Clipping
- Prensa Latina
KR
01 de dezembro de 2005
As amazonas, fabulosas jóqueis que conquistaram a imaginação
Por: Roberto Correia Wilson*,
O povo fabuloso das amazonas viveu, supõe-se, na Antigüidade à beira do
Tempodonte (Capadocia), uma antiga região da Ásia Menor no oeste de Armênia.
Descrevem-nas como mulheres de raça guerreira que puderam existir nos tempos
heróicos. Como pode deduzir-se, de acordo com essas definições, a existência
das amazonas estaria mais perto do mito que da realidade.
Entretanto, as noções sobre essas damas mitológicas poderiam variar segundo
investigações em que se afirma que estas mulheres já podem entrar na história.
Até agora as amazonas eram personagens mitológicos que apareciam nos
baixos-relevos do Partenón, templo de Atenas, na Acrópoles, consagrado à deusa
grega Ateneu.
Apesar de ter sido descritas por Heródoto (historiador grego 484-420 a.c), que
sustentava que tinha encontrado a estas mulheres guerreiras na borda norte do
Mar Negro no ano 450 a.c, não existia evidência histórica de sua existência.
AS EVIDÊNCIAS
Graças ao descobrimento de umas tumbas femininas perto da cidade russa da
Pokrovka, datadas entre o 600 e o 200 a.c. o mito parece confirmar-se. A
arqueóloga Jeaninne Davis-Kimball, do Centro de Estudos Nômades da Eurásia na
Universidade de Berkeley, Califórnia, assegura que as armas achadas junto aos
corpos assim o indicam.
Primeiro, porque os punhos são muito pequenos, como forjadas a propósito para
mãos femininas; segundo, porque as armas não podiam ser de caça, mas sim de
guerra. A arqueóloga afirma que os povos nômades da zona eram pastores e não
caçadores.
Essas são as evidências que contribui com Kimball, as quais confirmariam o
mito, embora não convenceram totalmente a outros estudiosos sobre o tema.
As ilustrações que usualmente acompanham os textos sobre amazonas mostram
mulheres decididas e enérgicas, com suas armas em punho, prontas para o combate.
Essa é a contribuição da imaginação universal sobre estas fêmeas guerreiras.
AMAZONAS na América
A América Latina é a região onde o mito das amazonas deixou um dos rastros mais
perduráveis. As legendárias mulheres deram nome ao mais abundante rio do mundo
e a maior concha hidrográfica do planeta.
Assim resultou, porque os exploradores da América acreditaram encontrar
mulheres semelhantes nos territórios que foram descobrindo. Tal foi o caso do
rio Amazonas.
O nome veio obedecer ao religioso espanhol Gaspar do Carvajal (1500-1584), que
acompanhou ao capitão e explorador da mesma nacionalidade Francisco da
Orellana. Ambos participaram da expedição encabeçada pelo Francisco Pizarro que
conquistou o Peru.
Depois de separar-se de Pizarro, Orellana à frente de 57 homens seguiu o curso
do rio Napo até chegar ao rio que Carvajal denominaria Amazonas em 12 de
fevereiro de 1542.
Durante a travessia, a comitiva da Orellana sustentou enfrentamentos com a
população a Índia nativa. O religioso Carvajal, atacado de delírios
mitológicos, supôs que esta expedição liderada por Orellana tinha guerreado com
fabulosas amazonas.
Dessas fabulas criadas pela mente de Carvajal, surgiu o nome do rio que os
povos que habitam em suas margens denominam "rio oceano".
As fabulosas guerreiras também contribuíram com seu nome à concha hidrográfica
da Amazônia, que abrange uns sete milhões de quilômetros quadrados repartidos
entre o Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru.
Existiriam na realidade as amazonas, conforme assegura a investigadora Kimball,
ou continuarão como um mito? Novas investigações dirão a última palavra. De
todas formas, as fabulosas guerreiras seguirão cativando a imaginação de
gerações em todo mundo.
*O autor é jornalista cubano. Colaborador de Prensa Latina.