T E X T O S
HÉLIO FERNANDES
21 de novembro de 2005
A paixão-ambição desvairada de FHC
E a admiração pelo enterro de Kennedy
FHC cada vez mais ridículo, tolo e vazio. Na convenção do PSDB, entre uma ida e outra ao banheiro, desfechou, aos berros: "Já ganhei do Lula duas vezes e posso ganhar novamente". Dupla surpresa para todos.
1 - Porque lançava a própria candidatura sem consultar ninguém, e sem ser o candidato natural do partido. Mas ele não liga, sua vaidade e sua ambição são arrasadoras, naturalmente para ele. Mas não se incomoda, não se constrange.
2 - Todos se lembram da dificuldade de FHC para ganhar do Lula. Em 1994 o próprio FHC, convencido de que não venceria o Lula, comandou o movimento para reduzir o mandato de 5 para 4 anos. Se tivesse confiança, não faria isso.
Acabou vencendo, para espanto dele mesmo. Em 1998, depois de COMPRAR e PAGAR a primeira reeeleição da nossa história, estando no Poder e com toda a força do Poder, continuou, lógico. Favorecido ainda mais pela farsa do real.
E FHC ainda acrescentou: "Queremos Lula no governo para derrotá-lo. A recíproca é verdadeira. Lula será candidato, certíssimo. Mas se não fosse, e pela hipótese absurda o PSDB lançasse FHC, aí o Lula disputaria mesmo.
Terminada a reunião para a posse de Tasso Jereissati, o PSDB só tinha um assunto: FHC e sua voracidade em se lançar candidato a presidente da República. Entre uma ida e outra ao banheiro, a ambição.
Unanimidade do partido: para FHC enfrentar Lula agora em 2006, é imprescindível que Alckmin, Serra e Aecio façam um acordo. Qual? Só disputarem a sucessão em 2010. O que é dificílimo, são três paralelas que se encontram no calendário, de agora ou de depois. Dos 3 o que tem menos a ganhar (ou a perder?) com o adiamento seria Alckmin.
De qualquer maneira o PSDB vai girar em torno deles, e dessa concordância-discordância poderia surgir o nome de FHC para 2006. Só nessa hipótese, inimaginável agora, mas que não é impossível. Impossível é FHC ganhar, daí essa espécie de concessão à expectativa de uma volta dele. E mesmo que numa hipótese estrambótica, que palavra, FHC ganhasse em 2006, não estaria na sucessão de 2010.
Por dois motivos principais.
Estaria então com 80 anos, nenhuma imaginação se satisfaria com essa longevidade. E mesmo que essa longevidade resistisse, se transformaria numa espera angustiante e não prorrogável. Por causa da nova catástrofe de outro período FHC. Se muito mais moço seu governo foi revoltante, por que esperar alguma coisa de um FHC decadente?
Haja o que houver, o PSDB gira em
torno de Serra, Aecio e Alckmin. Serra pela insistência depois de derrotas que
pareciam irrecuperáveis. Aecio pela herança e pela conquista. Alckmin, pela
herança não familiar como Aecio, mas pela proximidade com Covas, de quem
recebeu tudo, mesmo que não deixado
Serra em 2002, "minha vez é agora, estou com 60 anos", adiou tudo para 2010, estará com 68. Pode tentar 2006, 64 anos, mas terá que ficar na prefeitura apenas 15 meses, muito pouco para quem garantiu 48 meses. Como Serra só acredita em pesquisa, a última palavra será dada por Carlos Augusto Montenegro, do IBOPE.
Aecio Neves não prometeu nada, não se comprometeu em deixar o governo de Minas, pode escolher: a reeeleição como governador aos 46 anos ou a tentativa presidencial nesse mesmo 2006, ganhando ou se tornando invencível para 2010. Dos três é o que pode apostar mais forte no futuro.
E finalmente Alckmin, que vem "disputando" eleição desde 1994, escondido atrás de Covas. 1994, 1998, só em 2002 foi eleito sozinho, mas já inconstitucionalmente. Depois de tudo isso, não se transformou em nome nacional, nem mesmo estadual, desconhecido até mesmo no Brás, Bexiga e Barra Funda.
PS - Esse o quadro melancólico para a sucessão. O PFL nem tenta esconder: não possui candidatos. O PMDB, mergulhado na obsessão da vice, tem que escolher entre 13 nomes, alguns impossibilitados pela burríssima coincidência de mandatos.
PS 2 - Só quem tem mesmo candidato é o PT-PT, ou melhor, é o Lula sem legenda. Não precisa do partido, já não tem a própria, mas é candidato inarredável.
Michel Temer
Correto, discreto, sem
participação
O ministro da Fazenda nem precisará de olheiros ou intermediários para saber que terá que depor numa CPI. Hoje, quando estiver conversando, AMIGAVELMENTE, na Comissão de Finanças da Câmara, saberá que foi convocado pela CPI dos Bingos, HOSTILMENTE. De corpo presente (ao contrário dos prefeitos de Santo André e de Campinas), Palocci já poderá ir imaginando o tormento pelo qual passará. E pensar (?) no que dirá.
Palocci não é nenhum gênio mas também não tem um QI tão baixo assim. E sabe de ciência certa que não levará a vida fácil (da mais antiga das profissões) que levou no Senado. Não escapa, embora não deixe o cargo.
Lula não vai tirar Palocci agora, faltam apenas 4 meses e meio para a desincompatibilização de 30 de março. E a convicção no Planalto-Alvorada é esta: Palocci disputará algum cargo em 2006, nem que seja o de deputado.
A intimidação de Palocci, "sou insubstituível", também não assusta ninguém no PT-governo. Até mesmo do FMI e do BID já mandaram dizer: "Insubstituível só o superávit primário, os juros e a `dívida'". E nessas coisas sagradas Lula não mexe, sabe o que representam.
Convocado para uma CPI (deve ser a dos Bingos a primeira, depois irá passando de mão em mão no roteiro da vida fácil), Palocci quer que a data seja a mais distante possível. Com duas satisfações.
1 - Amanhã a CASSAÇÃO do AMIGO Dirceu pelo conjunto da obra.
2 - Depois de amanhã, o começo do processo de CASSAÇÃO contra o AMIGO João Paulo, nào pelos 50 mil do Rural. E sim pelos 20 milhões da Câmara que deu a Marcos Valério. O ministro tem certeza, sabe que essas AMIZADES são improrrogáveis.
Hoje, no circuito Laranjeiras-Guanabara, ninguém é mais citado ou tem mais prestígio do que o novo "rei das quentinhas", de nome aristocrático, Artur Cesar Menezes Soares. Nem Dona Ana Paula nos áureos tempos.
Admitia-se que sempre, antes de Mateus, com Mateus e depois de Mateus, ninguém se colocasse acima do Detran. Que esperança. E Jair Coelho era um miserável perto da aristocracia financeira do novo rei. Que República.
O PMDB e seus 3 poderosos grupos estão se unindo, pelo menos na aparência. Trata-se da prévia para discussão do candidato a presidente.
Tinha-se como certo que essa prévia seria entre janeiro-fevereiro. Agora, pela força dos governadores, deve ser transferida para depois da desincompatibilização de 30 de março. Ficará para maio-junho.
Lógico que também não será uma decisão aberta, consensual ou unânime. Sofrerá influência dos governadores. Como escolher candidato em janeiro, muito antes de março? E o PMDB não quer candidato próprio.
Anthony Mateus, que tinha poucas
chances, com a INELEGIBILIDADE perdeu todas. Por causa do espetáculo vergonhoso
dos
O ex-governador falava muito nos 15 milhões de votos que teve em 2002. Já não tem nem a metade. E Michel Temer, que fez jogada habilíssima se transformando em porta-voz de Mateus, já está bem longe.
Tem como prioridade unir o partido em torno de sua candidatura a presidente da Câmara. Em 2007, claro, mas é amanhã. E atendeu sem qualquer lamento a exigência: "Não se fala mais em Garotinho presidente".
A manchete da Folha é rigorosamente verdadeira e também rigorosamente vergonhosa para qualquer presidente da República: "Lula usa Dilma para reduzir superávit". Nada surpreendente para quem tanto exaltava Palocci.
E atinge o próprio Lula no coração: então o presidente ainda não percebeu que esse superávit é que o iguala e o compara a FHC? Inacreditável.
Esse superávit primário desvia mais ou menos 66 BILHÕES de reais para garantia do pagamento de juros. Em 181 países só o Brasil adota esse superávit primário. Quer dizer: receita e despesa, EXCLUÍDOS os juros.
Delfim Neto esteve no Rio, estava desconsolado. É que antes de viajar recebeu a notícia: Palocci não vai sair. E se sair, será substituído por um burocrata.
Respondeu sem o menor receio: "E eu, não sou burocrata?" É mas de luxo. E aos 78 anos precisa coragem para convidá-lo. E lógico que Delfim aceita.
Cavaco e Silva e Mario Soares disputam acirradamente a presidência de Portugal, em crise impressionante. Como sabe que Mario Soares tem grande penetração no Brasil, Cavaco e Silva passou quase uma semana aqui. Voltou satisfeito. Os portugueses do Brasil influem a eleição.
Pesquisas confiáveis concluem três coisas. 1 - Lula mantém o eleitorado da classe mais pobre desinformado e que recebe miséria a título de política social. 2 - Perdeu uma parte grande da classe média. 3 - Não foi atingido na elite.
Análise deste repórter. É possível que tudo isso esteja realmente certo. O maior problema de Lula: a devastação da campanha eleitoral. O que hoje é visto na televisão fechada estará em todos os lares em 2006.
Waldemar Costa Neto, que renunciou para não ser cassado (royalties para ACM-Corleone), quer demonstrar que apesar de não ser mais deputado continua com prestígio. No PL e ultrapassando para o governo.
Continua tendo acesso fácil ao próprio Lula, presidindo o PL e fazendo indicações. Mesmo desagradando a bancada e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que aparentemente representa o PL.
Agora quer fazer diretor geral do Denit o amigão Mauro Barbosa da Silva. Este foi chefe de gabinete do ministro do Turismo, Carlos Melles, então no PFL. Os parlamentares nem foram consultados.
O ministro, esse nem conhece o tal engenheiro. E quer nomear para o Denit um funcionário de carreira do próprio órgão. Seria uma forma de prestigiar a classe. A bancada do PL garante que não aceita a indicação de Costa Neto e sua atuação como xerife.
Perguntinha ingênua: como é que um deputado que renunciou para não ser cassado continua presidente de partido? Não é contradição? E Costa Neto não pode se queixar: renunciando, confessou tudo.
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O ego colossal do Parreira não liga nem se aborrece com o formidável desprazer do constrangimento ou do ridículo. E diz na televisão: "Vou torcer para o Brasil pegar uma chave bem fraca". Além da bobagem, o desconhecimento.
Todas as chaves são iguais, por causa da grande invenção do "sorteio dirigido". Se não fosse isso, não haveria competição. Cairiam digamos na mesma chave Brasil, Argentina, Itália e Alemanha, duas das maiores seleções cairiam fora. Somem a isso as outras 7 chaves.
Cada chave tem uma seleção muito forte, geralmente um ex-campeão mundial. Como são só 7, entra um outro igual.
Depois, uma seleção mais ou menos, a terceira não tão forte, e a quarta, Trinidad e Tobago, Austrália ou Angola. E ponto final.
Desde 1930, disputando todas as Copas, o Brasil só saiu na primeira fase uma vez: na Inglaterra, em 1966.
Portanto, apesar de ter o melhor, o mais confortável e o mais bem pago emprego do mundo, Parreira podia pensar antes de falar.
A propósito: Parreira foi ver anteontem o jogo Real Madri-Barcelona. Pra quê? E com dinheiro do torcedor. Que empregão enganador.
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