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22 de novembro de 2005

 Argentina cancela ao FMI 135,5 milhões de dólares

Buenos Aires, 22 nov (PL) - O governo da Argentina cancelará hoje um vencimento inadiável de 135,5 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual mantém uma relação tirante pelas exigências do organismo multilateral.
Trata-se de um compromisso de tipo obrigatório, quer dizer, não prorrogável, por isso o país sul-americano terá que liquidá-lo com recursos próprios; anteciparam fontes jornalísticas.
Para cumprir com esse compromisso, a administração do presidente Néstor Kirchner deverá recorrer a parte do superávit fiscal ou utilizar as reservas depositadas no Banco Central, precisaram essas fontes.
Em dezembro próximo, Buenos Aires deverá, além disso, quitar com o FMI o pagamento de 460 milhões de dólares para fechar o ano.
Como a Argentina permanece desde meados de 2004 sem renovar seu acordo com o Fundo Monetário Internacional, finalizará 2005 com desembolsos nítidos à entidade financeira de 1,568 bilhão de dólares.
Essa soma é similar aos abonos obrigatórios que terá que enfrentar em 2006, quando também vencem uns 3 bilhões de dólares.
Estes últimos, entretanto, são prorrogáveis por 12 meses mediante um simples pedido do governo à instituição dirigida pelo espanhol Rodrigo Momento; esclareceu o jornal portenho Clarim.
Pelo contrário, os pagamentos obrigatórios só podem ser postergados se assinarem um novo programa.
O panorama de vencimentos para 2007 é ainda mais complexo, já que há distribuições de bens obrigatórias de 4,445 bilhões de dólares; advertiu o periódico.
A intenção do Ministério argentino de Economia é desativar o que o matutino qualificou de bomba do tempo, através da assinatura de um acordo com a instituição financeira internacional.
O ministro da Fazenda Roberto Lavagna anunciou há quatro dias que Buenos Aires retomará as negociações com o Fundo em um prazo de 20 dias.
A Argentina advertiu em reiteradas ocasiões que só assinará um acordo com o FMI que respeite a essência de sua política econômica, centrada no crescimento, geração de emprego e redução da pobreza.
”Se não obtivermos um acordo razoável, seguiremos trabalhando sozinhos, como temos feito até agora”; sentenciou Lavagna.

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