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- Prensa Latina
KR
11 de novembro de 2005
Pinochet a ponto de escapar novamente da justiça
Santiago
do Chile, 11 nov (PL) Relatórios contraditórios emitidos por peritos do Serviço
Médico Legal sobre o estado mental de Augusto Pinochet pudessem liberar
novamente ao ex-ditador chileno da justiça, indicaram hoje fontes judiciais.
O juiz Víctor Montiglio, quem substância a
causa por Operação Colón, enfrenta a circunstância de que os exames
neurológicos asseguram que o dano de seu neurônio é progressivo e irreversível,
enquanto os psiquiátras e psicólogos os assinalam como apto.
O relatório dos neurologistas repete as
mesmas causais que no passado permitiram ao Pinochet escapar da justiça nos
processos por Caravana da Morte e Operação Condor, onde chegou a ser processado
por violações dos direitos humanos.
Nos testes psiquiátricos e psicológicos,
entretanto, os especialistas concluíram que sua leve demência subcortical
produzida pelo dano neurológico não afeta seu intelecto pelo que sim pode
responder em um processo.
Isto foi confirmado também em segunda-feira
passada pelo juiz Carlos Cerda, quem o interrogou por mais de três horas na
causa que instrui por enriquecimento ilícito. O magistrado disse logo que o
encontrou em bom estado e "bastante colaborador.
Fontes judiciais admitiram, segundo meios
de imprensa locais, que este cenário -embora previsível pelos advogados
querelantes- tem ao juiz "muito complicado e indeciso" em torno da
suas próximas diligências neste caso.
Pinochet foi desmedido pela Corte Suprema
para que em frente sua responsabilidade pelo desaparecimento de 119 opositores
políticos em 1974 no marco da Operação Condor, mas o alto tribunal pediu lhe
fazer exames para determinar sua estado de saúde mental.
Os requerentes insistiram com
o Montiglio, um juiz que sempre favoreceu ao Pinochet em processos por
violações a direitos humanos, que para determinar sua estado de saúde mental
não era requisito incluir provas neurológicas na perícia, jogo de dados os
resultados anteriores.
Outro fator
que "enreda" ainda mais ao juiz é que no processo paralelo que se
segue ao Pinochet pelo caso Riggs, Cerda interrogou ao ex-governante e está a
ponto de processá-lo por evasão tributária, falsificação de documentos públicos
e declaração jurada falsa.
Mas
Montiglio, ao contrário de Cerda, é partidário de aplicar a Lei de Anistia
-aprovada por Pinochet em 1978- a ex-militares acusados por violações de
direitos humanos, o que demonstrou em numerosas decisões como membro da Corte
de Apelações.
No que foi
interpretado como um "sinal", o juiz ditou ontem uma resolução em que
decretou "embargado" os resultados dos exames e negou seu
conhecimento aos advogados e à defesa do ex-militar.
Em seu
argumento indicou que devia "estudá-los atentamente em um prazo
prudente".
Enquanto
isso, Boris Paredes, advogado do Programa de Direitos humanos do Ministério do
Interior, demandou ao juiz por escrito que tome declaração indagatória a
Pinochet, uma vez terminado já o médico períto.
rgc/apr