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- Prensa Latina
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02 de dezembro de 2005
Forças Armadas Revolucionárias, 49 anos defendendo a Cuba
Por: Alfredo
Boada
Havana, 2 dez (PL) As Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, nascidas depois
do desembarque do iate Granma que trouxe para a ilha em 1956, Fidel Castro e 81
combatentes para iniciar a Revolução cubana, fazem hoje a seu 49o
aniversário.
A ocasião coincide com a comemoração de uma extraordinária epopéia de
solidariedade e altruísmo, tanto faz 30 anos milhares de cubanos foram em
defesa de Angola, país que se libertava do colonialismo e inaugurava sua plena
independência.
Cuba não só brinda ao Terceiro Mundo com a ajuda solidária de seus médicos,
enfermeiras, professores, engenheiros e técnicos; países como Guiné Bissau,
República Democrática do Congo, Etiópia e Angola conheceram a solidariedade dos
combatentes cubanos.
Em Angola, o Movimento Popular para a Libertação desse país (MPLA) lutou mais
de uma década contra o colonialismo português, e em 11 de novembro de 1975 era
a data para proclamar o nascimento da república africana.
Interesse estrangeiros, com a cumplicidade de organizações
contra-revolucionárias vinculadas a colonialistas, a África do Sul racista e a
Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, forjaram escamotear
a vitória do MPLA e frustrar a independência.
A Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA), aliado da CIA e do Zaire
do Mobuto Sese Seko; e a União Nacional para a Independência Total de Angola
(UNITA), em seu papel de mercenário da África da Sul, arremeteram contra o
MPLA.
Assessores da CIA participaram do terreno de operações, como confirmação do
conluio de Washington com o sistema de apartheid. Henry Kissinger, em pessoa,
dirigia as ações em apóio ao FNLA e a UNITA.
Começou assim a invasão estrangeira ainda antes de ser proclamada a República
Popular de Angola, extenso território de mais de um milhão de quilômetros
quadrados, e situado na região ocidental do África austral.
Tropas zairenses com blindados, mercenários portugueses, hostes do FNLA e
oficiais sul-africanos, assim como paramilitares da CIA ameaçavam a Luanda do
norte, objetivo também da operação Savannah lançada do sul pelos racistas
sul-africanos.
Esse agrupamento iniciou um rápido avanço para o norte e ocupou importantes
cidades a seu passo, aproveitando a supremacia em blindados e artilharia.
Os invasores encontraram resistência organizada, pela primeira vez, em 2 e 3 de
novembro. Instrutores militares cubanos e seus alunos angolanos fizeram frente
à coluna blindada sul-africana.
Nos últimos meses de 1975 um pequeno grupo de chefes e oficiais das FAR recebeu
a encomenda de preparar aos efetivos do MPLA para rechaçar a agressão e, de
produzir-se, assessorá-los durante os combates.
Quase meio milhão de militares cubanos partiram em 1975 para Angola para
contribuir a preservar a incipiente independência dessa nação e sua integridade
territorial.
Aquela epopéia contribuiu, ao final, à vitória da Organização do Povo do África
Sul-Ocidental (SWAPO) e a independência da Namíbia, e a pôr fim ao regime de
apartheid na África do Sul.
Ficava em marcha a Operação Carlota, em comemoração a uma escrava africana,
supostamente chegada à ilha do atual território angolano, quem comandou uma
insurreição durante o colonização espanhola.
Vitoriosas batalhas como Cabinda, Quifandongo, Cangambá e Cuito Cuanavale
derrotaram a Pretoria e a obrigaram a iniciar as negociações de paz que
conduziram à plena soberania de Angola, a independência da Namíbia e o fim do
Apartheid.
O povo cubano junto aos combatentes angolanos e namíbios, e os patriotas do
Congresso Nacional Africano, trocaram para sempre a história do cone sul
africano.
Aqueles golpes sacudiram os alicerces do sistema de apartheid e os barrotes que
encerravam a milhões de seres humanos na África do Sul.
Os cubanos foram à África e a Angola a cumprir com um princípio, o do
internacionalismo e da solidariedade, até em 25 de maio de 1991, data em que os
últimos combatentes cubanos retornaram.
Impregnados no princípio do internacionalismo, na distante a África lutaram
durante 15 anos, 9 meses e 26 dias que durou a operação Carlota 300 mil homens
e mulheres cubanos que responderam voluntariamente ao chamado libertário da
terra de seus ancestrais.
Desde lá só trouxeram o dever completo e seus honrosos mortos, cujos nomes hoje
levam escolas, hospitais e centros trabalhistas da ilha.