KR

 

11 de novembro de 2005

 Clima de guerra total em crise política brasileira        Por: Abel Sardiña

Rio do Janeiro, 11 nov (PL) O cenário político brasileiro, em vésperas de cumprir-se seis meses da crise iniciada por denúncias de corrupção e uso de recursos não declarados em campanhas eleitorais, apresentava hoje um clima de guerra total oposição-governo.

   "O horizonte é de genocídio político", disse o senador Tião Viana, do Partido dos Trabalhadores (PT), em alusão ao uso pelos partidos opositores de todos seus recursos contra esse agrupamento político, o governo e o presidente, Luiz Inácio Lula Da Silva.

   "Mas se assim querem, assim vai ser", advertiu.

   Em coincidência, a direção do PT apresentou à Justiça eleitoral uma solicitação para que se investigue o uso de recursos não declarados na campanha presidencial do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no 2002.

   O presidente do PT, Ricardo Berzoini, pediu que retire a esse partido a atribuição de dinheiro público do Fundo Partidário, o que disse é uma resposta a igual sanção pedida contra eles pelo PSDB e o direitista Partido Frente Liberal (PFL) em julho.

   A forma em que a chamada grande imprensa se soma tendenciosamente à campanha da direita e a oposição à mostra hoje um titular do jornal Ou Globo: "PT declara guerra ao PSDB na Justiça Eleitoral", quando em realidade a guerra começou faz muito e do outro lado.

   Outra figura do PT, o prefeito do Aracajú, Marcelo Deda, perguntou-se aonde irá se parar e disse que deve recuperar uma franja para dialogar, pois "há um limite para o intercâmbio de tiros na luta política".

   "Sem limites -advertiu-, uma bala perdida pode acabar alcançando ou a democracia, ou a estabilidade econômica, ou algum importante interesse nacional".

   O governo, com apoio dos partidos aliados conseguiu evitar ontem à noite a intenção opositora de prorrogar de 11 de dezembro aos 11 de abril o trabalho de uma das comissões parlamentares investigadoras (CPI) criadas na atual crise.

   Parlamentares do PT denunciaram que os partidos opositores queriam mais tempo para seguir usando às CPI como camarote eleitoral com vistas aos comícios presidenciais de outubro do 2006, como vêm fazendo de um início.

   O exemplo mais evidente do uso eleitoral é uma CPI criada para investigar denúncias de subornos e corrupção vinculadas ao jogo ilícito, as loterias e as casas de bingo, e que, como é dominada pela oposição, usa-se para golpear a Lula, ao governo e ao PT.

   Essa CPI aprovou ontem convocar a três pessoas com esse objetivo, entre eles Ademirson Da Silva, assessor especial do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que parece estar na mira opositora depois que derrubaram ao ministro da Casa Civil José Dirceu.

   Até agora as forças de direita, procurando que não se afetem seus interesses na economia, tinham evitado o ataque direto ao Palocci, mas ontem até houve rumores de sua demissão, ao que contribuiu também uma crítica pública de outra ministra à política econômica.

   A atual titular da Casa Civil, Dilma Russef, censurou o projeto dos ministérios de Fazenda e Planejamento de fixar em 4,25 por cento para os próximos 10 anos o superávit primário, muito criticado por limitar os investimentos em altares de atender os compromissos da dívida pública.

   Mas também foram convocados um empresário que pagou um empréstimo supostamente contraído por Lula com o PT, e um irmão do mandatário ao que se acusa de tráfico de influência por "intermediar negociações entre empresas privadas e dependências federais".

   Estas ações e as denúncias infundadas da direitista revista Vexa e outros meios de similar tendência que são convertidas na verdades pela oposição para debilitar ao governo, completam o quadro de guerra total que vive a política brasileira.

   E o objetivo, confessado por mais de um dos protagonistas do impulso à crise, é debilitar tanto a Lula que não possa aspirar a ser reeleito no 2006 e, se houvesse condições, promover sua destituição.

rgc/as

Voltar