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02 de fevereiro de 2006

Confirmam vôos da CIA no Reino Unido       

Londres, 2 fev (PL) O Serviço de Tráfico Aéreo britânico confirmou a realização por dois aviões a serviço da Agência Central de Inteligência (CIA) de vários vôos nos últimos cinco anos com supostos terroristas a bordo.

   De acordo com essa fonte, citada pelo jornal The Guardian, um avião Gulfstream, com matrícula N379P, e um Boeing 737, com o número N313P, efetuaram aterrissagens em aeroportos britânicos e cruzaram o espaço aéreo deste país.

   O anúncio dessa dependência da aeronáutica respondeu a uma demanda do líder em funções do opositor partido Liberal-Democrata, Menzies Campbell, de investigar as atividades da CIA nesta nação, como parte da chamada operação Rendition.

   Mediante esse método, essa agência de espionagem seqüestrou a pessoas que considerou suspeitas de atividades terroristas, transladou-as em aviões a centros de detenção secretos e as interrogou com o uso de técnicas de tortura.

   O governo trabalhista do primeiro-ministro Tony Blair deveu reconhecer a existência de dois desses vôos e esclareceu que se realizaram em 1998, embora a imprensa se referiu a quase uma centena de viagens desse tipo.

   Meios de difusão locais denunciaram que os vôos tiveram lugar entre 2002 e no ano passado, quando o jornal The Washington Post publicou as atividades da CIA na Europa e una a lista de países com cárceres secretos, incluído na Polônia e Rumania.

   No momento, as autoridades britânicas rechaçaram oferecer explicações sobre os detalhes das pessoas que a CIA transportou nesses vôos.

   A Comissão Européia chegou a ameaçar aplicando sanções a países da região que lhes comprovasse a existência em seu território de campos de concentração para os detidos da entidade de inteligência norte-americana.

   Um memorando versado em dezembro passado por um funcionário da chancelaria britânica a outros do escritório do chefe de governo chamava a guardar silêncio sobre os detalhes dos vôos, embora aconselhou manter o debate sobre o tema como fachada.

   Essa comunicação chamava a fugir do assunto diante da demanda dos parlamentares para conhecer se Grã-Bretanha permitiu o transporte por seu território de pessoas às quais lhes foram violados seus direitos fundamentais, recolhidos em convenções européias.

   Referida-a missiva reconhecia que o método do Rendition aplicado pela CIA desconhecia as regulações internacionais sobre tortura e de direitos humanos vigentes na Europa.

   Além disso, admitia que o governo carecia de informação sobre o paradeiro das pessoas que as forças do Reino Unido ajudaram a prender no Afeganistão, atacada pelos Estados Unidos em outubro de 2001, e no Iraque, agredida em março de 2003.

lac/to

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