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- Prensa Latina
KR
22 de novembro de 2005
Marcha reivindicará no Brasil reconhecimento ao Almirante Negro
Brasília, 22 nov (PL) - 10 mil pessoas devem participar hoje numa marcha
nacional até a Brasília pelo reconhecimento oficial de João Cândido, o
Almirante Negro, ao cumprir-se 85 anos da rebelião que protagonizou na Marinha.
Cândido e outros 2.378 marinheiros, depois de meses de conspiração, protagonizaram
em 22 de novembro de
As vítimas destes últimos eram fundamentalmente os marinheiros negros, como o
líder da rebelião, e os procedentes do empobrecido Nordeste, tradicionalmente
tão discriminados como aqueles.
Mais de 100 entidades que lutam pela democracia racial promovem a marcha até a
Brasília, que prevê a mobilização de 230 ônibus de diversos pontos do país,
para reclamar a anistia dos marinheiros e a conseguinte atribuição de uma
pensão a seus familiares.
Um projeto a respeito, apresentado pela então senadora do Partido dos
Trabalhadores (PT) Marina Silva, hoje ministra do Meio ambiente, foi aprovado
no Senado e está pendente na Câmara de Deputados.
Os dirigentes da marcha, entre eles a filha de Cândido, Zeelandia, de 81 anos,
serão recebidos hoje pelos presidentes do Senado e da Câmara de Deputados, Renan
Calheiros e Aldo Rebelo, e pedirão a este pôr em votação esse projeto.
Zeelandia explicou que uma das dificuldades para seu pai ser reconhecido como
herói nacional é sua contemporaneidade, pois viveu até 1969, e, portanto, tem
um rosto plenamente identificável, conhecem-se seus pronunciamentos.
Adicionou que seu pai não tem uma distância histórica como Zumbi dos Palmares,
líder das rebeliões de escravos na época colonial, cuja morte completou 310
anos no domingo e em sua homenagem se celebrou o Dia da Consciência Negra.
Em sua opinião, há muitos paralelos entre a situação do negro hoje e a que
enfrentava quando se rebelou seu pai em 1910. "O negro não é agente da
história, não tem o direito de escrevê-la. À exceção de Zumbi, festejado neste
domingo, não temos heróis reconhecidos".