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- Prensa Latina
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02 de dezembro de 2005
Aliados dos EUA se separam do Iraque
Por: Jorge V. Jaime
Redação Central, 2 dez (PL)- As cornetas de retirada ressoam hoje para as
tropas estrangeiras associadas ao Exército dos Estados Unidos no Iraque. O
Pentágono poderia sofrer breve a retirada de 15 mil soldados aliados.
Durante as últimas semanas os governos da Itália, Japão, Bulgária,
Grã-Bretanha, Ucrânia, Austrália, Polônia e Coréia do Sul anunciaram a
possibilidade de reduzir drasticamente o número de seus efetivos militares no
país asiático.
A tenor de tal revelação, analistas da imprensa nacional afirmam que esse fato
significa o reordenamento da coalizão de forças que secundou a Washington em
sua agressão contra o governo do Saddam Hussein em 2003 e posterior ocupação do
Iraque.
Nos meses seguintes à invasão, o exército interventor somava 300 mil homens de
38 países, mas atualmente o respaldo à política bélica da Casa Branca se traduz
em 24 mil recrutas não combatentes, de 27 nações.
Isto é outra má notícia para o presidente George W. Bush, ao tempo que se
multiplicam as pressões de personalidades e da cidadania nacional em reclamação
de uma imediata retirada das tropas americanas, resumiram observadores.
Por agora, Bulgária e Ucrânia indicaram que suas unidades no Iraque -uns mil e
250 soldados- retornarão este mesmo mês. O resto dos países apresentaram um
programa de diminuição de forças militares que começará no início do novo ano.
Segundo os peritos, a comoção pelos mais de dois mil e 100 soldados americanos
mortos e os 16 mil feridos excedeu as fronteiras norte-americanas e impactou em
outras latitudes.
Terence Taylor, especialista do Instituto de Estudos Estratégicos de
Washington, comentou no jornal Houston Chronicle que a opinião pública nestes
países está profundamente dividida. O descontentamento lhes chega do mesmo
interior dos Estados Unidos, consignou.
Já do longínquo 2003 analistas militares norte-americanos auguraram o fracasso
da ocupação estrangeira do Iraque, e prognosticaram que a insurgência armada
aumentaria paulatinamente.
Dois peritos do exército americano vaticinaram que haveria um caos na nação
asiática logo depois da invasão estrangeira. Washington poderá ganhar a guerra,
mas perderão a paz, disseram os especialistas.
Os analistas Andrew Terrill e Conrad Crane predisseram, além disso, que
garantir a estabilidade política no país árabe seria muito difícil, e
advertiram sobre as conseqüências negativas de desarticular o exército
iraquiano da época de Hussein.
A Casa Branca deveria reduzir suas expectativas sobre o futuro político do
Iraque, e aceitar um governo relativamente estável, como alternativa preferível
a uma guerra civil, concluíram Terrill e Crane.
Do mesmo modo, o representante democrata John Murtha predisse esta quinta-feira
que as tropas norte-americanas retornarão do Iraque antes do prazo de um ano,
porque o Exército dos Estados Unidos está simplesmente arruinado, sublinhou.
Murtha, o democrata de maior categoria na Comissão de Defesa da câmara baixa,
qualificou de precária a estabilidade política dessa nação e apontou que os
militares iraquianos nem sempre compartilham informação de inteligência com o
comando americano.
O legislador de 73 anos de idade e galardoado ex-combatente do Vietnã
prognosticou a explosão de uma guerra
civil, por causa das rivalidades entre as diferentes etnias sunitas, curdos e
chiítas.
John Murtha admitiu que se equivocou no princípio quando votou a favor da
agressão contra Bagdá. “Cometi um engano faz dois anos, mas agora urge
preocupar-se com o futuro de nossas forças armadas, demarcou”.
Afligido pelas críticas populares, o presidente Bush defendeu em quarta-feira
passada o que chamou seu "Plano para a Vitória" no Iraque, em um
discurso no qual descartou um retorno das tropas americanas no curto prazo.