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- Prensa Latina
KR
06 de abril de 2006
Termina lua de mel da oposição com Bachelet
Santiago do
Chile, 5 abr (PL) O repúdio do Senado a ascensão do juiz Carlos Cerda para
integrar a Corte Suprema marca o fim da curta lua de mel da oposição
ultraconservadora com a presidenta Michelle Bachelet.
Se bem que a proposta foi originalmente
apresentada pelo ex-presidente Ricardo Lagos poucas semanas antes de deixar La
Moneda, Bachelet a ratificou e seus ministros fizeram uma forte campanha entre
os legisladores opositores.
A petição necessitava do voto favorável de
25 senadores, cinco deles da Aliança, mas em virtude das gestões empreendidas
pelo Executivo através do ministro da Justiça, Isidro Solís, e da secretária
geral da Presidência, Paulina Veloso, isto não foi possível.
Dos 38 congressistas 21 se mostraram a favor
de ratificar o magistrado, 16 o fizeram contra e o independente Carlos Bianchi
fez abstenção. Alberto Espina foi o único senador da Aliança pelo Chile que se
mostrou favorável à nomeação.
Ainda assim os legisladores da oposição
criticaram "as más qualificações de"
Cerda, uma marcada tendência política e "conflitos pessoais"
que não o fazem merecedor de integrar o
máximo tribunal de justiça, o motivo fundamental foi dar um sinal ao
governo.
Pelo contrário, a bancada na Câmara Alta da
coalizão governante ressaltou em pleno a valentia do magistrado em tempos
difíceis da ditadura militar, e que havia seguido adiante com sua vertical
conduta em defesa dos direitos humanos.
Cerda esteve a ponto de ser expulso da Corte
Suprema em 1986 por acusar ao então comandante chefe da Força Aérea, Gustavo
Leigh, e a uns 20 membros do Comando Conjunto do regime militar pelo
desaparecimento de um grupo de dirigentes comunistas.
Em um valente gesto de profissionalismo, o
magistrado se negou a cumprir a ordem do máximo tribunal, que lhe obrigava a
aplicar a lei de anistia aos repressores, por isso foi suspenso de seu cargo
por dois meses e teve seu salário reduzido pela metade.
Em 1991 esteve outra vez à beira de uma
expulsão pelo mesmo caso, decisão que foi reconsiderada logo que Cerda realizou
uma petição ao máximo tribunal: "Talvez seja diferente. Melhor difícil. A
vossos olhos, provavelmente arrogante e algo mais", disse então.
O juiz havia começado a investigação no ano
de 1983 e conseguiu estabelecer a existência do Comando Conjunto. Havia
processado a 40 pessoas, 2 civis e 38 uniformados, entre eles o ex-comandante
chefe da Força Aérea, Gustavo Leigh.
Sua rebeldia neste e em outros casos, em uma
corte dominada por magistrados identificados com a ditadura militar, lhe
valeram baixas qualificações profissionais, argumento esgrimido agora por
legisladores ultras para opor-se a seu ascenso.
Porém, mais além da justificação, a Aliança
pelo Chile -que integram a União Democrata Independente (UDI) e Renovação
Nacional (R)- havia deixado claro que pretendia fazer sentir sua relevância no
Congresso.
O senador Jovino Novoa (UDI) asseverou que
"a votação não só se refere à pessoa proposta, como à decisão (proposta)
do Executivo, que em sua opinião "foi injusta e arbitrária".
O timoneiro do partido ultraconservador já
havia oposto antes a comissão especial designada por Bachelet para analisar
trocas no sistema eleitoral binominal, um de seus projetos mais emblemáticos, e
advertido de que a oposição de participar desse grupo de trabalho.