 Editor: Valter Xéu

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08 de setembro de 2005

 Tragédia nos EUA V

New Orleans recebe 25.000 sacos de corpos

Baton Rouge, EUA - Vinte e cinco mil sacos para acondicionar cadáveres foram enviados para New Orleans, disse nesta quarta-feira um encarregado dos serviços de saúde do Estado da Luisiana. "Pelo que sei, a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) mandou 25.000 sacos de corpos", disse Bob Johanssen, encarregado dos serviços hospitalares e de saúde da Luisiana.

 


 

Vítimas que perderam tudo em furacão terão US$ 2.000 cada

Washington - Vítimas arruinadas pelo furacão Katrina receberão cartões de débito com fundos de US$ 2.000 para comprar roupas e outros artigos de primeira necessidade, informa o governo dos Estados Unidos, numa tentativa de melhorar a percepção de um esforço de resgate e recuperação que vem atraindo poucos elogios e muitas críticas.

O presidente George W. Bush é "desatento, iludido e perigoso" em relação ao sofrimento das vítimas da tempestade, disse a líder do Partido Democrata na Câmara Federal, Nancy Pelosi. O líder da oposição no Senado, Harry Reid, perguntou se, ao permanecer em seu rancho no Texas enquanto o furacão se aproximava da Costa, o presidente Bush não teria inibido o envio de ajuda à região.

Na Casa Branca, o porta-voz Scott McClellan defendeu Bush dos ataques da oposição, mas reconheceu que "há problemas no local, e estamos trabalhando para tratar dessas questões".

Michael Brown, diretor da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), cuja demissão já foi requisitada por diversos políticos e em editoriais de vários jornais, disse que os flagelados que receberão os cartões - uma medida inédita - poderão usar o dinheiro para "suprimentos de emergência".

 


 

Contaminação da água provoca cinco mortes  

NOVA ORLEANS (EUA)- Pelo menos cinco pessoas morreram devido a infecções bacterianas provocadas pela contaminação da água após a passagem do furacão Katrina, informaram, nesta quarta-feira, os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças nos EUA.

Segundo o porta-voz dos Centros, Tom Skinner, um dos casos foi detectado no Texas e "três ou quatro no Mississippi, confirmados pelas autoridades sanitárias locais".

Os primeiros indícios, acrescentou Skinner, apontam para uma infecção pela bactéria "Vibrio Vulnificus", que se encontra na água suja e que pertence à família do germe que causa o cólera.

EFE

 


 

Bush pedirá outros US$ 50 bilhões

para ajudar desabrigados

WASHINGTON- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, solicitará, nesta quarta-feira, ao Congresso, verbas adicionais no valor de cerca de US$ 50 bilhões para ajudar os desabrigados pelo furacão Katrina, segundo fontes legislativas.

Bush está promovendo atividades para fortalecer a assistência aos desabrigados, em reação à onda de críticas pela lenta resposta do Governo na ajuda às vítimas da tragédia.

Ontem, ele anunciou também que coordenará pessoalmente uma investigação para determinar as causas da lenta resposta ou os possíveis erros cometidos nesse trabalho.

O Congresso americano tinha aprovado US$ 10,5 bilhões em ajuda de emergência na semana passada. Após uma reunião com líderes do Legislativo, o líder da minoria democrata do Senado, Harry Reid, informou que Bush planeja pedir ao Congresso fundos adicionais no valor de US$ 50 bilhões de dólares, algo que acontecerá hoje.

Segundo Reid, serão necessários pelo menos US$ 150 bilhões para os esforços de assistência em Nova Orleans e nas redondezas, inundada há dez dias devido à passagem do Katrina.

EFE

 


Fausto Wolff: Ivan & Katrina

Qualquer coisa fora do normal pode ter conseqüências boas, ruins ou conseqüência alguma. O homem que busca a verdade deve-se fazer algumas perguntas. Por que aconteceu e por que teve esta conseqüência e não aquela? Uma boa oportunidade para desenvolvermos o método dedutivo sem deixarmos de lado a indução é o furacão Katrina, que praticamente acabou com Nova Orleans, uma das duas boas razões que eu tinha para viajar eventualmente aos Estados Unidos. A outra era Nova York.

O motivo do fenômeno a ciência deve saber, pois foi anunciado com muita antecedência. Eis as perguntas cabíveis: por que a totalidade da população não foi trasladada para terreno seguro em tempo hábil? Por que o presidente Bush ficou jogando golfe e só resolveu dar uma olhada no espetáculo neresco no quinto dia, dando a ele a atenção que daria a um imbecil que lhe pedisse um autógrafo?

Parte da população tinha condições de se salvar com toda a calma, ou seja, a classe média e a rica. Mas os pobres, ou seja, os negros (Nova Orleans tem maioria de moradores negros e por isso conseguiu manter sua cultura franco-crioula), que não morreram junto aos seus casebres estão doentes e famintos à espera de socorro. Os dados oficiais, que são sempre inevitavelmente mentirosos, falam em 10 mil mortos. Ponham aí 20 mil, mais o dobro, vítima todo o tipo de doença que vem com a falta de eletricidade, água, higiene, comida e excesso de pulgas, ratos, baratas, rios de urina, sangue e excrementos etc e chegaremos a cem mil pessoas num futuro próximo.

Super-furacões, como bombas atômicas, deixam seqüelas. Nova Orleans tem 500 mil habitantes. Por que a situação chegou a tal ponto? Porque era isso mesmo que se esperava. Filho do capitalismo selvagem e do nazismo impiedoso, o neoliberalismo fatura, cresce e se impõe graças à desgraça dos mais fracos. Isso vai de uma simples demissão de um pai de família até a invasão de um país com suas conseqüências. Um homem que vê uma cidade salvável ser destruída pode muito bem ter tido conhecimento antecipado do ataque às Torres Gêmeas.

Para ter certeza de que o pior iria ocorrer, Bush mandou metade da Guarda Nacional (que age quando ocorrem flagelos), com todo o seu equipamento, para o Iraque. Pensem o que faturarão as imobiliárias nos terrenos onde antes moravam negros pobres e mortos? Quanto faturarão as empresas de engenharia eletrônica, os laboratórios com novas vacinas, a indústria da construção civil? Quanto faturarão comerciantes, industriais, políticos, a indústria cinematográfica, a mídia em geral? Deus tornou-se sócio do mercado e vivemos um momento na História em que ninguém está seguro, pois só o dinheiro é sagrado.

Menos de um ano atrás, o furacão Ivan, grau cinco (o mesmo grau do que atacou NO), golpeou Cuba com ventos de 250 quilômetros por hora. Destruiu 20 mil casas mas ninguém morreu. Qual o segredo? Toda a população estava (está) imbuída do sentimento de defesa civil. Todos sabiam para que abrigos deviam ir e levavam consigo animais de estimação, gado, utensílios elétricos e até móveis. Cada grupo de 50 era seguido de um médico de família, que sabe de antemão quem precisa de insulina ou de qualquer tipo de remédio para doença rara.

A idéia de colocar gente num grande estádio de futebol, como ocorreu nos Estados Unidos, é simplesmente impensável. Cuba (é isso mesmo, aquele país que não pode receber remédios por causa de um embargo imposto pelos Estados Unidos) é considerado um modelo para o enfrentamento de furacões e isso porque lá o governo não usa desgraças que atingem o povo para enriquecer ainda mais os que já estão ricos.

No inferno, onde estão agrupadas as vítimas da tragédia, já começaram os assassinatos e os roubos e fala-se até em canibalismo. Em Cuba não foi registrado um só caso de violência e, portanto, não houve nem necessidade de se impor um toque de recolher. No dia seguinte ao furacão, a vida continuou normalmente. Anteontem, um ano depois da visita de Ivan, a Assembléia Nacional de Cuba mandou mensagem de solidariedade às vítimas de Nova Orleans e ofereceu experts para ajudar na evacuação. Bush não se deu ao trabalho de responder. Perguntaram a Fidel por que o furacão não fora uma tragédia. E ele:

- Estávamos preparados para ele como estamos preparados para uma invasão americana há 45 anos.

 


 

Novos furacões podem atingir os EUA este mês

Washington - O furacão Katrina já é a pior catástrofe natural nos EUA, mas não deve ser a última, já que a fase mais perigosa da temporada de furacões só está começando, com prognósticos de tempestades mais fortes nas regiões mais povoadas do país. Segundo as previsões, há 75% de probabilidade de que outro furacão atinja os EUA ainda este mês. Os furacões Nate e Maria estão em alto-mar, a leste dos EUA. (JB)

 


 

Sair de Nova Orleans agora é ordem

Prefeitura começa retirada obrigatória de 10 mil moradores que permanecem na cidade inundada. Idosos são os mais sensíveis

NOVA ORLEANS - Com a inundação retrocedendo a cada instante em Nova Orleans, agora que as bombas de drenagem voltaram a funcionar, o prefeito Ray Nagin ordenou que as forças de segurança e o Exército americano retirem à força os estimados 10 mil habitantes remanescentes na cidade. Segundo Nagin, a medida é pela segurança dos moradores, pois a fétida água nas ruas pode espalhar sérias doenças e há risco de mais explosões e incêndio, devido à presença de gás natural. Mas até a noite, ninguém havia sido retirado de casa. Munidos de paciência, os policiais tentavam convencer as vítimas do furacão Katrina.

- Milhares de pessoas vão sair voluntariamente. Mas quando a boa vontade acabar, vamos nos concentrar na retirada obrigatória - afirmou o chefe da polícia, Eddie Compass.

Um dos moradores convencidos a deixar a área de risco foi Anthony Charbonnet, de 86 anos e aparência frágil. Quando os policiais chegaram, ele trancou a porta da frente da casa onde vivia desde 1955.

- Nunca saí daqui durante toda a minha vida. Não quero sair - dizia, balançando a cabeça negativamente.

Charbonnet só concordou em participar da retirada quando um vizinho lhe garantiu:

- As coisas ficarão bem. Será como férias.

Ainda protestando, o idoso caminhou até a ambulância na qual soldados o levaram para o helicóptero.

Dolores Devron e seu marido, Forcell, seguiram a ordem de Nagin, levando rádio portátil e até o cachorro. Mas estavam furiosos:

- Há bebês mortos amarrados em postes enquanto estão nos arrastando daqui. Vocês estão deixando os bebês para trás. Isso não é certo - gritava Dolores, ao subir no caminhão do Exército.

Picola Brown, de 47 anos, descia vagarosamente a rua, em encontro aos soldados. Ela explicou que não havia obedecido à ordem de evacuação antes porque está com o dedo do pé quebrado.

- O prefeito disse que todos temos que ir embora, e eu vou. Só não quero estes homens batendo à minha porta - disse.

- Para onde você quer ir? - perguntou um recruta.

- Para onde for mais confortável - respondeu Picola.

Martha Smith-Aguillard denunciou que foi levada contra a vontade para um ponto de evacuação, perto do abandonado Centro de Convenções. Durante todo o tempo, ela dizia que estava com um corte no pé e que precisava de uma injeção de antitetânica. Mesmo assim, recusou-se a embarcar no helicóptero do governo.

- Nunca estive em um avião na minha vida. Tenho 72 anos e não vou começar com isso agora - dizia. - Acho que vou ter que morrer, então. Todos vamos morrer e se é chegada a hora da minha partida, que seja aqui em Nova Orleans.

Já a sobrevivente Patricia Kelly resolveu permanecer sentada na frente de uma barbearia abandonada, devastada pela inundação na Ninth Ward. Sua casa está cheia de água e para lá ela não pode voltar. Mas também não quer abandonar a vizinhança:

- Vou ficar enquanto Deus permitir. Se a polícia vier com um mandado judicial, então eu saio. Espero que não chegue ao ponto de ser obrigada.

Em pé em uma esquina, o sargento Joseph Boarman contou que entende a relutância dos moradores em abandonar suas casas:

- Sabemos que é muito difícil deixar o lar, não importa em que condição ele esteja.

E à medida que o tempo passa, a enormidade do desastre fica mais visível. A deputada de Louisiana Nita Hutter revelou ontem que 30 pessoas morreram em um asilo inundado em Chalmette, nos arredores da cidade. Segundo a política, os empregados deixaram os residentes mais idosos nas camas. Outras 100 pessoas morreram em uma plataforma de um depósito, enquanto esperavam um barco de resgate, contou o deputado Charlie Melancon, cujo distrito congressional inclui Chalmette.

Além da devastação causada pelo Katrina, os americanos estão furiosos também com a resposta do governo do presidente George Bush à crise humanitária. Segundo uma pesquisa Gallup/CNN/USA Today divulgada ontem, 42% da população reprovam a gestão de Bush, enquanto 35% apóiam. Duas pessoas em cada 10 (21%) não consideram a gestão de crise nem boa nem ruim.

Interrogados sobre quem é o principal responsável pelos problemas oriundos do furacão em Louisiana, 38% responderam que ''ninguém é culpado''. Outros 25% dos entrevistas acham que a culpa foi das autoridades locais, e 18% acreditam que foram os organismos federais. Bush aparece em terceiro lugar, sendo apontado como culpado por 13% das pessoas.

Outro dado relevante é que 65% não acredita que Nova Orleans vá se recuperar da tragédia. (JB)

 


 

Deslocados pelo furacão Katrina são 235.000

Washington - Pelo menos 235.000 pessoas retiradas de zonas devastadas pelo furacão Katrina nos Estados Unidos permanecem refugiadas em abrigos espalhados por 18 Estados, dez dias após a catástrofe, informou nesta quarta-feira a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA).

"Esta manhã, às 6h (7h de Brasília), havia 235.000 pessoas abrigadas em refúgios", informou um responsável da FEMA, que pediu para não ser identificado. O Estado que recebeu o maior número de desabrigados foi o Texas, aonde chegaram 124.498 pessoas, grande parte proveniente de Louisiana.

Muitos resistem a abandonar as zonas de desastre. Em New Orleans, uma das cidades mais castigadas pelo furacão, entre 10.000 e 15.000 pessoas ignoraram os apelos das autoridades para deixar a região, informaram fontes militares. Anteriormente, as autoridades locais disseram que não restavam mais do que 10.000 moradores em Nova Orleans.

 


 

Questionam possível racismo em evacuação e resgate pelo Katrina
• Conseguem reparar o dique principal de contenção • Começa recolha de cadáveres • Socorristas advertem acerca da presença de muitos crocodilos na água

WASHINGTON.— O furacão Katrina excitou os líderes da comunidade negra dos EUA que exigem respostas perante o aparente racismo nas operações de evacuação e resgate de milhares de danificados, a maioria pobres e de raça negra, informou a agência Efe.


Cadáveres flutuando continuam aparecendo, na medida em que desce o nível da água na cidade

No oitavo dia de um dos piores desastres naturais dos Estados Unidos, líderes de organizações cívicas e do Congresso continuam expressando indignação pela resposta demorada do governo federal para ajudar os mais desprotegidos.

A solidariedade, que tem sido desbordante, concorre com a ira que sentem muitos pela aparente passividade do governo, nos primerios dias.

A princiapl queixa é que os ricos, em sua maioria brancos, puderam fugir a tempo da destruição, por rodovia ou por avião, enquanto para os pobres não houve um plano de evacuação viável.

Katrina deixou a un as desigualdades econômicas e sociais que persistem neste país.

O presidente da Associação Nacional para o Avanço da Gente de Cor (NAACP), Bruce Gordon, pediu, terça-feira 6 de setembro que o Congresso estabeleça um fundo para as vítimas do Katrina, mesmo como fez com as vítimas dos atentados de 2001.

Entretanto, grupos como o International Action Center, a coligação ANSWER e o American Progress Action Fund coincidem em que a ajuda chegou tarde demais para os milhares de pessoas na Louisiana, Mississippi e Alabama que se prevê morreram por causa do Katrina.

ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS

Em Nova Orleans, depois que se conseguiu reparar o dique principal de contenção avariado, os engenheiros esforçavam-se por bombear as águas que alagam a cidade, informa a AP.

O prefeito Ray Nagin asseverou que a situação começava a mostrar um progresso considerável, porém advertiu que será achado um bom número de cadáveres. «Isso vai ser espantoso e vai dar um novo abalo ao país», declarou.

As autoridades começaram na segunda-feira as operações para recolher o que poderia ser milhares de corpos que ficaram presos nas águas, nas ruas e nas casas, divulga a AFP.

Um porta-voz da Agência Federal para a Administração de Emergências (FEMA), disse na segunda-feira que os barcos dos grupos de resgate que patrulham as zonas das enchentes viram muitos crocodilos em seus percursos.

Mas Rieger falou à imprensa: «Há muita gente que jamais vamos encontrar. Na água há muitos caimães.

«Em Nova Orleans apenas ficam 10 mil pessoas, por isso as atividades de evacuação diminuiram consideravelmente», acrescentou

A BellSouth Corp, disse que o furacão Katrina provocou danos em suas redes entre US$ 400 e US$ 600 milhões, e a terceira empresa de telefonia dos Estados Unidos ainda está pesquisando seus problemas, divulga a Reuters.

A BellSouth BLS.N disse que 810 mil linhas continuam fora de serviço nas áreas açoitadas mais duramente da Louisiana, Mississippi e Alabama. Precisou, aliás, que têm 19 escritórios centrais fora de serviço, a maioria deles em Nova Orleans.

As estimativas da empresa não incluem as perdas, as quais segundo alguns analistas são estimadas em US$ 150 milhões.
 


Katrina pode reduzir crescimento do PIB

 dos EUA em um ponto percentual

 WASHINGTON- Os estragos provocados pelo furacão Katrina poderiam ocasionar uma perda de até um ponto percentual no crescimento econômico dos Estados Unidos, assim como a eliminação de 400 mil empregos, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso.

O impacto do Katrina será sentido no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da segunda metade do ano, e tal impacto será de ''entre meio e um ponto'' percentual, segundo os analistas do organismo.

Além disso, os especialistas alertaram que os estragos do furacão podem provocar a perda de 400 mil postos de trabalho até o final do ano.

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, em inglês) informou, no entanto, que as conseqüências exatas da catástrofe por enquanto são incertas.

''Até o momento, tudo indica que seus efeitos econômicos globais serão significativos, mas não alarmantes'', acrescentou o organismo.

Na semana passada, o impacto parecia maior, mas agora as expectativas são mais otimistas devido aos ''progressos na abertura de refinarias e na reativação de oleodutos'', assinalou hoje o CBO, um organismo do Congresso sem vínculo partidário que assessora os legisladores sobre as conseqüências econômicas de suas decisões.

Em termos gerais, a avaliação feita pelo organismo coincide com as dos analistas privados, que, além disso, advertiram que os efeitos do Katrina podem ser muito piores se o aumento do preço da energia atingir o consumo dos cidadãos.

Segundo a CBO, antes de o furacão devastar a região do Golfo do México, as expectativas de crescimento econômico se situavam entre 3% e 4% para a segunda metade deste ano.

Provavelmente, acrescentou a CBO, ''algumas pessoas de Nova Orleans e de outras partes do litoral poderão voltar ao trabalho em um ou dois meses'' e a taxa de emprego no setor da construção crescerá durante o quarto trimestre do ano.

No entanto, em muitas áreas afetadas, incluindo a própria cidade de Nova Orleans, prevêem-se "transtornos substanciais e prolongados na atividade econômica".

EFE

 


Veto a fotografar vítimas do Katrina é denunciado como ataque à liberdade

WASHINGTON - Quando as autoridades americanas determinaram à mídia que não fotografasse ou divulgasse fotos dos mortos pelo Katrina e pela incapacidade governamental que se seguiu à tragédia, impuseram uma censura a um ponto chave da história. A denúncia é de entidades americanas de defesa dos direitos civis.

A medida foi imposta pela Agência de Gerenciamento de Emergências (Fema), justamente o órgão responsável pela administração catastrófica das conseqüências do furacão. É uma decisão totalmente coerente, segundo analistas, com a censura adotada pelo Pentágono ao proibir a divulgação de imagens dos caixões com os soldados mortos na guerra trazidos do Iraque.

- É impossível para mim imaginar como se pode contar uma história em torno da morte sem permitir ao público ver as imagens que a sustentam - avalia Larry Siems, do PEN American Center, grupo de escritores que defende a livre expressão.

Jornais de todo o país, redes de TV e sites chegaram a exibir imagens dos primeiros cadáveres que emergiram quando o nível da inundação em Nova Orleans começou a baixar. Porém, na terça-feira, a Fema se recusou a autorizar que equipes de repórteres e fotógrafos acompanhassem as equipes encarregadas de buscar e recolher os mortos. O argumento inicial foi o de que os profissionais de imprensa ''tomariam espaço valioso'' nos barcos.

A censura às fotos de corpos foi explicada, mais tarde, em um comunicado. Segundo a Fema, ''a descoberta de um cadáver deve ser tratada com dignidade e respeito à vítima. Por isso determinamos que fotos dos que morreram não serão permitidas''.

Esforços para recuperar os restos mortais na inundação continuam em andamento em uma Nova Orleans agora compulsoriamente esvaziada. As equipes localizam os cadáveres, os amarram a postes, árvores ou cercas e depois transmitem a localização para grupos de coleta.

Rebecca Daugherty, do Comitê pela Liberdade de Imprensa, diz que a censura é inexplicável.

- Há tão pouca informação vinda da Fema e eles ficam perdendo tempo com preocupações dessa natureza. É perturbador - afirma. - Não se pode cobrir o desastre e dar ao público uma idéia realista de quão horrível foi se não é possível mostrar o que aconteceu com as pessoas.

Para Tom Rosenstiel, diretor de projetos de Excelência em Jornalismo da Universidade Columbia, a política restritiva da Fema é ''um convite ao caos''.

- O que estamos discutindo é manipulação de imagens, não o choque do público ou a dignidade humana - critica Rosenstiel, acrescentando que a proibição de acompanhar equipes de resgate não impediria que jornalistas fizessem as próprias buscas.

O especialista acrescenta que a mídia americana, especialmente a televisão, geralmente reluta em exibir imagens de corpos - muito embora isso não estivesse ocorrendo no caso do Katrina, com repetições de cenas com cadáveres boiando ou dos mortos pelo descaso e negligência do Estado no Superdome e no Centro de Convenções de Nova Orleans.

- As redes americanas estão entre as mais assépticas do mundo - define. - São menos abertas a mostrar corpos que quaisquer outras emissoras.

Essa característica remete ao que o American PEN Center classifica como ''equidade da notícia''. No caso dos EUA, o princípio é desequilibrado, com as mesmas redes cobrindo desastres naturais e guerras em todo o mundo sem qualquer prurido de exibir a morte de forma crua, como aliás ocorreu de forma maciça depois do tsunami que matou 230 mil pessoas na Ásia.

- Como o mundo olhará para nós se vamos a qualquer lugar e mostramos o que vemos e não nos permitimos exibir o que ocorre em nossa terra? - pergunta Larry Siems.

Mark Tapscott, ex-editor do jornal Washington Times e atual diretor na Heritage Foundation, é um dos poucos a defender a decisão, refutando a censura.

- Não faremos de um assunto de decência comum uma questão de censura - diz. - Ninguém quer acordar de manhã e ver seu tio morto na primeira página.

Jornal do Brasil

 

 


Saída a qualquer preço

José Meirelles Passos

Enviado especial NOVA ORLEANS

A paciência e a tolerância se esgotaram. Agora, quem não quiser sair por bem sairá por mal ? ou seja, à força ? alertou ontem de manhã o prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, pouco depois de dar ordem aos policiais e aos militares para que evacuassem todos os residentes que ainda insistiam em permanecer na cidade.

Dos cerca de 500 mil habitantes, pouco mais de oito mil teimavam em ficar em suas casas:

- O ambiente não é seguro. É crescente o perigo de infecções, de contaminações. Entendo que vocês queiram ficar. Mas precisamos que todos saiam, por uns dias, até que tenhamos limpado a cidade toda - apelou Nagin, ontem de manhã, por meio de estações de rádio locais, na esperança de que os teimosos ainda tivessem pilhas em seus rádios para receber a mensagem.

Marlon Defillo, capitão da polícia local, ainda resistia ao uso da força para a retirada dos moradores de Nova Orleans. Ele reforçara a seus comandados o pedido de tentar convencer os sobreviventes a saírem por bem:

- O uso da força será aplicado como último recurso - garantiu ele.

Dennis Rizzuto, 38 anos, era um dos teimosos. Ele recusou a carona que lhe fora oferecida por uma das equipes de resgate, dizendo que ainda tinha comida e água suficientes, além de um pequeno gerador à gasolina, e preferia permanecer em casa esperando as águas baixarem.

- Eu só saio daqui arrastado! - desafiou.

Scott Powell, do Departamento de Recursos Naturais da Carolina do Sul, que participa dos trabalhos de resgate, disse que entendia quem resistia a abandonar suas casas.

- A maior parte dessas pessoas tem cachorros e não quer deixar os animais para trás. Elas sabem que eles não são aceitos nos abrigos e preferem permanecer a seu lado. Dá pena forçá-los a sair, mas o problema é que temos de evitar o risco de epidemias. E a situação caminha para isso - disse ele.

Pelo menos três pessoas já morreram com suspeita de contaminação e uma outra está doente, informaram ontem os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Inicialmente haviam sido informadas cinco mortes, mas o número foi corrigido pela diretora do instituto, Julie Gerberding. Os casos, baseados em informações dos estados e ainda não confirmados pelos CDC, foram registrados entre refugiados no Texas e no Mississippi e que teriam sido infectados por Vibrio vulnificus , uma bactéria que pertence à família do germe causador da cólera.

Mais de 30 idosos mortos dentro de um asilo

O Pentágono enviou ontem cinco mil pára-quedistas para Nova Orleans, junto com pequenos barcos, para engrossarem as equipes que procuram sobreviventes e cadáveres. Eles estão vasculhando a cidade de porta em porta.

- Começamos a passar um pente fino em busca de todos os vivos e também dos mortos - disse o prefeito Nagin.

Em Minas Gerais, a família de Benilda Caixeta, que mora sozinha em Nova Orleans e é praticamente tetraplégica, continua sem notícias dela.

Embora o bombeamento das águas fétidas e contaminadas tenha sido iniciado na terça-feira, o trabalho ainda levará muito tempo. No mínimo, de quatro a cinco semanas - segundo os cálculos dos técnicos do setor.

Das 148 bombas de drenagem disponíveis em Nova Orleans, que tem 80% de seu território abaixo do nível do mar, apenas cinco funcionavam ontem. Ironicamente, muitos soldados tiveram de ser desviados para outro tipo de trabalho: eles ajudavam bombeiros a apagar incêndios que irromperam na cidade.

A maioria deles teria sido causada por pessoas que, na falta de eletricidade, vinham utilizando velas. Mais de 800 mil pessoas ainda estão sem luz na Louisiana e no Mississippi. A cifra de mortos, vítimas do Katrina, permanece desconhecida. No entanto, os números referentes aos estragos cresciam hora à hora.

Corpos de 32 dos 60 internos de um asilo para idosos no distrito de St. Bernard, nos arredores de Nova Orleans, foram encontrados ontem pela polícia. Pelo menos 14 das vítimas morreram afogadas e estão irreconhecíveis. A água chegou até o telhado.

No asilo Santa Rita ainda estavam uma mesa pregada contra uma janela, uma cadeira de rodas com uma mesa sobre ela contra outra janela e um colchão contra a porta, mais de uma semana após a passagem do furacão. Assim como no asilo, muitos corpos ainda não foram retirados e as autoridades acreditam que cenas semelhantes podem surgir nos próximos dias, após as águas baixarem e as buscas avançarem.

O Globo

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