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11 de novembro de 2005

 IV Cúpula das Américas Outro não à a Alca        Por: Roberto Molina*,

   A prepotência da política hegemônica dos Estados Unidos se mostra novamente em toda sua dimensão quando pretende fazer acreditar que o descalabro que sofreu na IV Cúpula das Américas é um fracasso de todos, menos de Washington.

   Quem nos círculos oficiais dos Estados Unidos tentam mostrar as posições do presidente George W. Bush em Mar del Plata como uma vitória -reproduzidas lacaiunamente por sisudos analistas de poderosos meios de difusão argentinos- respondem sem o mais mínimo rubor a esse ditado imperial.

   Mas não entenderam nada (ou não querem) do acontecido na formosa cidade balneário, porque querem ignorar os novos tempos que sopram na Latinoamerica, cuja mais clara expressão se manifestou a poucas centenas de metros mediante, na III Cúpula dos Povos.

   O rechaço continental ao novo projeto americano para pretender implantar seu domínio ao sul do Rio Bravo, o acordo para Área de Livre Comércio das Américas (Alca), está na medula dos acontecido em Mar del Plata.

   A idéia nascida à luz da condição de superpotência hegemônica adquirida depois do desmoronamento da União Soviética e o decretado fim da guerra fria, viu a luz na I Cúpula convocada pelo então presidente William Clinton em dezembro de 1994.

   O processo, inicialmente apresentado como uma nova iniciativa, mas posto em seguida em mãos da Organização de Estados Americanos (OEA) para seu acordo, abordou-se com força na segunda edição no Santiago do Chile (1998) e tudo parecia consolidado na terceira no Quebec, Canadá (2001).

   Foi nesta reunião o início da era George W. Bush no marco continental, com a fixação de data para concluir a negociação do Alca (janeiro 2005) e para sua entrada em vigor (dezembro 2005), uma tentativa para destravar o estagnado processo.

   Entretanto, depois de 20 meses de paralisia nas discussões, chegou-se a IV Cúpula e o novo czar do círculo se empenhou a fundo para ressuscitar o feto a como desse lugar.

   Apesar de que não era nem sequer tema deste encontro, o Alca se converteu por obra e graça de Washington no eixo central dos ríspidos debates que tiveram lugar.

   Com o vice-presidente do Panamá, Samuel Lewis, servindo de mensageiro utilitário para introduzir uma moção a respeito e o mandatário do México, Vicente Fox, como porta-voz e cavalo de Tróia para empurrar a outros, Estados Unidos esteve a ponto de fazer abortar o lema proposto pelo país anfitrião.

   Criar trabalho para combater a pobreza e fortalecer a governabilidade democrática foi o centro de toda a documentação preparada para as negociações que culminariam com a apresentação e adoção da Declaração de Mar del Plata e o Plano de Ação.

   Como já se sabe, o discurso inaugural do presidente argentino, Néstor Kirchner, com fortes demonstração à política externa passada e presente dos Estados Unidos nesta parte do mundo e os sofrimentos e descalabros que causou nas últimas décadas, foram a base para o que veio depois.

   Bush, desconcertado, deve ouvir as firmes posições dos quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), assim como da Venezuela, que não teve necessidade de elevar sua voz, como tinha antecipado, para rechaçar o Alca (fomos cinco mosqueteiros, expressou seu presidente, Hugo Chávez).

   A delegação americana, muito contrariada, lançou o rumor mediante seus coroinhas em certos meios de que não haveria documentos finais, para pressionar; depois circulou que haveria só um comunicado conjunto para certificar a falta de acordo e posteriormente deveu render-se à evidência.

   Na Declaração de Mar del Plata, Estados Unidos e quem lhe segue conseguiram uma menção à a Alca no sentido de que seguirão promovendo-o e pretendem reatar no primeiro semestre do 2006 o exame das dificuldades em seu processo.

   Mas o seguinte parágrafo indica que outros membros sustentam que ainda não existem as condições para um acordo de livre comércio equilibrado e eqüitativo, com acesso dos mercados livre de subsídios e práticas distorsivas que tome em conta requerimentos de todos os sócios e os diferentes níveis de desenvolvimento e tamanho das economias.

   Um terceiro parágrafo sobre o tema, como fórmula de compromisso,  indica que depois da Ronda Doha de dezembro em Hong Kong, Colômbia convocaria uma reunião de responsáveis que analisaria se algo trocou em matéria de comércio mundial que permita reviver o Alca.

   Este reflexo das diferentes posicione estabelece às claras que se não existir condições, não haverá acordo e, portanto, o feto está morto desde antes de nascer.

   Quem sustenta que não é assim, aferram-se ao prego quente da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), com a peregrina tese de que poderia haver mudanças nas políticas dos países ricos para inflar o boneco agora desvanecido, algo que todo analista sensato qualifica de impossível.

   Por isso, a autópsia do cadáver proposta pela Colômbia para inícios do 2006 só servirá para certificar o falecimento e proceder ao enterro que a III Cúpula dos Povos decretou o passado 4 de novembro em uma manifestação continental, mais de 50 mil pessoas como testemunhas e coveiros.

*O autor é Correspondente de Prensa Latina na Argentina.

lam/rmh

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