Clipping
- Prensa Latina
KR
22 de novembro de 2005
Por: Marta Cabrales*
Santiago de Cuba - Se Cuba se transbordar em generosidade com a Operação
Milagre, mediante a qual recuperaram ou melhorou a visão milhares de
latino-americanos, o que não será capaz de fazer por seus cidadãos afligidos
por cegueira ou limitações visuais!
O sentido profundamente humanista da sociedade cubana se revela com particular
força na atenção que se brinda às pessoas com impedimentos físicos e entre
estas, a quem assume a existência com severas dificuldades oculares ou a falta
total dessa capacidade.
O desenvolvimento da rede oftalmológica nacional, que atualmente se moderniza e
se estende a lugares onde não se contava com esses serviços, é um baluarte
nessa insônia e permite ao país extender sua mão a outros povos para evitar que
finalizem seus dias sem ver o sol, pacientes cujas doenças são curáveis e
algumas, inclusive, sem maiores complexidades.
Os avanços no tratamento da retinosis pigmentária a partir da terapia criada
pelo doutor Orfilio Peláez, já falecido, colocam a Ilha numa vantajosa situação
frente a esse padecimento de tanta incidência.
Além do Centro Internacional da especialidade em Havana, as 14 províncias já contam
com suas respectivas clínicas.
Essa instituição é a única no mundo que conseguiu deter o avanço da enfermidade
e resultam sólidos avais a recente outorga do Prêmio Ibero-americano da
Qualidade, durante a Cúpula da Salamanca, e o fato de que pacientes de 85
nações foram atendidos ali.
Não obstante, essas realidades que situam no sistema nacional de saúde uma das
arestas básicas na prioridade estatal a cegos e deficientes visuais, há muitas
outras que na ordem social indicam esses empenhos.
O acesso ao emprego e ao estudo, a eliminação gradual de barreiras
arquitetônicas, o desfrute de atividades culturais, esportivas e recreativas, a
educação da população para uma convivência harmônica e respeitosa e a
participação comunitária, sem discriminação, são conquistas que defendem a
plenitude existencial dos cegos.
A primeira pedra dessa pirâmide se coloca precisamente durante a infância,
mediante o ensino especial que garante aos meninos com essa incapacidade ou
limitados em tal sentido, uma atenção diferenciada a suas necessidades na
aprendizagem.
Escolas dotadas com o maior equipamento e conforto possíveis, de acordo com a
realidade econômica do país, e uma força docente sensível e bem preparada,
encarregam-se de ir capinando desde os primeiros anos os tremendos obstáculos
desse cerco de escuridão.
Fazer visível o essencial
Para que tudo isso caminhe bem e se realizem outros sonhos e propósitos,
trabalha há 30 anos a Associação Nacional de Cegos e Deficientes Visuais (ANCI),
cujo VI Congresso teve lugar recentemente nesta cidade oriental.
Sua organização se deve muito pelos deficientes cubanos serem considerados pela
sociedade a partir de uma posição de compromisso e reciprocidade e não a partir
da lástima e da subestimação. A partir desta consideração e deste trabalho,
eles reclamaram uma maior entrega e participação e, por sua vez, isso lhes têm
aberto portas e levado a contribuir cada vez mais.
Durante o evento da Associação, a mensagem enviada pelo primeiro
vice-presidente cubano Raúl Castro foi outro motivo de fôlego e confiança, e
também uma força inestimável nos destinos da Revolução.
No encontro estiveram representados aproximadamente 27 mil cegos e deficientes
visuais agrupados nessa organização não governamental, que conta com filiais em
cada uma das províncias e em vários municípios.
Os participantes constataram que cresce a incorporação ao trabalho, mediante o
programa de emprego para deficientes do Ministério de Trabalho e Segurança
Social e continuam somando-se seus membros a diferentes vertentes de estudo
para superar-se na medida de suas possibilidades.
Com a premissa de ser úteis e não uma carga social ou familiar, os cegos
cubanos reconheceram tudo que se tem feito no país em busca de seu bem-estar.
Como uma maneira de fazer mais rápidas e factíveis as decisões oficiais
recolhidas em diversas regulamentações e disposições, pronunciaram-se por uma
legislação que eleve a uma fila maior essa vontade política e de governo.
Convidados da Espanha, Colômbia, Uruguai e Bélgica acompanharam os delegados e
compartilharam suas experiências após reconhecer a validez da estratégia da
Ilha na atenção aos indivíduos cegos ou com severas deficiências na visão.
Ao finalizar as duas jornadas do Congresso fez-se a luz uma vez mais para
aplainar o caminho, sem dúvida escarpado e difícil, de quem vive emboscado
pelas sombras.
Com essa acuidade treinada dos restantes sentidos e sobretudo dos sentimentos,
eles são capazes de "ver" aquilo que segundo o lúcido personagem do Saint
Exupery, é inalcançável para a vista humana.
*A autora é Correspondente de Prensa Latina em Santiago de Cuba.