ESPECIAL

 

04 de novembro de 2005

Jorge Lezcano Pérez


CUBA

46 anos de bloqueio imperial  e 18 meses de plano  Bush                                                                                                             

Por Jorge Lezcano

Agora em novembro, a Assembléia Geral das Nações Unidas, discutirá e votara uma resolução apresentada pelo governo da Republica de Cuba “necessidade de por fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra cuba”.

Como se expressa na introdução do informe que o governo cubano apresentou a ONU, o bloqueio imposto a nosso país por dez administrações norte americanas, alem de ser um ato de guerra econômica, qualifica como um ato de genocídio. Constitui, igualmente um componente fundamental da política de Terrorismo de Estado que, de forma silenciosa, sistemática e desumana o governo do presidente Bush aplica contra o povo cubano.

Apesar do que foi em 3 de fevereiro de 1962 quando o presidente John Kennedy assinou a ordem executiva que decreta formalmente o bloqueio total do comercio entre os Estados Unidos e Cuba, o certo é que poucas semanas depois de 1 de janeiro de 1959 já haviam sido tomadas algumas medidas de bloqueio contra o governo cubano.

Desde então, o dano econômico é direto, causando a nosso país, considerando cálculos conservadores preliminares supera os 82 bilhões de dólares. O prejuízo ocasionado no ultimo ano passou de 2 bilhões e 764 milhões de dólares.

Insatisfeito com o dano e o sofrimento causado ao povo cubano, o governo dos Estados Unidos endureceu o bloqueio durante o período de 2004 e 2005, das novas medidas destacam-se algumas como:

Em julho de 2004, o cumprimento da proclama 7757 do presidente George W.bush, o serviço de guarda-costeiras promulgou novas regulamentações que estabelecem restrições para a saída de embarcações de lazer que tenham a pretensão de entrar em águas cubanas. São previstas sanções de 25 mil dólares ou cinco anos de prisão ou ambas, assim como a confiscação das embarcações dos infratores.

A reserva federal dos Estados Unidos impulsionou em maio de 2004 uma multa de 100 milhões de dólares ao banco suíço UBS AG por supostamente ter violado as sansões americanas contra Cuba, Líbia, Iran e Yugoslavia. O fim era impedir o deposito, e transações em outras moedas ou transferências através de bancos de terceiros paises dos dólares que Cuba obtém legitimamente.

Em 30 de setembro de 2004, o departamento do tesouro dos Estados Unidos indicou que segundo os câmbios recentes e as regulações dos ativos cubanos, os cidadãos ou residentes permanentes nos Estados Unidos, não podem comprar legalmente produtos de origem cubana, incluindo tabaco e álcool, em um terceiro país, nem sequer para uso pessoal no exterior.

Em 9 de outubro de 2004, o subsecretario para assuntos do hemisfério ocidental do Departamento de Estado, Dan W. Fisk, em uma agressão sem precedentes na historia das relações financeiras internacionais, anunciou o estabelecimento de “um grupo de perseguição aos ativos cubanos” para investigar e deter novas vias de movimento de divisas para cuba e desde cuba, mencionando em particular o turismo que substituiu as exportações de açúcar como principal fonte de dinheiro.

No ano de 2004 a OFAC impôs multas a 316 cidadãos e residentes nos Estados Unidos por violar distintas disposições do bloqueio. No primeiro quadrimestre de 2005, já havia sido feitas 307 multas, quase a mesma quantidade imposta no ano anterior.

No ano passado diminuíram em 40% as visitas dos norte-americanos a Cuba, viajaram 57 mil pessoas, com relação a 85 mil no ano de 2003.

A viajem dos cubanos residentes nos Estados Unidos reduziram cerca de 50,3% em igual período, ao visitar 57 mil 145 pessoas em comparação de 115 mil que o fez no ano anterior.

Em 2004, um total de 77 companhias, instituições bancaria e Ongs de diversas partes do mundo foram multadas por ações consideradas violatorias as regulamentações do bloqueio. O montante das multas aplicadas somente por violar o bloqueio contra Cuba foi de 1 bilhão 262 milhões de dólares.

Como parte do endurecimento e da agressão contra Cuba, em 6 de maio de 2004, o presidente Bush aprovou o informe da chamada “Comissão de ajuda a uma Cuba Livre”.

Trata-se de um plano de governo dos Estados Unidos, dirigido a privar Cuba de sua independência e soberania, mediante a intensificação da agressão econômica e política pára provocar a desestabilização interna e propiciar a intervenção militar direta. Seus propósitos são destruir a Revolução, trabalhar a recuperação do capitalismo e perpetuar a completa dominação yanqui sobre a nação cubana.

Para implantar estes propósitos desde agora em 28 de julho de 2005 o governo norte americano desiguinou a Caleb McCarry no cargo de coordenador da transição cubana. Este pro-consul yanqui dispõe de uma verba de 59 milhões de dólares que são incrementadas a cada ano, para desenvolver as ações que facilitara e acelerará a transição final para um governo democrático em Cuba, segundo anunciou a secretaria de Estado, Condolezza Rice.

Como disse o deputado Osvaldo Martinez, presidente da comissão de assuntos econômicos do parlamento cubano, “o mais importante pára a reconstrução econômica não seria desenvolver capacidades produtivas ou novas exportações, e sim recuperar as propriedades perdidas a mais de quatro décadas”.

O problema é apresentado como a peça chave, como a chave que deve abrir a porta da reconstrução econômica, já que investidores potenciais não queiram envolver-se em Cuba ate que os assuntos dos direitos de propriedade e da devolução permaneçam sem ser resolvidos.

Como eles querem devolver as propriedades, é suposto que devem quitá-las aos cubanos que nelas vivem, suas terras aos cooperativistas que nelas trabalham, reconverter em propriedade privada os edifícios das creches e escolas, vêem-se obrigados a reconhecer que o assunto é especialmente complexo.”

Entre outros objetivos deste plano esta o desmantelar todas as conquistas sociais que o povo cubano hoje desfruta; por isso o governo norte americano se propõe privatizar os serviços de saúde e educação e o sistema de segurança social que hoje protege mais de 1 milhão e 500 mil aposentados e pensionistas.

Tão pouco escapa aos propósitos colonialistas da administração de Bush fazer retroceder o país a uma etapa de atraso tecnológico e cientifico do passado capitalista, para eles convêm cancelar as atividades dos centros de investigação que tanto tem ajudado a saúde dos cubanos e de outros povos do mundo.

Em sua obsessiva política de anexação do território cubano, nada escapa do plano de Bush, desde impor ao país uma constituição, um sistema eleitoral igual ao deles, organização de partidos políticos como o Democrata e os Republicanos, e outros tantos mecanismos que considerem apropriados para garantir que os cubanos deixem de ser livres e independentes, destinando milhões dentro de uma propaganda sistemática, uma campanha difamatória contra a revolução cubana e financiam e alimentam grupos anticomunistas que em sua função servem para obedecer às ordens yanqui que pretendem subverter a ordem institucional do Estado cubano.

Nós cubanos sabemos que o Plano do presidente Bush, que esta contido no informe da “comissão para assistir a uma cuba livre”, não expressa o pensamento do povo dos Estados Unidos para com Cuba. Com esse povo que é vitima de uma campanha que apresenta a revolução cubana como um ente perigoso e desestabilizador, temos uma amistosa comunicação apesar dos obstáculos que o bloqueio impõe.

O povo e o governo cubano enfrentam há 46 anos o bloqueio genocida dos Estados Unidos, e tem força, inteligência e disposição suficiente para fazer fracassar também o plano de anexação do presidente Bush.   

*Jorge Lezcano Perez, foi embaixador de Cuba no Brasil de 2000 a 2004.

 

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