Clipping de Notícias Internacionais

 

Editores : Valter Xéu , Juliana Tito e Camilla Freire

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30 de março de 2006

  

 

  

 

 

 

    

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ex-presidente da Libéria é levado a corte especial 

FREETOWN. O ex-presidente da Libéria Charles Taylor foi levado ontem a Freetown, em Serra Leoa, e está sob a custódia de um tribunal especial que o julgará por crimes de guerra. Taylor havia sido detido horas antes quando tentava escapar da Nigéria, onde estava exilado desde 2003. Ele foi deportado primeiro para a Libéria e depois para Serra Leoa.

O ex-presidente foi levado de helicóptero da Libéria para o centro de detenção em Freetown. Funcionários comemoraram quando Taylor desceu algemado do helicóptero. Ele foi colocado num bloco de celas guardado por soldados da ONU.  Taylor era procurado por um tribunal especial de Serra Leoa apoiado pela ONU, por suspeita de participação na guerra civil do país (1991-2002) — um conflito que se entrelaça com a própria guerra civil da Libéria, que Taylor iniciou em 1989.

O ex-presidente enfrenta 11 acusações de crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Inicialmente eram 17 acusações, mas elas foram reduzidas para permitir uma acusação mais concentrada. Visto como responsável por uma rede de guerras regionais que mataram 300 mil pessoas, Taylor é acusado de receber diamantes em troca do apoio a rebeldes de Serra Leoa que freqüentemente mutilavam suas vítimas.

— Chegou a hora de Charles Taylor ter o seu dia no tribunal — disse o porta-voz do governo de Serra Leoa.  A captura amenizou o embaraço criado para a Nigéria pela fuga de Taylor de uma residência na cidade de Calabar.  Ele estava exilado no país como parte de um acordo para acabar com a guerra civil na Libéria. Em março, a presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, pediu que a Nigéria o entregasse.

Taylor foi preso ao amanhecer, na fronteira da Nigéria com a República dos Camarões. Ele viajava num jipe com placa diplomática, com a mulher e o filho e uma grande quantidade de dinheiro.

Grupos de direitos humanos acreditam que a rápida extradição envia uma forte mensagem num continente em que muitos sofrem nas mãos de ditadores, tiranos e rebeldes. O início de seu julgamento, no entanto, pode demorar meses.

 

 

 

 

ONU exige que Irã interrompa seu programa nuclear 

NOVA YORK. Depois de três semanas de intensas negociações diplomáticas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade uma declaração que exige que o Irã interrompa seu programa nuclear. Agora a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem 30 dias para fazer um novo relatório dizendo se Teerã aceitou a determinação das Nações Unidas.  A declaração do conselho lembra que a AIEA “foi incapaz de concluir que não haja materiais ou atividades nucleares não declaradas no Irã.” Ela diz que é “essencial construir uma relação de confiança no propósito exclusivamente pacífico” do programa iraniano e sublinha a “particular importância do restabelecimento total e continuado da suspensão de todas as atividades relacionadas a reprocessamento e enriquecimento.” — Demos o primeiro grande passo para lidar com o programa clandestino de armas nucleares do Irã, que já tem quase 20 anos — disse o embaixador dos EUA na ONU, John Bolton.

O texto, porém, não menciona a adoção de sanções contra Teerã. Entre os países detentores do poder de veto no conselho, EUA, Reino Unido e França tiveram de fazer concessões para que os outros membros permanentes do órgão, Rússia e China, aceitassem o texto. 

 


 Astronauta brasileiro está em órbita

A espaçonave russa Soyuz TMA-8 é lançada sem imprevistos com o primeiro representante do país no espaço  

MOSCOU - O primeiro astronauta brasileiro, o tenente-coronel Marcos Pontes, já está no espaço. O lançamento da Soyuz TMA-8 foi realizado com sucesso às 23h30 (horário de Brasília) de ontem. Um dos momentos mais perigosos da missão aconteceu sem sustos.

Depois que seus motores com 20 milhões de cavalos de potência foram ligados, a nave partiu da base de Baikonur, no Casaquistão, para deixar o nome de Pontes gravado na história do país. O exato momento da entrada em órbita pôde ser percebido quando um pequeno urso branco de brinquedo pendurado sobre o astronauta russo Pavel Vinogradov desapareceu. Em seguida, começou a flutuar e acabou atrapalhando as imagens ao ficar na frente da câmera. Na sexta-feira, o veículo espacial chega à Estação Espacial Internacional (ISS).

Na última entrevista antes da viagem, Pontes falou de uma área isolada por um vidro - por causa da quarentena - junto aos outros membros da equipe, o russo Pavel Vinogradov e o engenheiro de vôo americano Jeffrey Williams.

O brasileiro destacou o orgulho de levar o Brasil à era espacial pela Missão Centenário.

- Acho que a sensação como um todo pode ser resumida em uma palavra: satisfação - afirmou.

Nas últimas horas no planeta, antes da jornada, os tripulantes passaram dormindo e participando dos muitos rituais tradicionais que precedem o embarque. Enquanto isso, os técnicos terminavam os preparativos da Soyuz TMA-8, acoplada ao foguete Soyuz FG.

O astronauta teve um encontro com sua família, a mulher Fátima e os filhos, Fábio e Ana Carolina. Antes de dormir, os tripulantes assistiram o filme soviético ''O sol branco do deserto''. A comédia, ambientada no cenário da guerra civil na Rússia no início do século passado, faz uma paródia dos filmes do Velho Oeste. A prática foi iniciada pelo cosmonauta Yuri Gagarin antes do lançamento do foguete Vostok, em 1961.

Pouco depois de tomar café da manhã, a equipe preparou a bagagem, que, no caso de Marcos Pontes é cheia de simbolismos. Além de uma bandeira brasileira e um uniforme da seleção e uma bola, o astronauta levou uma réplica do chapéu usado por Santos Dumont no seu primeiro vôo, há cem anos.

Em seguida, os tripulantes brindaram simbolicamente com champanhe e pepinos em conserva. Na saída do Hotel dos Cosmonautas, onde estavam hospedados, tocava a canção ''O gramado do meu jardim'', um rock russo dos anos 70 que fala dos pensamentos de um astronauta observando a Terra da sua nave espacial.

A equipe também recebeu a bênção de um padre Ortodoxo, enquanto ferraduras foram colocadas no ônibus que os esperava.

Finalmente, os três cosmonautas, acompanhados por alguns especialistas, foram levados à rampa de lançamento. No caminho, um último tributo à tradição, mencionada pela autoridades russas com constrangimento. Pontes, Williams e Vinogradov saíram do veículo para urinar na pista de decolagem. Segundo a lenda, Gagarin teria pedido para fazer o mesmo local.

Às 20h30, os tripulantes entraram na Soyuz e, nas três horas que restavam para o lançamento da Soyuz, se dedicaram à checagem dos sistemas da nave.

O brasileiro vai testar experimentos na ISS, durante a missão que custou US$ 10 milhões.

 


França

Centrais sindicais convocam nova greve nacional
     Estimuladas pelo êxito das manifestações de terça-feira, as centrais sindicais e entidades estudantis francesas decidiram ontem convocar uma nova greve nacional para 4 de abril. Também será promovida naquele dia uma nova manifestação popular em todo o país - a quinta em pouco mais de duas semanas. "O movimento vai prosseguir com mais intensidade, a menos que o Contrato Primeiro Emprego seja retirado pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin", declarou Bruno Julliard, presidente da União Nacional dos Estudantes. Segundo ele, há ainda margem para mobilizar um número superior de ativistas. Os sindicatos e as entidades estudantis estimam em 3 milhões o total de manifestantes que tomaram as ruas de Paris e de outras 135 cidades francesas na terça-feira - 1,5 milhão, segundo a polícia. Ainda ontem, 63 das 84 universidades francesas permaneciam em greve.

 

 

Israel

"Objetivo já não é a paz, é gerenciar o conflito"

Medidas unilaterais como a desocupação da Faixa de Gaza são as únicas plausíveis no momento, afirma diplomata  

Ex-diretor da chancelaria israelenseEntrevistaO veterano Shlomo Avineri, ex-diretor-geral da chancelaria israelense na época de Yitzhak Rabin, já viu de tudo na política do país. Menos o que aconteceu nas eleições de terça-feira. Para Avineri, que hoje é ligado à Universidade Hebraica de Jerusalém, os resultados provam que houve uma mudança histórica de paradigma na política israelense. Segundo ele, o povo está pronto para devolver territórios aos palestinos, sem promessas vãs de paz ou utopias.

Como o sr. explica o resultado dessas eleições?

Eu apresentaria o que aconteceu como uma mudança de paradigma. O paradigma histórico era a tentativa de chegar à paz com os palestinos. A esquerda queria isso estendendo a mão. A direita preferia fazer isso à força. Mas todos falharam. Hoje em dia, a percepção em Israel é a de que não há futuro nas negociações de paz. Passamos da idéia de "'resolução de conflitos"' para a de "gerenciamento de conflito". O objetivo agora não é mais a paz utópica, mas sim a diminuição da tensão e da violência entre dois povos.

Mas como isso explica os resultados do pleito?

Isso é a chave para entender os resultados das eleições. Os israelenses votaram em Olmert porque acreditam que ele possa tomar decisões difíceis, sem esperar o consentimento do outro lado. Assim como fez Sharon com a retirada unilateral da Faixa de Gaza, que foi um sucesso.

O unilateralismo não pode piorar o relacionamento com os palestinos?

Todas as propostas israelenses recentes encontraram objeções não só dos palestinos como de aliados de Israel, como os EUA, sem contar a Europa. Foi assim também com a retirada de Gaza. Quando Sharon começou a falar que pretendia sair de Gaza, no final de 2003, Abu Mazen (o presidente palestino, Mahmud Abbas) saiu imediatamente contra dizendo que a idéia não passava de um truque. No fim, acabou telefonando para Sharon para parabenizá-lo. A verdade é que esses passos unilaterais são as únicas propostas plausíveis, no momento. Quem tiver outra, que apresente.

Olmert vai conseguir realizar a retirada da Cisjordânia mesmo tendo obtido só 28 cadeiras na Knesset? Ele tem o consentimento do público para isso?

Realmente, as pesquisas davam mais cadeiras ao Kadima. Mas, apesar do erro, elas acertaram em apontar duas tendências: a vitória do Kadima e a autodestruição do Likud, que só obteve 11 cadeiras. Isso quer dizer que o público não concorda mais com a ideologia do Likud de manter a ocupação dos territórios palestinos com mão-de-ferro. Essa é uma mudança histórica. O Kadima terá de fazer coalizões para conseguir maioria parlamentar, mas não terá dificuldades. Vai apelar para partidos que concordam com a retirada, como o Trabalhista, para partidos ambivalentes, como o Shas (ultra-ortodoxo).

No discurso da vitória, Olmert não citou o Hamas. Está ignorando a nova realidade da Autoridade Palestina?

Por que Olmert deveria citar o Hamas? Se há algo que ele aprendeu com Sharon é falar pouco e agir muito.

 

 

Decretada prisão de porta-voz da ETA  

Um juiz da Audiência Nacional, maior instância judicial da Espanha, decretou ontem à noite a prisão preventiva de Arnaldo Otegi, líder do proscrito partido Batasuna, apontado como braço político da ETA. Otegi é acusado de incitação ao terrorismo. "A menos que pague uma fiança fixada em 250 mil, ele permanecerá detido", informou um porta-voz do tribunal.

 

 

Petrobrás reage à ameaça boliviana

Com negociações interrompidas, presidente da estatal afirma que investimentos no país podem ser suspensos

Irany Tereza

Kelly Lima

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, rompeu o silêncio e reagiu duramente, pela primeira vez, à forma que a Bolívia está tratando os negócios da empresa no setor de gás e refino naquele país. Protestou contra a interrupção das negociações do governo boliviano com a empresa desde o final de fevereiro e contra o tom de ameaça de declarações de autoridades bolivianas. Disse que não queria fazer ameaças, mas informou que os investimentos da Petrobrás na Bolívia dependem da retomada das negociações. "Caso contrário, se forem decisões unilaterais (do governo boliviano), as posições se tornarão também radicalizadas. Vamos reagir unilateralmente também. E isso não é bom para ninguém."

Na semana passada, o ministro de Hidrocarbonetos (Energia) boliviano, Andrés Solíz, criticou a Petrobrás e o governo brasileiro, acusando o Brasil de tratar a Bolívia como uma "semicolônia". Solíz disse que podem ocorrer "as piores coisas que se pode imaginar" nas negociações sobre mudanças nos contratos de venda de gás com Argentina e Brasil. É o mesmo ministro que, ao assumir o cargo, em janeiro, prometeu à Petrobrás "tratamento especial do governo boliviano".

Gabrielli disse estar preocupado. "Confiamos que pudesse se reverter essa situação na Bolívia. Estávamos num processo negocial que vinha caminhando para encontrar pontos comuns. Recentemente, esse clima vem se modificando. A imprensa tem publicado uma série de declarações que nos deixa preocupados", afirmou, dizendo ter sido uma opção sua manter as discussões longe dos holofotes para facilitar um consenso.

"Objetivamente avançamos em determinado ritmo de negociação. Queremos continuar avançando e negociando para encontrar caminhos comuns. Mas as portas estão se tornando muito opacas", reclamou o executivo, tentando dosar a agressividade. Evitou, por exemplo, falar em suspensão definitiva dos investimentos na Bolívia. "Você está avançando numa coisa que não estou querendo dizer", argumentou.

Mas foi firme ao afirmar que, na Bolívia, a Petrobrás é uma empresa produtora de gás. "Não queremos ser uma prestadora de serviços", declarou, sobre a possibilidade, já divulgada pelo governo boliviano, de as reservas serem nacionalizadas e as empresas estrangeiras serem apenas remuneradas pela exploração e produção do gás. Gabrielli ressaltou que a empresa não quer discutir a autonomia do governo boliviano, lembrando que as leis sancionadas pela Bolívia têm de ser cumpridas pelos investidores. Mas, reclamou que "todo o setor de hidrocarburetos" boliviano está com problemas. "Queremos encontrar soluções, mas além de não termos interlocução, estamos vendo ameaças pela imprensa", protestou.

Segundo ele, está afastada a possibilidade de desabastecimento imediato de gás no Brasil, em caso de endurecimento das relações comerciais com a Bolívia. Lembrou que o País ainda não está utilizando a capacidade máxima contratada no gasoduto Bolívia-Brasil, de 30 milhões de m3, e que o contrato vale até 2019.

"Não é só o Brasil que tem interesse em negociar com a Bolívia. O que há é uma dependência mútua. O que a Bolívia exporta? Quem mais compra gás da Bolívia na proporção que o Brasil compra hoje? E, num futuro próximo, onde a Bolívia pode garantir esta mesma fonte de renda?", indagou.

Cerca de dez dias antes da declaração de Solíz, o presidente da Bolívia, Evo Morales, prometeu que até 12 julho sancionará esta lei. A Petrobrás, principal empresa em atuação na Bolívia, já investiu US$ 1,5 bilhão naquele país nos últimos 12 anos.

 

 

'O Brasil precisa do gás da Bolívia'

Segundo o presidente da Petrobrás, ninguém sabe o que significa a

 nacionalização das reservas bolivianas José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás  

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, diz não saber o que significa a nacionalização do petróleo boliviano. Confira os problemas em jogo nesta entrevista concedida segunda-feira a Celso Ming.

O que a Bolívia pretende e quais os interesses em questão?

Nós precisamos do gás da Bolívia. Hoje recebemos de 26 a 27 milhões de metros cúbicos por dia. Eles vendem outros 6 a 7 milhões para a Argentina. A capacidade de produção de gás pela Bolívia é de 42 milhões de metros cúbicos. Cerca de 25% desse gás é produzido pela Petrobrás. Os outros produtores são a British Gas, Total e Exxon.

Para quem essas empresas vendem o gás?

Vendem para a Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que vende o produto para o Brasil e para a Argentina. Nosso contrato vai até o ano 2019.

E o que diz a lei boliviana?

A lei foi aprovada antes do governo do Evo Morales mas precisa de regulamentação. A eleição para a Constituinte que redefinirá as regras e instituições básicas do país está marcada para meados deste ano.

Enquanto isso, o que está fazendo a Petrobrás?

Um grupo de negociadores está discutindo a regulamentação da lei e as propostas deles para o novo quadro regulatório. Nós precisamos investir lá e eles precisam do nosso investimento.

Para quem venderão o gás se o Brasil deixar de comprar?

Toda nação tem lá suas complicações que não são lógicas.

O senhor parece sugerir que as forças que chegaram ao poder não sabem o que pretendem nem tratam os novos temas com a necessária racionalidade...

Isso é o que está na imprensa. Nas negociações eles não são assim. Estamos negociando com técnicos, não trato pela imprensa o que falo com eles.

Quem conduz as negociações pelo Brasil: a Petrobrás, o Itamaraty ou diretamente o presidente Lula?

A Petrobrás negocia com a YPFB. O Itamaraty trata com o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia e o presidente Lula fala com Evo Morales.

O que na prática significa a nacionalização do petróleo na Bolívia?

Ninguém sabe. Nem eles têm definição sobre isso.

Eles podem incorporar a Petrobrás?

Não sei. Temos investimentos legais, estamos legítima e legalmente instalados lá. Há regras e contratos em vigor. Mas não sei o que vai acontecer.

Que outro tipo de poder de barganha tem a Petrobrás?

A Petrobrás tem hoje uma posição de negociação mais confortável do que os outros produtores na Bolívia. Que tipo de pressão podemos fazer? Abandonar? Nós não vamos fazer isso. Precisamos da Bolívia, vamos ter de negociar para conseguir o melhor resultado.

O gás da reserva da Bacia de Santos pode fortalecer a posição da Petrobrás?

Esses investimentos só vão maturar dentro de cinco ou seis anos. No pico da produção, fornecerão 30 milhões de metros cúbicos por dia. O problema é que a demanda por gás vai crescer no Brasil dos 40 milhões de metros cúbicos diários para 100 milhões em 2010. O fornecimento da Bolívia vai continuar sendo importante.

Quanto ao preço, o que os bolivianos querem?

Eles querem um reajuste.

Pediram quanto?

Não há clareza sobre isso.

O supergasoduto que vai da Venezuela à Argentina entra na negociação?

Se for construído, o gasoduto vai mudar o mercado do gás na América do Sul. Mas é coisa apenas para 2020 ou 2025.

E é verdade que vai custar R$ 50 bilhões?

Não há detalhamento que permita avaliar o custo. A previsão de hoje é que sairá por US$ 23 a 25 bilhões, mas acho que vai ser muito mais do que isso.

 

 

Reunião 'secreta' da OMC no Rio irrita argentinos

Representantes dos EUA, Europa e Brasil vão tentar aproximar posições sobre tarifas para acordo

Jamil Chade  

O governo do presidente Néstor Kirchner deixou claro ao comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, que não serão possíveis avanços na negociação da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre os empecilhos indicados pelo governo argentino está a resistência da UE em adotar uma redução "mais agressiva" dos subsídios agrícolas.

Mandelson retrucou, indicando que a Argentina e o resto do Mercosul (o país atualmente exerce a presidência pro-tempore do bloco) deveriam abrir mais o setor de indústrias e serviços.

A ministra da Economia, Felisa Miceli, que se reuniu com Mandelson, explicou ao enviado europeu que "existe um compromisso da Argentina para que a rodada consiga um resultado satisfatório, mas é preciso que tenhamos garantias de que os países em desenvolvimento sejam os mais beneficiados nesta negociação". Miceli segue a cartilha do presidente Kirchner e defende a proteção ao setor industrial argentino, o que já causou vários conflitos com o principal sócio do Mercosul, o Brasil. ARIEL PALACIOSA reunião entre Brasil, Estados Unidos e Europa neste fim de semana, no Rio de Janeiro, para tentar desbloquear as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), irritou a Argentina. Em Genebra, o embaixador argentino para temas comerciais, Alberto Dumont, pediu que o processo inclua todos os países: "Ninguém fala em nome da Argentina."

A reunião começa amanhã e terá a presença do chanceler Celso Amorim, do representante de Comércio dos EUA, Rob Portman, e da Europa, Peter Mandelson. O objetivo é aproximar as posições entre os negociadores, a um mês do fim do prazo para que haja acordo sobre como ocorrerão os cortes de tarifas de produtos industriais e agrícolas. "Fiquei surpreso ao saber da reunião pelo jornal. Liguei para o escritório do (Pascal) Lamy (diretor da OMC) e confirmaram o encontro", disse Dumont. "A questão não é só ser transparente e relatar o que ocorre nos encontros, mas permitir a participação." Segundo ele, a Argentina levou o caso para discussão no G-20, grupo de países emergentes liderado por Brasil, Índia e China.

A Argentina teme que o Brasil ceda à pressão e aceite uma abertura de mercado para produtos industriais que o país não estaria disposto a acatar. O Itamaraty indicou que só poderia aceitar corte de 50%, mas os países ricos esperam cerca de 75%.

Na OMC, o encontro no Rio parecia secreto. Embaixadores do Brasil e EUA se negavam a dizer se haveria reunião. O embaixador americano Peter Allgeier disse que "não sabia" de nada, e até o embaixador brasileiro na OMC, Clodoaldo Hugueney, desconversou.

Lamy disse que aceita participar dessas reuniões só se algumas condições forem preenchidas. Uma delas é que ele tem o direito de relatar o conteúdo das conversas a todos os membros da entidade. Mas a realidade é que nem sempre todas as informações são repassadas.

"Com essas reuniões fora da OMC, todo o processo fica à espera do que é decidido", disse Dumont. Na sede da entidade, os negociadores cumprem só uma agenda tímida, esperando orientações que saem desses encontros. Segundo vários diplomatas, as definições dessas reuniões têm grande chance de se transformar em arcabouço de um acordo para a OMC.

 

 

País negocia com a China antes de restrições

Renata Veríssimo  

O Brasil deve iniciar na próxima semana o processo de consulta ao governo chinês para tentar restringir as importações de sete produtos. A negociação é a primeira etapa para abertura dos pedidos de salvaguardas contra a China, que pode levar à aplicação de cotas ou de uma sobretaxa às importações daquele país. O Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, recebeu cerca de 30 pedidos de salvaguardas, mas só sete já têm embasamento técnico para a abertura do processo.

As primeiras notificações englobam os seguintes setores: óculos e armação, alto-falantes, óculos de sol, escovas de cabelo, ferro silício, brinquedos e pedivela (equivalente ao pedal) de bicicleta. O decreto que regulamentou o mecanismo da salvaguarda estabeleceu um prazo de negociação com o governo chinês para possibilitar um acordo que acabe com os danos causados à indústria nacional.

Após receber a notificação, o governo chinês terá dez dias para manifestar interesse em fazer a consulta e, em caso positivo, até 30 dias para que ela seja concluída. Não havendo sucesso, abre-se o processo de investigação, no qual os chineses terão novo prazo de consultas. Se também nessa segunda negociação não houver uma proposta que atenda aos interesses do setor envolvido, o governo pode aplicar as medidas de proteção comercial.

A legislação prevê a possibilidade de adoção de salvaguardas provisórias antes da conclusão das investigações. Nesse caso, o mais comum e mais rápido é a definição de cotas para a entrada de produtos chineses no País. Outro dispositivo incluído nos textos permite a adoção de salvaguardas preventivamente por desvios de comércio.

Assim, caso um terceiro país aplique barreiras comerciais contra a China, aumentando o volume das exportações chinesas para o Brasil, o mecanismo de proteção comercial poderá ser acionado.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, disse que, em alguns casos, os pedidos de salvaguardas ou foram entregues recentemente ou ainda está faltando documentação. Por isso, ainda não há como abrir uma investigação. O setor que se sentir prejudicado, além do surto de importação, deve comprovar desorganização em seu mercado, queda nos preços e na participação no mercado interno. 

O Brasil já conseguiu um acordo para restringir a enxurrada de produtos têxteis da China.  


 

 

TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS

COMÉRCIO

Putin acusa EUA de atrasar entrada na OMC 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem que os Estados Unidos estão atrasando a entrada de seu país na OMC (Organização Mundial do Comércio), processo que já dura 12 anos.

"Infelizmente, recebemos recentemente dos nossos colegas americanos uma lista exigindo novos acordos que consideramos terem sido deixados para trás há muito tempo", afirmou Putin, que acrescentou que esses pedidos "levam artificialmente o processo de negociação para trás".

O presidente russo não disse especificamente quais haviam sido os pedidos dos Estados Unidos.

O chefe do USTr (espécie de Ministério do Comércio Exterior dos EUA), Rob Portman, rebateu as acusações de Putin, dizendo que os problemas levantados por seu país não eram novos, mas sim assuntos sobre os quais os Estados Unidos já haviam se posicionado ao longo das negociações de acessão da Rússia.

 

 

 

 

EMBARGO

Sem russos no mercado, preços desabam, não há espaço para armazenagem e produtores abatem e enterram animais

Rússia leva setor de carnes ao fundo do poço

MAURO ZAFALON

DA REDAÇÃO  

As exportações de carne suína recuaram 40% na primeira quinzena deste mês em relação às do mesmo período de fevereiro. As demais carnes -de frango e bovina- também seguem tendência de queda.

Os estoques crescem e os armazéns especiais para estocagem já não têm mais espaço. As carnes começam a ser estocadas em contêineres de carretas. Essa redução nas exportações das três carnes provoca forte disputa pelo consumidor interno. Ganha o frango, que já é comercializado por menos de R$ 1 por quilo, no varejo.

Essa situação é provocada quase que exclusivamente pelo embargo russo, segundo Pedro Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína).

O excesso de carnes suína e bovina no mercado interno se deve aos embargos em decorrência da febre aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. No caso do frango, o excesso se deve à redução das exportações devido ao avanço da gripe aviária pelo mundo, reduzindo o consumo da ave.

Para Camargo, "o embargo russo não tem lógica e sua continuidade desestabilizará o setor, principalmente o de carne suína, que cresceu exatamente para atender à demanda russa".

Para o presidente da Abipecs, o embargo não tem consistência técnica. Ele cita o exemplo do Rio Grande do Sul, mercado que nunca poderia ter sido fechado pelos russos, não só pelas regras da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) e da OMC (Organização Mundial do Comércio), mas também devido ao protocolo sanitário assinado por Brasil e Rússia.

Camargo diz que os russos prejudicam o Brasil e que só o governo poderia enfrentá-los, mas "ele [o governo] não se mexe".

Odilson Ribeiro, diretor do Departamento de Assuntos Sanitários e Fitossanitários do Ministério da Agricultura, não concorda com Camargo. Ele diz que o governo tem estado em contato diariamente com os russos para tentar reverter esse embargo. "Muitas vezes temos recebido respostas que não nos agradam, mas não podemos forçar e ir além do razoável", diz Ribeiro.

Ele acredita, no entanto, que as negociações possam avançar com a vinda do primeiro-ministro russo ao Brasil em abril. Além dos esforços políticos do governo, tem havido troca de informações também na área técnica, diz Ribeiro.

A ausência da Rússia praticamente inviabiliza o mercado brasileiro de carnes. Dos 4,9 milhões de toneladas exportadas no ano passado, um quinto foi para os russos. As receitas do setor somaram US$ 7,8 bilhões, sendo que US$ 1,6 bilhão veio da Rússia.

O setor mais dependente é o de suínos. Das 625 mil toneladas exportadas em 2005, 404 mil (65%) tiveram como destino a Rússia.

A capacidade de armazenagem do país é de 300 mil toneladas e já está toda ocupada, segundo José Roberto Moreira Leite, ex-presidente da Abiaf (Associação Brasileira da Indústria de Armazenagem Frigorificada).

Com a falta de compradores e as dificuldades de armazenagem, alguns produtores de frango já suspendem a produção, abatem e enterram os animais, afirma Leite. A crise deve chegar ainda mais forte na produção, segundo o ex-presidente da associação. Para Leite, vários investimentos no setor estão sendo interrompidos devido à insegurança dos produtores.

No caso da carne suína, os Estados do Sul são os mais prejudicados. O Rio Grande do Sul, que já tem 60 mil toneladas de carne estocadas -o normal é ter apenas 15 mil- vive a maior crise desde 1978, quando ocorreu a peste suína. Em vista dessa dificuldade, os gaúchos vão solicitar ao governo uma linha de crédito de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões.

Com a porteira externa fechada, os preços desabam. Acompanhamento diário da Folha mostra que, do início de 2005 até agora, o preço da carne suína caiu 60% no mercado paulista; o da de frango, 56%; e o da bovina, 23%.


CRISE NUCLEAR

ONU dá 30 dias para Irã ceder

Em declaração sem força mandatória, Conselho de Segurança exige que regime islâmico suspenda enriquecimento de urânio e aceite inspeções. Americanos e europeus discutem hoje estratégia a seguir

Da redação  

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ontem por unanimidade uma declaração que dá prazo de um mês para que o Irã adeqüe seu programa nuclear às exigências feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — entre elas a suspensão do enriquecimento de urânio, atividade que alimenta suspeitas quanto à pretensão do regime islâmico de obter armas nucleares. O texto do Conselho, objeto de duras negociações nas últimas três semanas, não pede a aplicação automática de sanções contra o governo de Teerã. Em vez disso, prevê nova discussão sobre o Irã ao final do prazo fixado, com base em relatório atualizado da AIEA.

A declaração, que não tem força de lei, convoca o Irã a “tomar as medidas requeridas pela AIEA, essenciais para estabelecer a confiança (da comunidade internacional) no caráter exclusivamente pacífico de seu programa nuclear”. Destaca ainda “a importância de retomar de forma completa e duradoura a suspensão de toda atividade ligada ao enriquecimento de urânio”. Em sua reação inicial, o embaixador iraniano na ONU, Javad Zarif, minimizou a importância do texto e reafirmou o “compromisso categórico” do país com o Tratado de Não-Proliferação de armas nucleares. “O Irã está comprometido com suas obrigações não apenas porque estão previstas em tratado, mas porque estão baseadas em nossos editos religiosos e históricos”, disse Zarif.

A fórmula aprovada havia sido anunciada à tarde pelos representantes dos cinco membros permanentes do Conselho — Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China —, que têm poder de veto sobre as decisões do plenário. Os governos de Washington, Londres e Paris, que desde o início acenavam com a ameaça das sanções, tiveram de ceder às objeções de Moscou e Pequim. Ambos os governos mantêm relações próximas com Teerã — a Rússia coopera com o programa nuclear iraniano — e pressionaram para que fosse delegada à AIEA a posição central na crise.

O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, procurou demonstrar satisfação com o teor do documento, embora ele não tenha o caráter mandatório de uma resolução. “Enviamos uma mensagem clara (ao Irã) para que suspenda as atividades de enriquecimento de urânio e processamento de plutônio”, comentou Bolton. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, se reúne hoje em Berlim com os colegas da Alemanha, França e Reino Unido para traçar a estratégia a seguir na campanha para impedir o Irã de desenvolver um arsenal atômico.

Durante todo o processo de negociações, Bolton enfatizou a posição de seu governo em favor de que o uso da força seja mantido como opção para lidar com o impasse, caso o regime islâmico siga resistindo às exigências da AIEA. Em Moscou, porém, o chanceler Sergei Lavrov aproveitou a aprovação da declaração do Conselho de Segurança para reafirmar a oposição da Rússia. “Como frisaram mais de uma vez nossos colegas europeus e chineses, pressões e ameaças de uso da força para solucionar essa questão são contraproducentes e não podem ser apoiadas”, disse Lavrov.

 


 

 

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