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- Prensa Latina
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06 de fevereiro de 2006
América Latina: realidades e prognósticos
Por: Jaime Porcell
Havana, 6 fev (PL) América Latina, com prognósticos de
um
crescimento econômico superior aos quatro por cento no
2006, enfrenta uma histórica distribuição da riqueza que nega a realidade
material desse prognóstico para a região.
Com motivo de
celebrar-se em Cuba o VIII Encontro sobre
Globalização e Problemas do Desenvolvimento, o dado
demanda a análise de outros indicadores e sintomas econômicos, para evitar
interpretações equivocadas.
A
predominante desigualdade de ganhos e de acesso a serviços decisivos para o
verdadeiro desenvolvimento, como são a educação, saúde, água e eletricidade
persiste nos países da região junto à pobreza das zonas rurais.
Segundo
estudos do Banco Mundial, da década dos
anos 70 a desigualdade na América Latina e no Caribe é superior em 10 pontos a
da Ásia e 20 em relação a Europa Oriental.
Há anos se
conhece que mais da metade da população da região vive abaixo da linha de
pobreza, ou seja, não conta com os recursos básicos para assegurá-la moradia e
os mantimentos.
Outro sinal
desalentador é a enorme brecha entre a cidade e o campo, quando as maiores
riquezas potenciais se concentram precisamente na agricultura.
O campo é o coração da economia da região,
entretanto o predominante é o abandono e a miséria nas enormes extensões de
terra sem aproveitar.
Ausência de
investimentos, emigração para as cidades, latifúndio, perda de incentivos nos
mercados internacionais, redução progressiva do grupo de camponeses, terras em
poder de grandes empresas transnacionais, todos são sintomas alarmantes.
Com a pobreza
do campo aumenta o desemprego nas cidades e também a violência, a excessiva
concentração da população, o surgimento de bairros pobres e sem saneamento e a
pressão sobre os serviços indispensáveis para zonas de alta densidade
demográfica.
Os
indicadores macroeconômicos podem aparentar excelente saúde, inclusive a
inflação, mas a realidade está na rua, nos lares, nos estômagos devidamente
alimentados, nos produtos da cesta básica
ao alcance das populações.
Fatores de
junta no comércio internacional, favoráveis à região nos dois últimos anos,
como um maior comércio com os Estados Unidos e China, contribuem à miragem do
crescimento.
Tomados em
conjunto, os produtos e serviços exportados desfrutam de melhor preço que os
importados, especialmente o petróleo eos metais, mas, aonde foram parar os
lucros?
A dívida
externa e os interesses que gera, a fuga de capitais e utilidades para a
América do Norte e Europa, e a corrupção, representam muito mais que cambiantes
situações de preços e mercados.
Há anos a
dívida externa da maioria dos países latino-americanos absorve mais de 40 por
cento do Produto Interno Bruto (PIB).
Embora os
dados do PIB fossem indubitáveis, sem dupla contabilização, com irreprocháveis
dados do consumo privado e público, a distribuição da riqueza é determinante.
Uma economia,
muito mais se se tratar de um continente com países de diversas características
e produções básicas, resulta difícil de avaliar a partir de um só índice, são
necessários muitos elementos.
E como é
evidente na América Latina, o suposto crescimento é aparente, se se referir a
um só um indicador, porque se sustenta somente em um dos muitos pontos de
partida para uma análise econômica integral.
ga/jpp/mem