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- Prensa Latina
KR
03 de fevereiro de 2006
Blair enganou a britânicos com a guerra no Iraque
Madrid, 3 fev (PL) O primeiro-ministro do Reino Unido,
Anthony Blair, enganou ao povo britânico com a guerra no Iraque, ratificou hoje
Philippe Sands, um advogado da Rainha e professor de Direito Internacional do
University College.
Em uma
entrevista ao jornal espanhol El País assinada por seu enviado especial a
Londres, Sands, quem forma parte do mesmo escritório de advogados que Cherie
Booth, a esposa de Blair, apresenta nesta sexta-feira uma nova versão de seu
revelador livro Lawless World (Um mundo sem lei).
O autor admite
que até agora resistia a qualificar de enganosa a conduta de Blair em relação à
guerra do Iraque. "Minha resistência tinha que ver com uma deformação
profissional. Como advogado precisa ter todas as provas. Mas acredito que
avancei".
"As
notas internas com as que contei me permitem afirmar que Blair enganou ao povo
britânico. Decidiu ir à guerra junto a (o presidente norte-americano George W.)
Bush e logo procurou, sem as encontrar, as provas para justificá-la",
adicionou.
Explicou
que o Primeiro-ministro britânico decidiu não solicitar um juízo jurídico sobre
a legalidade da guerra ao advogado do Estado, Lorde Goldsmith, até o final, no
início de março de 2003.
Enviou-
primeiro a Washington para que assessores de Bush como Alberto Gonzáles (atual
fiscal geral) abrandassem-lhe. Lorde Goldsmith retornou a Londres mais brando,
mas não de tudo. Sua opinião de 7 de março sobre a legalidade da guerra sem uma
segunda resolução é claro: não será legal, indica.
Qual era o
problema?, pergunta-se o advogado. Que os chefes militares britânicos exigiam
uma garantia de legalidade antes de dar o sim a Blair. E por essa razão este
teve que trocar ess idéia mediante
argúcias em 13 de março de 2003, escreve.
Sands
assegura que a nova versão de seu livro joga mais luz sobre a farsa. "Que
a guerra foi decidida muito antes das armas de destruição maciça era algo que
eu mesmo tinha contribuído em minha primeira versão. Mas agora é mais claro que
Blair atuou friamente", assinala.
Não tinha nenhuma
dúvida sobre a inexistência das armas de destruição maciça. Não atuou por dados
enganosos. Foi uma atuação concientizada junto a Bush, afirma de forma
categórica.
A segunda
resolução, que tanto Blair como o então presidente do Governo espanhol, José
María Aznar, recomendavam, "era parte da montagem", pergunta o
jornalista e o aludido responde de maneira cortante:
Absolutamente. É o que tento demonstrar. A segunda resolução era uma
tentativa de encobrir a ficção, de enganar massivamente ao Conselho de
Segurança. E o relatório que obtive mostra até que ponto estavam desesperados
ao ter as mãos vazias, ao carecer de provas, responde.
Esse
desespero, ratificou, leva Bush a pensar em enviar aviões pintados com as cores
da ONU para que Sadam caísse na armadilha e os atacasse. Diz a Blair e este não
diz nada.
Sands
admite que suas revelações não terão neste momento conseqüências. O advogado
está convencido de que quando Bush e Blair deixarem seus governos, altos
funcionários darão um passo à frente e tirarão mais documentos e contarão
histórias que agora, por temor, calam-se.
lac/Lma