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28 de novembro de 2005

 Cúpula da Europa-Mediterrânea sem consenso sobre terrorismo

Madrid, 28 nov (PL) A I Cúpula Euro-Mediterrânea fechará hoje suas portas em Barcelona provavelmente sem um consenso sobre o espinhoso tema do terrorismo pela negativa do Israel e Estados Unidos de aceitar as posições árabes.
A questão radical em que a presidência da União Européia (UE) pregou-se a esses dois governos, e tampouco reconhece à resistência à ocupação estrangeira como forma legítima de luta, um princípio básico reclamado em bloco pelos países árabes.
Como alternativa e com o ânimo de procurar um acordo com os árabes, a presidência britânica e a diplomacia espanhola expõem reconhecer o "direito à auto-determinação" como fórmula para opor-se à ocupação estrangeira, mas não enche expectativa alguma.
O problema se reflete na dificuldade para encontrar uma definição universal de terrorismo como se evidenciou este ano na Cúpula de Madrid, portanto, é absolutamente impossível que um país ocupante de outro aceite uma resolução contra a invasão.
De todas as formas o fato de não consenso, não é considerado pelos observadores um fracasso para os árabes, pois implica uma aceitação dos invasores da ilegalidade da ocupação militar e implica em conseqüência terrorismo de Estado.
A crispação é tão forte que o mais provável é que se deixe de lado o chamado Código de Conduta Antiterrorista para que não polua o desenlace da cúpula, o qual pode ser um terminante fracasso, opinam fontes diplomáticas.
Transcendeu que a Espanha tentou mediar e expôs dedicar todo o tempo que fosse necessário ao assunto até encontrar a linguagem adequada sobre o terrorismo que concilie aos duas partes, mas as discrepâncias são muito sérias para as solucionar em uma reunião.
A idéia é obter um compromisso político genérico, e em conseqüência insípido, entre todos os países que implique de algum jeito a aplicação dos princípios e o espírito do Código antiterrorista.
O mais desagradável para os árabes é que, segundo fontes diplomáticas, a posição predominante na UE segue fortemente influenciada por Israel e Estados Unidos, cujos representantes asseguram que "de maneira nenhuma sairá desta cúpula um reconhecimento à resistência".
Tanto a ausência da maioria de líderes dos 10 países da borda sul mediterrânea como a falta de consenso em matéria de terrorismo se relacionam com o escasso trabalho de preparação da cúpula da presidência britânica.
Diante de todas essas dificuldades, as delegações começaram ontem a concentrar esforços em pactuar o Programa de Trabalho a Cinco Anos, que desenvolve o plano de ação até 2010, e alcançaram consenso em comércio agrícola e serviços, em troca de não precisar calendários.
Também há acordo quanto ao início das negociações sobre a liberalização comercial de serviços, tendo em conta o protocolo do Estambul de 2004.

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