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 Editor: Valter Xéu

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12 de setembro de 2005

TeleSul: uma visão francesa da nova telinha latino-americana

 Por Cathy Ceïbe,

enviada especial

do L'Humanité*       

Ao focar as realidades sociais, políticas e históricas da América Latina, a TeleSul, nova rede de tevê a cabo continental, propõe uma informação alternativa à mídia comercial. "Nosso Norte é o Sul", indica a bússola da TeleSul. Um lema que resume em poucas palavras a linha da nova rede latino-americana.

"Al Bolívar" ou "TeleChávez"?

Antes mesmo de levar ao ar seus primeiros programas, em 24 de julho passado, data do aniversário de nascimento do independentista Simón Bolívar, a recém-chegada ao cenário audiovisual latino-americano teve que aguentar comentários azedos de seus detratores, que a rebatizaram "Al Bolívar", numa alusão à tevê árabe Al Jazira.

Como sua sede social fica em Caracas, e a República Bolivariana da Venezuela possui 51% de suas ações (Cuba, Uruguai e Argentina partilham os 49% restantes), a TeleSul foi taxada de porta-voz continental do governo bolivariano. A oposição local chegou a falar em uma "TeleChávez". A linha da rede é acusada de ser acentuadamente anti-americana.

O que responde a TeleSul? Responde com as motivações que levaram à sua criação: "Um projeto anti-hegemônico, um projeto político de integração destinado igualmente a mostrar a diversidade e a pluralidade do continente", declara seu diretor, o uruguaio Aram Aharonian. Apesar do "reduzido orçamento" inicial de US$ 2,5 milhões, a teleSul aspira a concorrer no terreno informativo com as grandes redes e balançar o império do pensamento único.

Fala a jornalista "Libertad"

"Queremos mostrar a realidade latino-americana a partir de novas fontes, fazer ouvir as vozes alternativas até hoje silenciadas", explica a jornalista da TeleSul Janlisbert Velasco, mais conhecida pelo pseudônimo de "Libertad" ("Liberdade"), herdado do tempo em que ela debutava numa tevê comunitária venezuelana, a Catia TVE.

Essa concepção de informação lança uma pedra no charco da mídia dominante. Porque as "vozes" de que fala "Libertad" são as dos latino-americanos, trabalhadores e excluídos, que reivindicam mais justiça social, que saíram à praça pública nos últimos anos e continuam a ocupá-la.

Segundo a jornalista, não há nenhuma dúvida de que "os governos e as empresas que monopolizam a informação reduziram intencionalmente essas vozes ao silêncio". Elas eram subversivas demais. Daí o slogan promocional "TeleSul, a América Latina de verdade".

"A telinha repete aqui os propósitos dos patrões europeus e norte-americanos. Ora, nossa identidade são os movimentos sociais", prossegue ela.

O papel da mídia na Venezuela

Os conflitos políticos e econômicos muitas vezes são ganhos ou abortados com o concurso da imprensa. A batalha ideológica assume também a forma de um enfrentamento midiático. A Venezuela sabe bem disso.

"Desde o golpe de Estado de 2002, passando pela paralisação petroleira, a mídia foi uma protagonista da oposição, agindo mais como militante política que como meio de comunicação", recorda Freddy Fernandez, diretor da Agencia Bolivariana de Informaciones (ABN). Gustavo Cisneros, o magnata venezuelano das comunicações, amigo de Bush pai, participou ativamente do golpe abortado, orquestrando diante das câmeras um falso levante popular contra o presidente.

A informação é portanto a pedra angular da TeleSul, representando 45% de sua programação. Ela ee garantida por uma equipe de permanente correspondentes, baseados nos países-acionistas, mas igualmente no México, na Colômbia, no Brasil e também nos Estados Unidos.

Qual será o impacto de penetração dessa fonte de informações alternativas, no sul como no norte do continente, onde reinam a CNN e a Fox News e onde vivem milhões de hispanofalantes? "Nós partilhamos com a Telesul uma preocupação quanto à informação. A CNN e as agências norte-americanas nos apresentam uma situação distorcida da Colômbia, não adotando o ponto de vista dos seus cidadãos. É uma carência terrível", exemplifica Freddy Fernandez. A TeleSul pensa em ocupar esse vazio cobrindo os acontecimentos a partir de uma perspectiva continental progressista.

"Nós sabemos de que lado a TeleSul enxerga a informação. Nosso orgulho é a nossa não-neutralidade", resume "Libertad".

* Diário comunista francês;

fonte: http://www.humanite.fr

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